Dois amigos aventureiros, Nick Morton e Chris Vail, militares americanos que entre uma missão e outra atuam em busca de relíquias no Oriente Médio, acidentalmente encontram a tumba de Ahmanet, princesa egípcia que se tornaria faraó e seria venerada como uma deusa. Ahmanet ao descobrir que perderia seu lugar faz um pacto com o deus mitológico Set, divindade da morte na mitologia egípcia, com a promessa de traze-lo para nosso mundo com um sacrifício humano usando uma adaga e uma joia especial, um rubi. Impedida de seu plano e mumificada viva, a princesa foi enterrada longe do Egito e apagada dos registros históricos. Ao abrir tumba de Ahmanet, ela recomeça sua busca e quer vingança contra a humanidade. A dupla de amigos não é exatamente exemplos de envergadura moral, e a princesa resolve que Morton será o sacrifício para trazer Set à vida. Nosso herói sem moral terá que fazer uma escolha: tornar-se um deus, ou salvar a humanidade.

Em termos técnicos a primeira coisa que chama a atenção é a cinematografia de Ben Seresin, a produção apostou alto nos efeitos especiais e caprichou, a trilha sonora de Brian Tyler também foi intensa, Tyler sabe o que faz e seu curriculum comprova, a edição do trio que assina foi sem dúvidas um grande desafio, pois a quantidade de efeitos especiais e mensagens foi incrível, e a direção de Alex Kurtzman (que atuou também como roteirista e produtor) não deixou a desejar, mas o roteiro sim, escrito a 7 mãos, não soube criar empatia entre o protagonista (Morton) e a mocinha em perigo (Halsey), assim como não soube impor um dilema claro ao protagonista que ficou sem curva dramática, o personagem não evolui (o espaço para isso acontecer era muito grande, foi falha grave de roteiro). A narrativa é fraca (muito mesmo) e a diversão fica por conta da aventura por si só e dos efeitos especiais, inclusive inseriram o doutor Henry Jekyll, monstro de outra literatura como personagem, o que daria uma estória fantástica, mas jogaram tudo fora: os roteiristas foram os culpados.

Quanto ao elenco a atuação é mediana, a trama depende de 5 personagens dos quais apenas um foi convincente: Ahmanet vivida pela belíssima e sensual Sofia Boutella, os demais apesar de portadores de um curriculum de grandes realizações não convenceram tanto, Tom Cruise na pele de Nick Morton foi quase apático, Russell Crowe encarnando o médico e mostro Dr. Henry Jekyll (desta vez cientista) de Robert Louis Stevenson (O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de 1886) também poderia ser melhor, Annabelle Wallis apresentou uma fraca Jenny Halsey (fraca em todos os sentidos, não convenceu nem na dor, nem no amor, nem na revolta, nem no orgulho, em nada), Jake Johnson foi o melhorzinho depois de Boutella com o companheiro do protagonista, o safo Chris Vail; todo resto do elenco foi mediano ou fraco demais.

Não há grandes mensagens ou dilemas no filme, é vazio nesse sentido e portanto não cria identidade, motivo pelo qual a bilheteria foi fraca: um orçamento de 125 milhões de dólares que resultou numa receita de 405,4 milhões, estreou em 4035 salas nos EUA, e não foi tão bem recebido pelo público. Até o presente foi indicado para 2 premiações, mas a avaliação da academia mesmo só saberemos no final deste ano.

Uma nota 6,0 é justa.

Ficha técnica

Filme / Ano A Múmia / 2017
Produção Sarah Bradshaw, Jeb Brody, Sean Daniel, Alex Kurtzman, Chris Morgan, Roberto Orci
Direção Alex Kurtzman
Roteiro David Koepp, Christopher McQuarrie, Dylan Kussman, Jon Spaihts, Alex Kurtzman, Jenny Lumet
Fotografia Ben Seresin
Música Brian Tyler
Edição Gina Hirsch, Paul Hirsch, Andrew Mondshein
Elenco Tom Cruise, Russell Crowe, Annabelle Wallis, Sofia Boutella, Jake Johnson
Distribuição Universal Pictures do Brasil
Orçamento / Receita US$ 125.000.000,00 / US$ 405.400.000,00

Trailer:

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