Após o incidente com os Leviatãs que conclui a sétima temporada, a oitava começa com um Sam cansado da vida de caçador e um Dean marcado e mudado após passar um ano no purgatório em busca de Castiel e enfrentando monstros diuturnamente, até que consegue sair de lá com a ajuda de um novo amigo, um monstro arrependido. Sem amigos, sem parentes, sozinhos na estrada novamente e cheios dúvidas: Sam não sabe se quer parar ou se deve continuar, Dean não sabe se bate primeiro e pergunta depois e como convive com suas memórias e experiências intensas do purgatório.

Para quem estava acostumado com a traumática Sera Gamble na direção do seriado, uma agradável surpresa e outra desagradável.

Primeiro a boa surpresa, Jeremy Carver, substituto da incompentente dedicou-se mais na criação de personagens com história e alma, recuperou um pouco dos traços de Eric Kripke, autor original.

Por último a surpresa ruim (e esta é muito ruim mesmo). Carver investiu pesado em marxismo cultural, fui anotando os pontos na medida que eles surgiam, esta temporada foi um festival de esquerdismo que nem Sera imaginava, Carver chutou o balde para longe, e o balde passou pela Lua: Adolescentes que sonham em ser Michael Moore, ativista desarmamentista americano conhecido, defesa do homossexualismo, poligamia e poliandria, acusação de “excessiva violência nos desenhos animados”, combate ao “preconceito contra o crime”, uma velada defesa da bestialidade, defesa da causa indigenista, e por fim acusações contra a bíblia e Deus como machismo e genocídio de bebês, além do que, o showrunner pegou pesado no politicamente correto, aliás pesadíssimo.

Entre as boas novidades, é notório o novo conceito de fotografia e movimento de câmera, inovou mesmo, melhora, mas causa estranheza, os conjuntos de cores ficaram mais expressivos. As trilhas sonoras mantiveram a qualidade e a edição sempre genial também.

Jensen Ackles e Jared Padalecki, cresceram novamente como atores (essa evolução observa-se desde a primeira temporada, ininterruptamente), Misha Collins permanece o excelente anjo Castiel, Mark Sheppard como o demônio Crowley mais impetuoso agora (ficou melhor), Meg Masters a demônia pentelha desde sempre desta vez interpretada por Rachel Miner que finalmente deu vida e intensidade à personagem. Entre os coadjuvantes Alaina Huffman (Canário Negro em Smallville) que viveu Abaddon, uma figura demoníaca com excepcional sensualidade e cinismo (a atuação convence e você realmente fica brabo com ela), merece aplausos.

Diferente de Gamble, Carver construiu uma meta narrativa e conseguiu fechar a temporada com uma conclusão tocante, por incrível que pareça o sujeito conseguiu dentro de todo ativismo lidar com o valor da verdade (o que é algo bom, sem nenhuma dúvida) e o valor do amor em família que se manifesta na forma de perdão constante, de tolerância com os pequenos erros, os irmãos Winchester cresceram muito nessa temporada, aprenderam na marra que lidar com a família com cobranças excessivas pode resultar em mágoas praticamente incuráveis: o último episódio foi uma grata surpresa, além de uma lição.

Entre os erros de roteiro, um foi grave (gravíssimo): Carver matou um personagem no momento errado, talvez por acaso do destino ele tenha conseguido criar empatia entre dois personagens ao ponto de surgir um romance convincente, daqueles que te faz sentir paz e até desejar viver um igual, mas no auge do pico emocional, o showrunner demonstrou incompetência e assassinou o personagem sem aproveitar a carga emocional e as consequências que sua morte deveria trazer, como a ira de quem recebe seu amor e lhe dedica amor – foi muita burrice isso, imperdoável.

Apesar de toda militância democrata, e ativismo esquerdista, Carver acabou também por lidar com a realidade e alcançar um resultado comovente.

Estou puto (de verdade) com o ativismo político dentro de um seriado que até a 5ª temporada foi uma obra de arte (razão pela qual prossigo assistindo), mas que decaiu muito com a publicidade esquerdista.

Fica aqui uma lição para qualquer escritor: não é a realidade que deve adaptar-se à ideologia, é a ideologia que deve ser analisada de acordo à realidade, pois, se uma das duas pode estar errada, esta é a ideologia e não a realidade, sobretudo quando o âmbito é a metafísica, e como premissa deste argumento, sirvo-me deste seriado, pois a estória de Kripke é baseada na realidade e sua metafisica com seus componentes mitológicos também reais do ponto de vista religioso: Kripke citou a Bíblia, o Alcorão, e algumas outras fontes, além do imaginário popular e mitologias diversas, no entanto não fugiu dos conceitos populares conhecidos, não “criou” ideias novas, apenas lidou com as já existentes; como resultado, quando tenta-se incluir ideologia, é necessário distorcer a realidade para que a narrativa faça algum sentido, o público não cria identidade, e a obra perde seu caráter cognitivo: em outras palavras, o expectador não entende e não gosta.

Como diz um amigo escritor: “Para criar arte ruim, basta criá-la baseada em ideologia.”, e ele está certo, e a prova está aí, desde a 6ª temporada de Supernatural.

Agora, vou assistir a 9ª temporada.

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