A internet está inundada de defensores do “seu lado” na política, todos assumem ares de imparcialidade e cientistas sociais, argumentam pelos mais absurdos pontos de vista como “autoridade histórica”, peculiaridades como aspectos internos de lado, liberdade x igualdade, ou ainda extremismo x democracia e pressupõe que a partir destas observações superficiais alcançarão algum resultado definitivo.

Este artigo é pretensioso, eu sinto que chegou o momento de tratar esse assunto como adulto, deixar as crianças nos fóruns de debate, grupos de Facebook, marcações de Twitter, e vídeos de Youtube para trás, e analisar o assunto do ponto de vista filosófico.

Em primeiro lugar: para definir se o nazismo como movimento político pertence a direita ou a esquerda, é necessário antes 3 conceitos: direita, esquerda, e nazismo. Sem tais definições, o que se restará é a pífia, vaga e militante visão oferecida por historiadores de um mundo acadêmico pós Escola de Frankfurt, que de ciências sociais carregam não mais que o nome: tratam-se de publicitários, desonestos, e apaixonados por um lado, de preferência pela esquerda.

– Mas Ricardo, você é imparcial?
– Não, eu tenho um lado, sou conservador e cristão.
– Ah, então o que te torna diferente?
– O que me torna diferente é que o conservadorismo implica em preservar a filosofia grega, e o cristianismo tem a verdade por valor. E sim, eu prezo por ambos: filosofia grega, e a verdade.

Qual autoridade adotarei para avaliar os fatos e porque motivo: a autoridade filosófica, que é superior à autoridade histórica, pois foi da filosofia que surgiram as ideias de movimentos políticos e não da história, a história apenas aplicou a filosofia, e se historiadores podem assumir um lado e alterar a narrativa para distorcer a história e advogar sua causa política, a filosofia não pode, pois quando os filósofos pensaram, não sabiam no que seus pensamentos se converteriam, podiam até supor, mas saber de antemão era impossível, e, impossível por definição pois o fato sucede à ideia do mesmo e não o contrário. O critério será portanto filosófico acima do histórico, o histórico só vem em segundo lugar.

O que significa esquerda e direita? Esquerda e direita surgiram a partir da divisão do parlamento francês, no qual se não fossem separados os políticos fisicamente, acabariam por se matar, a esquerda foi chamada de “o partido do movimento” e a direita de “o partido da ordem”. Aqueles que queriam modificar a sociedade ficaram à esquerda, aqueles que queriam mantê-la ficaram à direita. Em outras palavras, a esquerda é a revolução e a direita seu contrário, a conservação.

Ser de esquerda significa adotar uma fórmula de sociedade perfeita de alguma natureza que se disponha a solucionar todos os problemas sociais, em outras palavras: revolução.

O problema é que o termo abarca absolutamente todas as revoluções e fórmulas, e nisso incluem-se nazistas, fascistas, comunistas, positivistas, islâmicos, entre outros: todos apresentaram uma fórmula na qual a sociedade seria perfeita apenas após segui-la.

O nazismo é um desses conjuntos de ideias que propõe uma “nova sociedade”.

Os comunistas quando dizem que o nazismo não é de esquerda, estão em última análise afirmando que “revolução é exclusivamente marxismo”, e no fundo sabem que não, não é: se assim fosse, a revolução francesa não seria revolução, bem como nenhuma revolução anterior à Marx seria.

O combate entre nazistas e comunistas não coloca o nazismo na direita, apenas indica que há choques internos na esquerda: e sempre houve, Marx odiava Bakunin, Lassalle brigou feio com Marx que acusou de roubar-lhe o discurso, Lenin tentou matar Trotsky, Trotsky tentou matar Lenin, Lenin tinha medo de Stalin, Stalin matou Trotsky, Castro mandou Che Guevara para a morte, Kim Jong-un mandou matar seus familiares, e etc.

O fato de Hitler “não gostar de comunistas” conforme expresso no Mein Kampf, no máximo, em última análise, expressa que a esquerda entra em choque constante por discórdias entre suas fórmulas. E, se no Mein Kampf podem ser encontradas diversas passagens de anti-comunismo, por outro lado em Adolf Hitler: The Definitive Biography (1976), de John Toland, declarações de anti-capitalismo podem ser encontradas. O que isso significa em última análise? Significa que a autoridade histórica no caso do nazismo e Hitler, é natimorta, é inválida: a partir do momento que o relato histórico é contraditório, ele se torna inválido.

O nazismo propõe a ideia de superioridade racial (luta de raças), na medida que o comunismo propõe luta de classes, que o fascismo propõe amor ao estado (luta de estados), que o positivismo superioridade científica, o islamismo luta de religiões, e o anarquismo luta pelo fim de qualquer ordem social: são todos movimentos revolucionários desde a essência.

Russell Kirk, um dos pensadores do conservadorismo definiu o conservadorismo como uma resistência às ideologias e revoluções.

“O conservador pensa na política como um meio de preservar a ordem, a justiça e a liberdade. O ideólogo, pelo contrário, pensa na política como um instrumento revolucionário para transformar a sociedade e até mesmo transformar a natureza humana. Na sua marcha em direção à Utopia, o ideólogo é impiedoso.” Russell Kirk (1918 – 1994), teórico político americano

Karl Marx, por outro lado deixou claro que o comunismo se tratava de uma revolução e ainda que o conservadorismo é seu oposto:

“As classes médias – pequenos comerciantes, pequenos fabricantes, artesãos, camponeses – combatem a burguesia porque esta compromete sua existência como classes médias. Não são, pois, revolucionárias, mas conservadoras; mais ainda, reacionárias, pois pretendem fazer girar para trás a roda da história. Quando são revolucionárias, é em conseqüência de sua iminente passagem para o proletariado; não defendem então seus interesses atuais, mas seus interesses futuros; abandonam seu próprio ponto de vista para adotar o do proletariado.” – Manifesto do partido comunista – parte 1

Meu argumento aqui é esse: nenhum movimento revolucionário participa do conjunto do que se entende por direita, e muito menos conservador, e a ideia de superioridade racial nazista é tão proposta revolucionária quanto a luta de classes comunista, quanto as ideias fascistas, anarquistas, positivistas, islâmicas, e demais.

Anúncios