Nesta temporada os irmãos Winchester tem que se recuperar da quase morte de Sam na tentativa de fechar as portas do inferno na temporada anterior, das marcas emocionais que resultaram da cobrança excessiva de Dean, e ainda tem que lidar com a queda dos anjos todos na Terra, pois Castiel foi enganado por Metatron, que agora pretende ser o novo Deus, mas é mais mentiroso que o diabo, e precisa ser detido. Simultaneamente o inferno está em choque: Crowley e Abaddon disputam o trono. Na disputa, Abaddon precisa ser detida com urgência pois está arrancando todas as almas que pode para transforma-las em demônios e assim dominar o mundo. É uma temporada intensa, com mortes de personagens queridos e a chegada de novos.

Tecnicamente o trabalho de edição é melhorado, mas com alguns erros de corte de som ambiente e sobreposições de voz nos últimos episódios, trilha sonora mais intensa, fotografia permaneceu com a mesma qualidade. A direção também melhora, com cenas de ação mais vivas, melhores inclusive que as primeiras temporadas, há menos suspense e mais tensão, mais violência.

O trio de atores Jared Padalecki, Jensen Ackles e Misha Collins, como respectivos Sam Winchester, Dean Winchester e anjo Castiel, melhoraram levemente como atores em relação à temporada anterior, transmitiram intensidade, vestiram os personagens. Mark Sheppard, o demônio Crowley foi incrível, Tahmoh Penikett como anjo Gadreel foi excelente, Alaina Huffman como Abaddon foi novamente muito sensual e cínica (vilã perfeita), além de cruel. Curtis Armstrong como Metatron decepciona, o sujeito é fraco como ator, sinto muito. Kim Rhodes como Jody Mills, entregou uma xerife maternal dessa vez, gostei muito, a atuação dela foi marcante. Os demais, todos foram entre medianos e fracos.

Com relação ao roteiro, estou convencido que Jeremy Carver é um autor muito mais poderoso que Sera Gamble, esta temporada foi repleta de literatura clássica, mitologia, uma trama muito complexa, com meta narrativa clara e um final surpreendente.

Carver enriqueceu muito o seriado nessa temporada, mas as constantes citações à autores marxistas como Sartre, poetas comunistas como Muriel Rukeyser, em meio à riqueza literária e cultural que se propôs, não se trata mais transmitir meras mensagens ou fazer ativismo barato, trata-se de integração cultural, trata-se de impor uma nova cultura à luz do dia, da substituição da cultura vigente por outra nova e comunista, e ele soube fazer isso sem as grosserias absurdas de sua antecessora. Jeremy é sutil, é sorrateiro.

Abertamente fez defesa do PETA (ativismo em defesa dos animais), do veganismo, e acusações que foram além da mera provocação contra o cristianismo no penúltimo e último episódios.

Por outro lado, não sei se foi piada dele, mas fazer Charlie (ativista ferrenha da esquerda) encontrar a redenção nos braços de Dean (macho alpha), foi no mínimo engraçado, foi sacana com as feministas. Também colocou os anarquistas como tiranos enrustidos.

Talvez por um lapso mental Jeremy não tenha percebido, mas lidou com a falácia do espantalho na figura de Metatron, que candidato a Deus insinuou imitar o original, mas dedicou-se à mentira: em primeira análise é difícil para um inexperiente discernir que Metatron não é Deus, é um candidato a substituto, um falso Deus, usado artisticamente para insultar o verdadeiro, mas em uma análise mais profunda, o autor acabou por insultar os próprios ativistas que tentou defender, pois, o erro partiu de sua própria militância autoral, foi seu próprio candidato a Deus que acusou o verdadeiro de ser aquilo que ele mesmo era, na prática o Metatron foi um Lenin: “Acuse-os do que você é“.

Em termos de roteiro, Carver é um autor perigoso, um marxista cultural hábil e talentoso, seu texto é envolvente e venenoso.

Os valores trabalhados nesta temporada foram a honra e a verdade, todos os grandes personagens como Cain e Gadreel, expressaram estes valores, e como consequência os símbolos de tolerância, paciência e perdão diante dos erros foram apresentados. Perdão, paciência e tolerância já haviam sido matéria da temporada anterior e o autor lida bem com isso, sabe colocá-los como dilemas para os personagens de forma adequada e tensa.

Não podemos ser malucos e começar a enxergar marxismo cultural em tudo que vemos, mas quando está presente, é necessário identificá-lo e denunciá-lo sim.

Esta temporada foi boa. Agora, vou partir para a próxima. 🙂

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