Para impedir a morte de Sam na nona temporada Dean recebeu a “marca de Cain” que o permitia usar a “primeira espada”, a arma mais poderosa do universo. O herói conseguiu resolver o problema, mas a marca o matou e o transformou em um demônio, retira-la é a meta desta temporada, na qual um Dean com espírito assassino e muitas vezes fora de controle tenta lidar com o problema que o está transformando, um tremendo esforço inútil numa luta perdida: cedo ou tarde a marca o transformará em um monstro insaciável por sangue e que mata por esporte. É do interesse de todos que a marca saia dele, e agora demônios, anjos, humanos e até a própria morte terão que trabalhar juntos para mudar essa situação.

Tecnicamente, desde a nona temporada a edição perdeu qualidade sonora, mas ainda permanece muito boa, a fotografia manteve as alterações da temporada anterior com menos drama e mais violência e ação, as trilhas sonoras foram muito melhoradas (muito mesmo), e a direção foi novamente impecável.

Quanto ao elenco, Dean Winchester de Jensen Ackles foi violento e intenso, Ackles provou ser um ator maduro pronto para qualquer desafio, Sam Winchester de Jared Padalecki foi tenso e equilibrado em um personagem que soube complementar a trama com perfeição, o anjo Castiel de Misha Collins e o demônio Crowley de Mark A. Sheppard foram novamente sensacionais, variando entre o divertido e o dramático, o time deste seriado é fenomenal.

Em termos de roteiro, finalmente Jeremy Carver parou de pesar a mão no ativismo político e mergulhou, rendeu-se à estória e a estória rendeu, Jeremy provou sem nenhum resquício mínimo de dúvida que sabe o que está fazendo e que talento não lhe falta, incorporou literatura clássica como o mundo mágico de Oz e Frankenstein e serviu-se de mitologia grega com elegância, fiquei impressionado com o talento do sujeito.

Ao retirar a mão da militância esquerdista e concentrar-se em escrever uma narrativa com sinceridade, soltou sinceros ataques à infidelidade e aos argumentos científicos para poligamia, ao hedonismo hippie, fez uma respeitável defesa da estrutura familiar, e defendeu de forma impressionante o catolicismo e a confissão católica (sim o confessionário).

Carver não iniciou bem, começou com uma mão pesada no ativismo, com defesa de bandeiras LGBT, fantasmas capitalistas, acusações de preconceito contra homossexuais por parte dos ricos, e luta de classes marxista, mas percebeu a tempo que estava tirando o sabor do seriado e corrigiu a rota a tempo de se recuperar.

Um tema que é argumentado desde a primeira temporada é a máxima atribuída popularmente à Nietzsche “Se Deus está morto todas as coisas são permitidas”, Deus é o único personagem que está “desaparecido”, que ninguém encontra, que não quer ser encontrado e que faz muita falta, pois seria capaz de solucionar qualquer problema facilmente; o seriado provou na prática que, a organização social depende diretamente de uma ordem de princípios e valores e do contrário seria o caos e a barbárie.

Esta foi sem dúvidas a melhor temporada após a saída de Eric Kripke, finalmente Carver mostrou sua potência como showrunner e fez algo digno do seriado, como temas, o valor da amizade, da família e os limites do amor ao próximo.

Intensidade é a palavra certa para descrever a décima temporada de Supernatural.

É com ansiedade, que agora inicio a décima primeira temporada.

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