No final da temporada anterior Amara, a escuridão, reconciliou-se com Deus e o problema que começou com a marca de Cain foi resolvido, mas para isso um problema maior surgiu: Lúcifer foi solto por Castiel e agora tentará retomar seu reinado no inferno e ainda ter um filho na Terra. Amara sente-se satisfeita e resolve presentar Dean, devolve-lhe a mãe, Mary Winchester, que ainda continua uma grande caçadora. O caso de Amara foi tão grande que os Homens de Letras britânicos resolveram interferir no problema da América e enviaram uma equipe para tentar recrutar os caçadores americanos ou matá-los e assumir o controle. Castiel pagará um preço alto por seus erros e Crowley que também cometeu um erro grave terá que pagar. Esta temporada é complexa e pega fogo.

As trilhas sonoras e fotografia continuaram com a mesma qualidade, a edição foi novamente uma obra de arte e a direção nada deixou a desejar.

Jensen Ackles, Jared Padalecki, Misha Collins e Mark A. Sheppard, respectivamente Dean Winchester, Sam Winchester, anjo Castiel e demônio Crowley, deram um show a parte de atuação, são atores maduros que alcançaram fazer humor, drama, e ação, no mesmo contexto e convencer o público sem qualquer dificuldade: a equipe definitivamente sabe o que está fazendo.

Mark Pellegrino é outro excelente ator que convence no papel de Lúcifer. Ruth Connell mais uma vez vive a bruxa Rowena e o faz muito bem (foi uma injustiça de roteiro o desfecho dado ao personagem, ela merecia algo mais digno já que desde seu surgimento teve uma relevância tão alta para a trama). Adam Fergus como Mick Davies é excepcional, sua arrogância e cinismo o faz lembrar o principal Leviatã, Dick Roman. Kim Rhodes brilhou novamente como a xerife Jody Mills. Mas de todos, a melhor atuação é sem dúvidas Samantha Smith, que viveu uma intensa, madura, corajosa, e jovial Mary Winchester (a mulher foi um show à parte mesmo), Samantha rouba a cena quando aparece e inclusive vou assistir mais filmes onde ela atua (só por causa de seu impressionante talento).

Com relação ao roteiro, dessa vez houveram muitos erros: meta narrativa fraca e sem clareza, não se sabe se o inimigo é Lúcifer ou os Homens de Letras de Londres. Embora Pellegrino seja um grande ator, o personagem por sua vez decepciona muito comportando-se como uma criança mimada, muito diferente da primeira versão (apresentada na 5ª temporada), na qual era um vilão de verdade, a competição entre os dois problemas simultâneos atrapalha demais o desenvolvimento da trama. O início da temporada contou com um ativismo político esquerdista (e desta vez nitidamente pró-democratas) tão porco quanto Sera Gamble, pesou a mão contra o cristianismo, contra o conservadorismo e contra o presidente Trump. A trama de verdade demora demais para acontecer e quando acontece é fraca, Jeremy Carver matou três importantes personagens sem a carga emocional que mereciam, faltou consideração com eles (e o público sentiu isso).

As mensagens inseridas dessa vez foram muito confusas, ficou apenas a impressão de que o centro da questão da temporada foi Mary Winchester, como elo entre as tramas; com ela desenvolveu-se a ideia de confiar em quem merece confiança e não em quem aparece com propostas maravilhosas. Outra questão desenvolvida foi a dos exageros ao agir por impulso ou emoção no caso de Castiel, que passa a temporada se esforçando para fazer algo bom, na tentativa desesperada de resolver ao menos um dos problemas que criou, culpando-se excessivamente ele acaba por pagar um preço altíssimo, e a mensagem ali é a da importância de saber perdoar-se, uma vez que todos o haviam perdoado, exceto ele mesmo. Então, entre confiança e perdão, as mensagens da narrativa foram poucas, mas alcançaram sucesso ao transmitir-se.

Rumores de que o seriado está para terminar são abundantes, eu acredito que para tal, a mão de Eric Kripke seria novamente necessária (como um pedido de socorro mesmo), pois Carver é um excelente showrunner, mas vira e mexe o sujeito mistura política e estraga grandes momentos, e ao matar personagens importantes não lhes dá a glória merecida por seus feitos: mata-os como baratas e isso insulta o público.

Aguardamos agora para setembro, a décima terceira temporada que vem com grandes promessas: crossover com Scooby Doo e Arrow, e o lançamento de outro seriado com episódio piloto neste, um time de caçadoras que contará com a xerife Jody Mills, suas duas filhas e Donna Hanscum. Além é claro do desenvolvimento da própria trama que promete novamente ser complexa com o problema de Mary Winchester, e uma equipe muito reduzida (só assistindo para entender o motivo, não vou dar spoiler).

Uma nota 7,5 está de bom tamanho para essa temporada.

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