Sexta-feira, dia 25, para encerrar o mês de agosto com chave de ouro conversei com uma das mais impressionantes figuras do cinema brasileiro que já tive oportunidade: o cineasta Dimas Oliveira Junior, da Oficina Rosina Pagã, estúdio de cinema nacional.

Exemplo de câmera Super 8

O cineasta brasileiro contou sua história que começou aos 14 anos em Taubaté, no interior de São Paulo. Inspirado pelo filme “Nasce uma estrela”, infernizou seu pai até que ganhou sua câmera super 8, deste momento em diante ele soube, tão cedo, o que faria de sua vida toda, contrário à esmagadora maioria que passa a vida em busca de seu caminho e por vezes não o encontra, Dimas encontrou o seu e selou seu destino.

Com um sorriso nostálgico nos contou o apoio que recebeu de seu pai, que não somente o presentou com a câmera, mas com outros equipamentos e inúmeros filmes, seu pai apostou, incentivou e o acompanhou em entusiasmo – sem dúvidas um grande homem merecedor de nosso respeito e reconhecimento.

Com muito bom humor contou histórias engraçadíssimas sobre o Mazzaropi e sua fama em Taubaté.

Quando falou de sua carreira, comentou os estágios na TV Tupi, de como entrou para a televisão para nunca mais sair e da importância da liberdade para buscar seus sonhos.

Dimas que esteve recentemente em Portugal gravando um filme sobre a vida da Rainha Maria II, nascida no Brasil, possui uma carreira impressionante que conta com inúmeros curtas e médias, 42 documentários, 7 longas, 41 anos de cinema e TV e mais 3 longas em produção atualmente, contou seus motivos para montar seu próprio estúdio de cinema, a Oficina Rosina Pagã (nome que homenageia a grande artista brasileira) e abordou a dificuldade de se fazer cinema neste país somada à boa vontade dos jovens com boas ideias e que não encontram apoio para começar: esta é a força motriz que move seu espírito realizador.

Didático, o cineasta explicou como funciona um estúdio de cinema e o processo de produção de um filme, desde quanta dedicação é necessária, passando pela grande aventura do cotidiano em busca de soluções para problemas técnicos, problemas de figurino, de maquiagem, de atuação do elenco, entre muitos outros que sempre demandam urgência, ainda pela necessidade de empatia no exercício do ofício, sabendo colocar-se na pele do outro, até o gozo diante do resultado final com a sensação de missão cumprida (com o entusiasmo que ele coloca, dá até vontade de ir trabalhar no estúdio!).

Ainda sobre o processo de produção, Dimas focou na passagem do roteiro para a produção em si, ressaltando a importância de antes de iniciar as filmagens, ter prontos todos os fundos e planos com qualidade, tanto na realização de grandes orçamentos quanto em pequenos, a elaboração do trabalho envolve pesquisa e planejamento e ele nos deu uma bela aula.

Sobre fazer cinema no Brasil, expressou sua indignação em relação ao que é apresentado no cinema nacional, como aqui dentro só são narradas as piores histórias e os piores personagens em detrimento das grandes histórias e dos grandes personagens. Dentro da seriedade que o tema requer, ele explicou a relação entre cinema e educação e o poder da sétima arte para manter acesa a chama da história, reconhecendo quem realmente merece. Ainda fez uma justa crítica à chacota que o brasileiro faz com sua própria herança cultural e exemplificou com o personagem da Marquesa de Santos, que esquecendo-se de seus incríveis feitos, retratam apenas a vida sexual da mesma.

Ainda dentro da mesma linha, abordou a questão do financiamento e da predileção dos financiadores por atores da Rede Globo no elenco: ou isso, ou sequer o roteiro será lido. Finalizando esse tema demonstrou o quão cego é o mercado brasileiro que engatinha como uma criança na primeira infância, distante de vislumbrar o cinema como indústria, de investir nas boas narrativas visando o lucro mesmo, de ver o cinema como negócio (que comprovadamente funciona e faz muita receita), enfim, de crescer, alcançar a maturidade que se espera de um investidor, e finalmente andar com as próprias pernas.

Para escândalo de todos nós, expôs ainda a espantosa censura que sofreu do programa do Jô Soares por causa do filme “Quero dizer-te adeus”, realizado com baixo orçamento com um resultado impressionante: a regra era a seguinte, se tocar no assunto “orçamento” irá denunciar automaticamente a corrupção no meio e por manter-se honesto com alma intacta, foi sistematicamente silenciado.

Com relação a seus projetos atuais, falou sobre “O Mágico de Inox”, um filme para todas as idades cujo tema é a reciclagem e o longa “Dona Maria II, do Brasil para o trono de Portugal” (que diga-se de passagem custou um árduo trabalho de pesquisa) e quanto aos projetos futuros anunciou um magnífico projeto que traz a literatura para o cinema, na lista constam: Senhora de José de Alencar, O Noviço de Martins PenaA Moreninha de Joaquim Manuel de Macedo e Helena de Machado de Assis. O propósito de seus projetos futuros é o mais nobre possível (além de emergencial): resgatar a literatura brasileira.

Muito sábio e experiente, deu conselhos aos iniciantes: “Acredite, acredite. Leve com seriedade. Faça do seu sonho a sua bandeira. Dedique a sua alma que você vai conseguir.”, entre outras orientações fantásticas.

Conhecer esse cineasta vale cada segundo, é um professor com humildade e sabedoria, que para a felicidade do público deixou-nos seu e-mail para contato ( DimasJuniorDiretor@gmail.com ), o celular e WhatsApp ( (11) 98197-6003 ) e colocou-se à inteira disposição para os interessados na arte do cinema.

“Para mim isso é um sonho e eu não quero acordar desse sonho.” – Dimas Oliveira Júnior

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