O seriado The Flash é um spin-off (um seriado derivado de outro) que teve origem em Arrow, da mesma emissora, a The CW e foi ao ar em outubro de 2014.

O episódio piloto é uma adaptação do HQ da DC Comics, mas muito bem feito: Barry Allen ainda criança recebe instruções de sua mãe e seu pai, com princípios e valores que condensam a noção de que é mais importante ser justo do que ser forte e em seguida vê sua mãe morrer num estranho fenômeno inexplicável no qual seu pai é dado como assassino injustamente. Anos mais tarde, estudando física quântica e trabalhando para o Departamento de Polícia de Central City como cientista forense, um acidente com o acelerador de partículas na empresa STAR Labs causa um raio que o atinge e lhe dá poderes que somados às lições de seus pais, que lhe formaram a personalidade, resultam no inevitável herói: surge o The Flash.

O piloto é apenas uma apresentação do personagem, do universo e uma definição da meta narrativa com prévia da trama: como o mesmo raio atingiu diversos pontos da cidade, vilões surgirão e o herói terá que enfrentá-los enquanto se conhece, descobre do que é capaz e quais seus limites.

Tecnicamente a assinatura da emissora deixa aquele gosto de Supernatural e Arrow no ar, mas com um tom bem mais adolescente, a fotografia é boa mas apenas de caráter narrativo, não há arte propriamente dita nela, as trilhas sonoras num esforço desgastante misturam o clássico com o show business, do orquestrado (fantástico) de Blake Neely ao pop (extremamente superficial) de Lady Gaga. Me parece que o trabalho impressionante de edição em seriados é a marca registrada da The CW (eles realizam montagens que são verdadeiras obras de arte) e a direção acompanha sem qualquer problema.

O roteiro é veloz, nada de extensas apresentações e cansativas genealogias, o herói entra em cena rápido e narrativa flui.

O elenco por sua vez varia entre talentosos e medíocres: Grant Gustin como Barry Allen e Flash é razoável, o garoto tem muito a aprender, Matt Letscher como o dissimulado Eobard Thawne é talentoso, John Wesley Shipp como o pai de Barry, Henry Allen, é intenso, Candice Patton como Iris West soa extremamente superficial e o resto da equipe não convence muito.

A emoção fica por conta dos poucos talentos, da trilha sonora e do roteiro.

Os showrunners Greg Berlanti e Andrew Kreisberg, estrearam bem, mas é cedo para eu avaliar o trabalho em profundidade.

Em termos de mensagens o episódio sugere que o herói e a saga trabalharão dilemas superficiais como persistência e fé em si mesmo, um arquétipo como Davi e Golias, onde o herói é Davi e Golias é todo resto, ou seja, por hora nada especial ou muito profundo. Pelo menos por enquanto, é entretenimento puro, sessão da tarde e só.

Até aqui minhas impressões são muito boas, com pálidas críticas ao excessivo tom teen, mas nada imperdoável.

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