A primeira temporada de The Flash foi ao ar em outubro de 2014 pela The CW com a missão de apresentar o personagem, explorar seus poderes e limites, delinear seu caráter com princípios e valores, criar um universo com lugares, amigos, familiares, inimigos, situações, dilemas e demais. Barry Allen precisa reconhecer-se como The Flash, assumir suas responsabilidades, fazer escolhas que variam de fáceis a muito difíceis (raras), enfrentar vilões e supervilões, solucionar mistérios, numa aventura que começa com um evento em sua infância e termina no mesmo evento: Barry vê um raio na sala de sua casa quando criança, então é levado para fora de casa, sua mãe aparece morta e seu pai vai preso injustamente, sob esse mistério o enredo da temporada se desenvolve.

O personagem central tem uma curva dramática razoável, quando critiquei o episódio piloto confesso que esperava menos, me surpreendeu positivamente: Barry Allen evolui de adolescente tardio e ingênuo para adulto com aparência juvenil rapidamente.

Quanto aos aspectos técnicos, a fotografia é boa e a trilha sonora só pecou mesmo no episódio piloto, mantendo-se no clássico, Blake Neely corrigiu o erro pop a tempo. Edição é marca registrada da emissora (não me canso de elogiá-los nessa linha) e a direção é excelente, toda equipe é bem orquestrada.

Do elenco os talentos são poucos: Grant Gustin como o puro de coração Barry Allen (Flash), Carlos Valdes como o introvertido e inteligente engenheiro Cisco Ramon, Tom Cavanagh como o ardiloso Harrison Wells (Flash Reverso), Jesse L. Martin como o paternal Joe West e dentre os talentos o mais intenso é sem nenhuma dúvida John Wesley Shipp como o impressionante Henry Allen (é sem dúvida o melhor dos atores).

Decepcionam: Candice Patton como a namoradinha Iris West, Danielle Panabaker como a cientista amiga Caitlin Snow e Emily Bett Rickards como a pesquisadora Felicity Smoak, eu esperava muito mais destas três.

Rick Cosnett como Eddie Thawne me surpreendeu no episódio final, conseguiu repentinamente sair da mediocridade estereotípica para um personagem concreto e com alma, foi uma virada de mesa.

Se o roteiro é excelente em termos técnicos de velocidade de desenvolvimento, por outro lado peca em espírito, o politicamente correto e seu superficialismo imperam e é isso que boa parte do tempo estraga personagens cujos atores tinham certamente muito mais a oferecer, a exemplo disso, as três atrizes que afirmei decepcionarem, em parte é culpa do superficialismo imposto: ninguém é daquele jeito no real e o expectador não cria identidade.

Ainda em roteiro, a partir do 11º episódio apresenta-se a militância política: uma acusação pífia aos conservadores de perseguição aos homossexuais e um personagem pró-republicanos e anti-democratas muito mau caráter. O ativismo não é muito constante, aparece pouco aqui, pouco ali, mas está presente de forma inegável.

As mensagens trabalhadas são rasas, começam com a fé em si mesmo e partem para o valor das amizades e da família (que poderia ser muito melhor trabalhado) e culminam na aceitação da realidade tal qual se apresenta – este um grande tema que deveria ser muitíssimo explorado, pois é o problema central contemporâneo.

O trabalho de Greg Berlanti e Andrew Kreisberg, poderia ser muito melhor se abandonassem o comercial de refrigerantes, o ar publicitário e explorassem a arte: é possível que despertem disso e corrijam o erro, como fizeram com a trilha sonora no episódio piloto.

O seriado tem potencial, um grande personagem com grandes dilemas, o que falta é qualidade nos showrunners.

Veremos o que a segunda temporada apresenta.

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