Após resolver o problema do Flash Reverso e outras questões na primeira temporada, The Flash cresceu, amadureceu e está caminhando rápido rumo ao marco dos grandes heróis.

Esta temporada abre com um dilema sobre meritocracia, logo no primeiro episódio: o valor da verdade. Um buraco negro se abriu sobre a cidade no encerramento da temporada anterior, ele sabe que não foi o responsável pelo feito, mas os cidadãos precisam de esperança, um símbolo, alguém com virtudes que possam se inspirar e embora o herói detenha essas qualidades, sabe que o mérito não é seu. Flash deve ou não receber o troféu? O dilema está lá: tornar-se um símbolo mentiroso em prol de um bem maior ou admitir a verdade e negar este símbolo ao povo? O dilema é bom.

Nos próximos episódios, até o 4º, o tema é o perdão, a segunda chance e a possibilidade de recuperação daqueles que admitem seus erros: no 2º é a chegada de um Flash de outra realidade no qual Allen desconta suas frustrações, no 3º o caso do Capitão Frio e sua irmã, a Patinadora Dourada e no 4º o retorno da mãe de Iris West, viciada em drogas que a abandonou ainda criança. O Flash da realidade alternativa é injustiçado por Allen que percebe que precisa dar ao menos uma chance às pessoas, o Capitão Frio e a Patinadora Dourada tem seu destino como criminosos justificado pela criação com um pai pior que eles, ao enxergar isso, Flash sente-se movido por uma compaixão e manifesta sua esperança na conversão de ambos para o bem e no caso da mãe de Iris, a mulher parece estar realmente arrependida de seu passado e precisa de uma segunda chance, mas terá que lidar com as questões em aberto.

Em seguida a questão é como se levantar após uma queda violenta, com a chegada do vilão Zoom, questão essa que evolui para o bem maior: Barry deve ou não revelar sua identidade para a nova namorada em um dilema, se revelar a coloca em perigo e ela muito provavelmente morre, se não revelar machucará os mais profundos e sinceros sentimentos da inocente moça.

Tecnicamente a fotografia é boa, informa, narra inclusive do ponto de vista emocional, mas não alcança ainda a excelência artística, a trilha sonora é muito boa e inclusive salva momentos de atuação ruim, como o desfecho entre Barry e Iris West, realmente Blake Neely conseguiu equilibrar entre o clássico e o pop e acertar o compasso, com intensidade em momentos fortes e descontração onde é humor e leveza, o trabalho de edição continua a marca registrada da emissora, a The CW merece de fato, a narrativa é muito fortalecida com um trabalho de edição competente e a direção continua sensacional, em nada peca e a orquestra da equipe se apresenta com dignidade.

O Barry Allen de Grant Gustin está muito mais imerso na trama, mais intenso e vivo, Gustin cresceu como ator de forma notável, Iris West de Candice Patton é uma decepção constante, a atriz é fraca, é técnica demais e não mudou nada desde a primeira temporada, é possível que melhore na terceira. Quem melhorou bastante também foi Cisco Ramon de Carlos Valdez, mas ainda não alcançou dar vida de forma adequada ao personagem, ainda não convenceu que não passa de um garoto inseguro e introvertido e Danielle Panabaker como Caitlin Snow que vem melhorando episódio a episódio, está quase no nível esperado, em seu personagem Nevasca desta temporada demonstrou capacidade (eu aposto nela como talento ainda não revelado). Os melhores, sem dúvida alguma foram Tom Cavanagh como Harrison Wells, Jesse L. Martin como Joe West e John Wesley Shipp que atuou como três personagens, Henry Allen, Jay Garrick e Flash, estes três foram um show de atuação à parte.

Todo elenco variou entre o bom e o razoável, mas uma garota estrelou, brilhou, foi fantástica: Shantel VanSanten como Patty Spivot, a partida dela do seriado deixa um gosto horrível, a guria deu aula de atuação para a equipe, intensa e real ela emociona e convence, foi a melhor.

De todas as mensagens transmitidas, a mais bem trabalhada foi sobre como se recuperar de uma grande queda, o vilão Zoom acaba com Flash, quebra sua aparência, seu físico e seu espírito, o roteiro acertou com profundidade pela primeira vez no seriado, fez o personagem voltar ao profundo de sua essência, que identificou como a “força de aceleração”, para então reconstruir-se muito mais forte do que antes. Entre as outras mensagens, também a necessidade do perdão foi novamente tema.

Praticamente não houve marxismo cultural nesta temporada, houveram tão poucos trechos que nem vale a pena comentar, foi irrelevante mesmo. Me parece inclusive que boa parte dos roteiristas que exageram no politicamente correto percebem que dessa forma subtraem a emoção e negam a arte e assim acabam por curar-se. Os personagens todos cometeram erros e trabalhar tais erros não seria possível com a camisa de força do politicamente correto, de certa forma, timidamente ainda, Greg Berlanti e Andrew Kreisberg demonstraram ser mais do que ativistas idiotas.

Eu gostei do resultado e a surpresa do final também (que não revelo aqui, pois spoiler não é minha praia).

Vou partir para a terceira temporada ansioso.

Anúncios