Donnie Darko é um filme de 2001, escrito e dirigido por Richard Kelly, no qual o jovem Donald Darko que vive com sua família e frequenta seu colégio, tudo na absoluta normalidade, começa a sofrer alucinações com um homem fantasiado de coelho macabro que identifica-se como Frank. Darko é dono de uma inteligência superior à média de seus amigos, numa noite tem uma visão com Frank, que lhe retira de dentro de casa e o faz caminhar até um campo de golfe, salvando-o de um acidente que lhe tiraria a vida, então, em dívida com seu amigo imaginário, Donnie aceita segui-lo, ouvi-lo e acatar suas ordens, que a princípio parecem absurdas, imorais e criminosas e de fato o são, mas quando o garoto as executa algumas verdades inconvenientes são reveladas.

No campo de golfe Frank lhe informa o tempo exato para o fim do mundo, com precisão de segundos e Darko passa a esperar tal momento com fé.

Darko descobre que através de uma certa espiritualidade é possível realizar coisas que a ciência apenas teoriza, como viajar no tempo e voltar ao passado, então ele passa a considerar o que realmente deve fazer, se viver de aparências como a sociedade ao seu redor requer ou ser quem realmente é e proporcionar momentos de alegria reais às pessoas que ama.

A fotografia de Steven Poster é artística e auxilia demais a narrar a estória do ponto de vista emocional mais intenso, principalmente nos momentos de grande apreensão e confusões mentais. A trilha sonora de Michael Andrews foi muito bem recebida pelo público e é de fato muito boa, todos que assistiram guardaram alguma música em sua memória e ainda existe o caráter temporal de que o filme de 2001 se passa na década de 80, logo o contexto musical também serve para posicionar o expectador no tempo e cumpre essa proposta muito bem. Outro destaque é a edição de Sam Bauer e Eric Strand, que souberam fazer montagens impressionantes e o conjunto de talentos colaborou muito na direção de Kelly.

O elenco é todo ruim, as atuações são todas fracas e o que salva o filme são o roteiro, a fotografia, as trilhas sonoras e a direção: justiça seja feita, nas cenas onde Darko parece malvado ele realmente convence, mas o personagem só é bom nestes momentos, nos demais não convence.

O roteiro de Richard é pontuado, marca acontecimentos com datas, não é confuso e nem lento, o ritmo é bom e as informações fornecidas são suficientes para um bom entendimento do enredo de forma geral, no entanto, o detalhe é que o filme não responde as questões que coloca, apenas as apresenta ao expectador e deixa a conclusão por conta de cada um. A narrativa é repleta de mistérios e simbologias que renderam inúmeras interpretações diferentes por toda a internet.

Em termos de marxismo cultural, há um certo ataque aos conservadores que se serve da falácia do espantalho, mostrando conservadores como hipócritas que vivem uma vazia vida de aparências sem no entanto haver consistência em suas almas: um conservador não é isso, é precisamente o contrário e nisso consiste a falácia do espantalho levantada por Richard Kelly, muito embora, guardadas as devidas proporções, os conservadores no filme não sejam assim chamados, mas indicados como produtos midiáticos. Kelly insinua também algo bastante perigoso para mentes despreparadas, que no fundo, toda alma possui uma podridão e que ela é maior na medida que o indivíduo se esforça para parecer socialmente aceitável, tal ponto é muito questionável e o autor o afirma como um princípio, uma verdade inquestionável, praticamente um axioma; tal afirmação se manifesta na forma do uso poético de fantasias, como roupagem em duas camadas, que se torna uma temática secundária e que serve de pano de fundo para a trama: Frank fantasiado de coelho macabro no fundo é inocente enquanto quem está tentando se passar por perfeito, “fantasiado” de ser humano virtuoso como exemplo mais latente o Jim Cuningham como ícone social, é no fundo um monstro de verdade.

É bom deixar claro que Richard Kelly é filho de um cientista da NASA e que algumas partes do filme fazem referência ao livro “Uma Breve História do Tempo” de Stephen Hawking, na medida que se acoplam e convidam à uma auto-crítica e uma crítica social, agressivo em alguns pontos, mas reflexivo em todos; não o vejo como um ativista dos democratas ou um comunista, mas um produto do marxismo cultural em si, ou seja, ele não sabe o que está fazendo, embora esteja fazendo. O filme é forte sim, mas é também uma crítica social clichê.

O filme teve um orçamento mediano de 4,5 milhões de dólares e rendeu 7,5 milhões, não foi um grande sucesso de bilheteria, mas foi indicado a 21 premiações das quais ganhou 11. Uma continuação chamada “S. Darko: A Donnie Darko Tale”, foi lançada em 2009 com péssima recepção do público e da crítica.

Uma nota 8,5 é justa, eu recomendo este filme para quem gosta de pensar, meditar e encontrar respostas por si só, principalmente filósofos.

Ficha técnica:

Filme / Ano Donnie Darko / 2001
Produção Adam Fields, Nancy Juvonen, Sean McKittrick
Direção Richard Kelly
Roteiro Richard Kelly
Fotografia Steven Poster
Música Michael Andrews
Edição Sam Bauer, Eric Strand
Elenco Jake Gyllenhaal, Holmes Osborne, Maggie Gyllenhaal, Drew Barrymore, Noah Wyle, Patrick Swayze, Jena Malone, Mary McDonnell, Ashley Tisdale, Daveigh Chase
Orçamento / Receita US$ 4,5 milhões / US$ 7,5 milhões

Trailer:

Anúncios