O episódio piloto da primeira temporada de Supergirl foi ao ar em outubro de 2015 pela CBS e apresentou a personagem, o cenário, uma superficial introdução ao universo e uma sugestão de meta narrativa.

Melissa Benoist interpreta Kara Danvers, que fora enviada de Kripton para Terra ainda criança para proteger seu primo (o Superman), mas sua nave se perde e vai parar na Zona Fantasma, misteriosamente sua nave sai de lá e acaba chegando à Terra, mas trás consigo outro veículo que contém uma equipe de vilões, os piores do universo.

A personagem é feminina, modesta, inteligente e engraçada na medida certa, Benoist é uma excelente atriz e impressiona logo de cara.

Kara Danvers é uma jovem em busca de seu lugar, tanto socialmente com relacionamentos virtuais frustrados quanto profissionalmente num emprego ingrato, ao passo que é bem resolvida no âmbito familiar.

Mehcad Brooks interpreta James Olsen, o fotógrafo do jornal por quem indiscutivelmente Kara se apaixona, o ator é muito bom e convence, a química entre os dois é impressionante e faz o público torcer pelo casal.

Quando Olsen entra na estória, Kara percebe que não tem para onde correr, seus encontros fracassados com internautas chegaram ao fim.

A personagem é tentada por sua chefe a se apresentar como prima do Superman (esta tentação é detectada apenas pelo público e pela heroína) num dilema moral: tornar-se peça publicitária para salvar o emprego de algumas pessoas, ou não mentir e deixar que sejam demitidas? O dilema é resolvido rapidamente no episódio.

Com todo esse cenário introdutório, Kara se encoraja e pelo motivo certo finalmente se torna a Supergirl.

Não há como negar a abordagem do universo feminino que é muito bem delineado: Kara é uma moça em todos os sentidos, não há nada de mulher-macho nela.

A fotografia é um show à parte, com destaque para os conjuntos de cores intensos, que combinam com a personalidade da atriz e da personagem. As trilhas sonoras também merecem elogios, mais voltadas ao clássico (raramente o clássico não combina). O trabalho de edição é digno de aplausos e a direção fantástica.

O elenco varia entre bons e medianos.

O destaque merecido para os bons, além dos que já elogiei, são os personagens de sua insuportável chefe, mimada, luxuosa e com a personalidade de um poodle, Cat Grant, interpretada por Calista Flockhart com maestria (a ponto de você ter vontade de atravessar a tela e jogar a mulher pela janela do prédio), e, do sisudo e sincero J’onn J’onzz, interpretado por David Harewood que o faz com seriedade absoluta e rouba a cena.

O roteiro insere algumas questões políticas variando o tom entre o humor e a seriedade, a posição e as condições das mulheres na sociedade e o tema recente da imigração são sem dúvida os mais recorrentes, tratados como temática política central.

Deve ser a tentativa mais frustrada de marxismo cultural no cinema: o roteiro tende sim por razões óbvias e uma tendência sugestiva ao feminismo, mas não funciona (é inclusive forçado).

O heroísmo exige moral judaico-cristã, ao passo que o politicamente correto e o ódio de classes não funcionam.

As mensagens ficam por conta de feminismo água com açúcar que se anula na essência da narrativa.

O primeiro vilão apresentado, por exemplo tem um comportamento machista, que não seria suportado por qualquer homem de verdade, o sujeito merecia porrada mesmo por ser um babaca completo, mas ser machista não é o motivo de ser vilão e sim o fato de ser um assassino, o machismo no caso é um traço de personalidade dele.

Os outros homens todos tem personalidades diferentes, como seu colega de trabalho que se torna um bom amigo e as constantes referências ao super-primo, que se tornou ícone da justiça.

Para mim está ficando claro que o marxismo cultural, enquanto substituição de significados não funciona sempre, não é adequado para tudo.

Para além das pautas políticas, as mensagens trabalhadas na narrativa foram de ter fé em si, acreditar no seu potencial, o cuidado ao lidar com as reações de estímulo e desestímulo daqueles que nos são mais caros e a diferença de encontrar um verdadeiro amor comparado aos enganos que aparecem no caminho.

Supergirl não é um seriado para mulheres, é para jovens e adultos de ambos os sexos.

Os showrunners Greg Berlanti, Andrew Kreisberg, já haviam provado talento com The Flash e Arrow na The CW, o time se completa com Ali Adler e o resultado fica entre bom e ótimo.

Eu achei o piloto forte e promissor, gostei muito e vou assistir a primeira temporada com expectativas boas.

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