Barry fraqueja feio no final da temporada anterior e após ter resolvido o problema do Zoom, cai na tentação de alterar a linha do tempo: este erro lhe custa tão caro que ele é obrigado a desfazer seu feito, mas a nova realidade jamais será como a primeira.

A temática do início da temporada é a responsabilidade: não dá para ficar voltando no tempo e reajustando as coisas a cada novo erro, Flash terá que aprender a conviver com seus erros, pois a cada retorno novos e piores problemas surgem e alguém inocente paga muito caro pela falha.

De cara, nos primeiros episódios Candice Patton como Iris West me surpreendeu muito com um salto de qualidade em atuação, a garota finalmente mergulhou na personagem e convenceu. O Barry Allen de Grant Gustin também melhorou (mais uma vez) e Carlos Valdes como Cisco Ramon melhorou um pouco, ainda está se desenvolvendo, mas como o alter-ego Vibro convenceu, é necessário dizer que sim, o seriado tem um novo herói com ele.

No terceiro episódio, há uma crítica engraçada ao feminismo e perfeitamente válida, me parece que críticas ao feminismo são comuns no cinema mesmo partindo da própria esquerda: já encontrei uma forte em Supernatural e mais que uma em The Walking Dead.

Greg Berlanti e Andrew Kreisberg conseguiram criar novamente um laço muito forte e convincente entre dois personagens, Wally West e Jesse Chambers Wells desde o primeiro momento se entendem através do olhar, é muito natural e espontâneo, tanto a atuação de Keiynan Lonsdale quanto Violett Beane são muito convincentes e você pensa o tempo todo: nasceram um para o outro e não tem outro jeito.

Neste ponto, junto com a responsabilidade a temática concatena-se com o perdão a si próprio, perdoar seus próprios erros após admiti-los e não é a primeira vez que o seriado trata o assunto.

Resolvida a questão da responsabilidade e do perdão a si próprio, novamente é abordada a confiança a estranhos com a chegada de um novo doutor Harrison Wells, questão que é reforçada pelo comportamento do colega de trabalho de Barry, o Julian Albert. Entre os melhores atores da série está Tom Cavanagh, que faz Harrison Wells, o sujeito é versátil e convincente.

Tal questão torna-se mais enfática e complexa no 6º episódio com a revelação de Caitlin Snow ao Cisco Ramon: Cisco precisa escolher entre o amor ao próximo e a verdade. Este por sua vez é um grande dilema que todos passamos muitas vezes na vida.

A inovação dessa temporada foi a ousadia no episódio 8, a The CW reuniu os principais personagens do universo estendido DC numa jogada publicitária de um lado e num presente para os fãs do outro, já estava na hora disso acontecer mesmo.

A questão ética da viagem no tempo reaparece: se Barry havia entendido que voltar ao passado e altera-lo trata-se de um grave erro com péssimas consequências, acidentalmente ele acaba indo parar no futuro e descobre algo terrível, então desta vez a questão é se é bom saber o próprio futuro para modificá-lo ou se isto é um erro. No desenvolvimento deste tema, entra a importância dos valores como a verdade, a sinceridade, a piedade, a honestidade que como características da alma, constituem as diferenças fundamentais entre os heróis e os vilões.

As reflexões do roteiro na questão de saber o futuro, conduzem à essência do presente, algo que todos nós já passamos algum dia: o medo do futuro. Então após escavar bastante o tema, alcança-se em última análise o medo em si, o próprio medo, pontuando entre vantagens e desvantagens, lucros e prejuízos oriundos de exageros, tanto para quem o ignora quanto para quem se deixa cegar por ele.

Desenvolvendo o tema do medo, no final das contas toda questão remete a como lidar com a realidade, se o melhor é aceitá-la e conviver com ela ou ficar tentando mudá-la às cegas e esta é sem dúvidas uma das melhores e mais profundas questões já tratadas em um seriado.

A caminho dos últimos episódios, superado o dilema do medo aparece o complemento da responsabilidade: não basta superar o medo, é necessário assumir os problemas e encará-los de frente.

Solucionadas as questões (não vou dizer como) propostas em formas de dilemas morais com a intensidade que requerem, resta reparar as cicatrizes dos erros cometidos no caminho, para tal o novo tema é a força do amor, isto acontece no episódio 17, no qual a emissora nos presenteia não só com um grande tema, mas com um novo crossover com Supergirl.

Como nem tudo são flores, pela primeira vez na temporada o marxismo cultural dá as caras e a emissora que até aqui estava indo maravilhosamente bem resolve fazer ativismo LGBT e defender o casamento homossexual.

Os últimos dilemas a serem tratados são por fim o sacrifício por um bem maior e a redenção, que novamente são apresentados na voltagem máxima.

A fotografia foi levemente superior nessa temporada, a música de Blake Neely novamente emociona (eu não consigo mais poupar elogios a este sujeito), a edição é simplesmente fantástica (marca registrada da The CW) e a direção é sem igual.

O roteiro foi a estrela entre as habilidades técnicas desta vez e o elenco melhorou muito, novamente Jesse L. Martin como Joe West, Tom Cavanagh como Harrison Wells e John Wesley Shipp como Henry Allen e Jay Garrick, além da sensacional atuação de Tom Felton como Julian Albert. Também foram dignos de elogios o casal Cigana (Jessica Camacho) e Vibro (Cisco Ramon de Carlos Valdes), houve sinergia entre ambos e a química foi intensa.

O final da temporada é épico, muito emocionante, digno de arrancar lágrimas de um mármore e para um seriado que começou com questões tão minúsculas na primeira temporada, sem prometer muito, acabou por alcançar a grandeza de alma dos grandes heróis e mitos nessa 3ª temporada.

Como não podia deixar de ser, após uma temporada tão intensa, o que resta é aguardar o retorno da série com a quarta temporada em outubro.

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