É para mim óbvio que toda literatura marxista será sempre inferior em termos de afetação emocional.

Para um leitor gostar de uma obra é necessário que ela seja capaz de criar identidade. Para criar identidade é necessário falar sobre aquilo que mais o afeta em um profundo nível pessoal. Os dilemas dos personagens devem ser seus próprios dilemas e o cenário contextualizável com o seu.

No marxismo o coletivo tem predileção em detrimento do indivíduo e portanto as narrativas são sempre limitadas aos grupos, interesses de grupos e culminam sempre em luta de classes: de tais questões socais raramente se extrai algum dilema que implique num juízo de valor do indivíduo concreto.

Por razões óbvias, em primeiro lugar interesses de grupo são sempre inferiores aos interesses pessoais, uma vez que um grupo é um conjunto de pessoas, sem as quais o próprio grupo seria impossível.

Em segundo lugar, interesses grupais raramente despertam sentimentos e emoções, uma vez que sendo o grupo um conjunto de indivíduos, com tendências assíncronas e imprevisíveis, se torna também no máximo projeção hipotética que qualquer indivíduo emocione-se pelo grupo mais que por si mesmo na posição de ente irrelevante, de ente componente, desprovido de alma.

Um homem entristece-se superlativamente por uma traição, pela perda de um ente querido e até por dores físicas, mas entristece-se menos, incomparavelmente menos, quando o assunto é um grupo.

Há inclusive um poema satírico do Fernando Pessoa que ridiculariza esse tipo de preocupação coletiva, chamado “Se te queres matar”.

Em terceiro lugar que, as emoções são transmitidas e de acordo à estrutura da comunicação, uma mensagem só é possível ser transmitida de alma para alma, de pessoa para pessoa, tal estrutura requer um emissor, uma mensagem, um receptor e um meio. Logo, se a afetação emocional está na alma e o grupo não tem alma, a mensagem é de caráter analítico, racional e não emocional.

A arte marxista é essencialmente falha, a luta de classes não comunica-se com o indivíduo senão em um plano que jamais atinge o status emocional com força.

Hollywood tem experimentado isso na pele: os filmes com carga excessiva de substituição de significados e com propaganda partidária dos democratas, naufragam um após o outro e o mesmo vale para o globalismo em escala menor, acarretando prejuízos para investidores que patrocinam as obras e não retornam após observarem seu dinheiro voando como sacos como asas que se despedem migrando para horizontes e dizendo adeus impiedosamente.

Notei em minhas críticas de seriados a audiência debandando por não criar identidade, abandonando séries que adoravam, como Supernatural na 6ª e 7ª temporadas sob a responsabilidade de Sera Gamble (marxista cultural de carteirinha), além de vaias e uma rejeição tremenda, que reflete sempre nos bolsos dos patrocinadores: que não voltam.

A meu ver, o marxismo cultural está com os dias contados.

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