Por quase um mês ecoou na minha cabeça a máxima marxista: “A história da humanidade é a história da luta de classes”, remeteu-me a rever os principais fatos históricos, aqueles causados por verdadeiros agentes históricos, ou seja, aqueles fatos que após realizados a história está realmente modificada e não dá para voltar atrás.

Afinal, para afirmar que a história da humanidade é a história da luta de classes, é necessário pressupor que todos os grandes fatos históricos foram norteados por classes sociais em conflito.

Por classes sociais entende-se grupos mais ricos e grupos mais pobres, e, segundo Marx a única coisa que a humanidade fez confrontar-se motivada pelos interesses destes grupos.

Oras, se os confrontos foram então por interesses destes grupos, de ricos e pobres, então naturalmente todos os conflitos deveriam ter necessariamente um único ponto em comum, um ponto capaz de justificar essa afirmação: os interesses de classes.

Acontece que falando apenas “interesses de classes”, soa muito abstrato, abrangente, dá margem para pensar muita coisa e inclusive não pensar nada, que no final das contas é o que geralmente acontece, a sentença torna-se um mantra e ninguém pensa nada a respeito, crê cegamente numa obra fossilizada, numa extensa e enfadonha literatura socioeconômica de um psicopata do século XIX.

O que significa em última análise a “luta de classes”? Significa que ricos e pobres lutam por dinheiro e ou outros bens materiais. A grosso modo, Karl Marx está dizendo que a história da humanidade, é a história da luta por dinheiro.

Será necessário desenvolver esse raciocínio para além do absurdo categórico contido na afirmação de que “a história da humanidade é a história da luta por dinheiro”? Não nego que alguns fatos foram sim, uma luta por dinheiro, mas todos? Será que, esta é a verdade, ou uma limitação de perspectiva imposta pelos imbecis marxistas? E me desculpem, mas limitar uma questão à uma perspectiva única é imbecilidade e não há o que discutir a respeito. Imagine-se dizendo: “Você só pode enxergar as questões todas da perspectiva econômica, todas as demais perspectivas estão vetadas”. Não seria uma agressão à inteligência de seu interlocutor? E se do contrário fosse você a ouvir tal absurdo? Não se revoltaria?

Eu poderia realizar uma rápida revisão pela história e encontrar inúmeros fatos históricos que em primeiro lugar, nada tiveram de guerra e portanto não foram “luta”, só para começar e ainda assim foram história, mas resolvi não fazê-lo, pois o personagem mais importante da história há mais de 2 mil anos é Jesus Cristo. Jesus é importante o suficiente para haver uma mudança na contagem do próprio tempo, o calendário é contado em “antes de Cristo” e “depois de Cristo”. Jesus Cristo estava lutando por dinheiro?! Então, se o fato mais importante da história, baseado na história deste personagem, que culminou na maior mudança de rumo da história, não é luta de classes, só por isso tal perspectiva está refutada, irremediavelmente refutada.

Não Karl, desculpe, não a história da humanidade não apenas não é a história da luta de classes, como não podem todas as perspectivas serem reduzidas à esta única perspectiva.

Inclusive, se alguém me perguntasse “Ricardo, qual é a história da humanidade então?”, eu seria obrigado a responder: “Eu não sei, a história não acabou ainda e o futuro não é acessível para mim. Não é possível sequer imaginar uma meta para história pois, primeiro eu não sei como e quando acabará e segundo que eu não sou capaz de apreender todos os interesses que desenvolvem-se simultaneamente, não sei o que as pessoas buscam e jamais atreveria-me a dizer uma besteira tão grande como esta, de que a única busca do ser humano é por dinheiro”.

Recorramos então ao segundo maior fato da história, com o segundo maior agente histórico, aquele que causou a segunda maior mudança nos rumos da história da humanidade: Sócrates, o filósofo grego.

Sócrates estava em busca de dinheiro? Não, Sócrates estava em busca da verdade e nada mais. Nos mais de 40 livros escritos por Platão, Xenofonte e demais discípulos, não há outra coisa senão diálogos em busca da verdade sobre muitos temas.

Que vos parece? Que Jesus e Sócrates, os dois mais importantes personagens da história da humanidade, que realizaram as duas maiores mudanças de rumo da história, que afetaram o planeta inteiro e que permanecem de pé até o dia de hoje, absolutamente desprezavam os bens materiais e principalmente o dinheiro, ou estavam em busca de capital?!

Aristóteles estava em busca de dinheiro?! Ou não é um personagem histórico relevante, cuja filosofia modificou a história da humanidade?!

E fora da filosofia, as descobertas científicas foram norteadas por dinheiro?! Alexander Fleming descobriu a penicilina para ficar rico e humilhar os pobres?! Que tipo de retardado sustentará esse tipo de hipótese?! Oras, a penicilina foi o primeiro antibiótico de sucesso. Este fato não modificou a história da humanidade?! E os demais?!

Não é necessário analisar coisa alguma além deste ponto, a conclusão é óbvia: “Não, a história da humanidade definitivamente não é a história da luta de classes”.


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