O seriado Arrow, do Arqueiro Verde, personagem da DC Comics, foi ao ar em outubro de 2012 para contar a estória de como Oliver Queen, um jovem milionário mimado e mau foi parar em uma pequena e perdida ilha próxima à China, onde de náufrago perdido acabou por se envolver numa guerra entre milícias de mercenários treinados por forças especiais militares para situações extremas, é nesse cenário que Oliver aprende a lutar, sobreviver, lidar com armas e por fim usar o arco.

Queen sai de casa com seu pai numa viagem em um iate, junto com a irmã de sua namorada Laurel Lance, numa festa regada a bebidas e sexo, até que o iate afunda e apenas ele e seu pai sobrevivem em um bote salva-vidas. Nesta situação seu pai lhe conta que a fortuna da família foi conquistada por meios criminosos, pede a Oliver que repare seus erros cometidos com a cidade e entrega-lhe uma lista de nomes.

Oliver volta para casa mudado e inicia sua carreira como o Arqueiro, começa a procurar e punir os criminosos do colarinho branco de Starling City, faz amigos importantes como John Diggle e Felicity Smoak que compõe sua equipe e inimigos relevantes do universo DC. Enquanto o herói é construído, suas memórias da ilha vão sendo contadas paralelamente.

A fotografia do seriado é sombria e triste na cidade, enquanto iluminada e tropical na ilha, ambos cheios de ação e aventura sobretudo nos movimentos de câmera que sempre acompanham a emoção do momento, a trilha sonora é o clássico e é boa, a edição como sempre um trabalho de mestre da The CW, o elenco é mediano e alguns coadjuvantes são melhores que os protagonistas e a direção é uma orquestra muito boa da equipe, em termos técnicos o seriado é bom, razoavelmente bom, mas pode melhorar muito.

Há uma confusão ideológica constante que começa logo no primeiro episódio, com luta de classes marxista, onde bandidos roubam porque são ricos, a visão apresentada é que ser rico é o que torna as pessoas más e o detetive Quentin Lance chama Oliver Queen de anarquista para sua filha Laurel, provando que as confusões ideológicas não são impensadas.

No segundo episódio é abordada uma questão importante: a diferença entre dar atenção e o excesso de espaço para os filhos, que o castigo é uma forma atenção na criação da irmã de Oliver, Thea Queen.

No nono episódio há uma referência aos democratas em associação com Robin Hood, “o partido que tira dos ricos e dá para os pobres”, enquanto que de forma confusa trabalham a importância do natal, um feriado extremamente combatido pela esquerda.

No décimo, outra questão importante é aberta: como recuperar a confiança após uma queda feia. Poderia ser melhor tratada, é um tema importante.

No décimo primeiro há uma abordagem sobre como lidar com os erros dos pais, o seriado neste ponto demonstra como os filhos podem ser cruéis e nisto acerta com precisão cirúrgica.

No décimo quarto, a questão é: e se fosse com você? Arrow tem que interrogar a própria mãe, usará os mesmos critérios que usa para os demais? Aqui o personagem começa a lidar com o equilíbrio e aprender mais sobre moral e ética retroativamente.

No décimo quinto um bandido é justificado por ser pobre e ainda chama as vítimas de privilegiados, para surpresa de todos, após convencer o público do argumento, no final do episódio confessa que seu discurso era todo mentira e que fez todo mundo de idiota: para um seriado com tons socialistas, este episódio é especial.

Não há muita variedade de temas, são poucos dilemas morais e muita “lição de moral” marxista que não se sustenta e que os showrunners Greg Berlanti e Andrew Kreisberg (uma dupla de talento inegável), percebem e vão consertando: o marxismo cultural morre na perda de público – inclusive escrevi sobre isso semana passada em outro artigo.

Em todos os episódios, a frase de efeito “você falhou com esta cidade”, apesar de refletir o último desejo de seu pai, expressa um apelo coletivo, que não convence, acaba por tornar-se a missão pessoal de Oliver, diminuindo a importância do personagem.

Como introdução, esta temporada foi fraca, mas vou continuar assistindo.


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