Na temporada anterior Oliver Queen falhou com a cidade, ainda como “Capuz” não conseguiu deter o plano do Arqueiro Negro e metade da cidade sofreu um terremoto. Oliver volta para sua ilha e decide ficar por lá, mas é resgatado por Felicity e Diggle para voltar ao lar e levantar-se.

Chegando na cidade, como consequência dos episódios anteriores a estória continua e um salvador para a cidade se apresenta: Sebastian Blood, um político comunista conhecido como “Irmão Sangue”, com forte discurso de luta de classes marxista, culpando a elite por todos os problemas da sociedade e prometendo tornar-se a solução para tudo.

Logo no primeiro episódio, me parece que Greg Berlanti e Andrew Kreisberg aprenderam a lição de que o politicamente correto do marxismo cultural não leva à nada, ou melhor, leva ao afastamento do público e apresenta terroristas nitidamente esquerdistas, vilões com discurso de luta de classes, os “capuzes”, dando o tom do que será toda a temporada.

No segundo episódio a estória começa de verdade, o vereador Sebastian Blood se apresenta com seu discurso luta de classes norteado com o básico: ricos contra pobres.

No terceiro episódio aparece uma defesa do feminismo, no quarto do desarmamento civil: mas ambos por parte dos vilões.

O episódio sexto é interessante no contexto das mensagens políticas pois no contato com os russos, o Gulag aparece como o pior tipo de prisão que existe – e é assunto recorrente – o que prova que os roteiristas sabem o que estão dizendo e não são ingênuos.

Como (graças a Deus) nem tudo é politicagem (que de fato é chato demais, enfadonho quando acontece), no nono episódio acontece um crossover com The Flash, Barry Allen visita Oliver Queen antes de se tornar The Flash e descobre sua identidade como Arqueiro.

Ainda neste episódio, já revelado um dos principais vilões da temporada, como eu já esperava (por experiência política) Sebastian Blood é um terrorista.

Nesta temporada desaparece o bordão “você falhou com esta cidade” e a relevância da cidade é somada à importância das famílias, tal objetivo passa do coletivismo marxista, dos interesses de classes, para uma preocupação ética mais voltada ao patriotismo.

No décimo primeiro episódio uma questão psicológica é bem desenvolvida: como o desgaste e o desânimo podem conduzir às drogas e ao alcoolismo, também aborda calúnia e difamação.

No décimo terceiro, um beijo gay acontece e a heroína Canário (Sara Lance) revela-se bissexual, a emissora The CW defende a bandeira LGBT embora rejeite algumas outras causas da esquerda e não poupe críticas como ao feminismo, mas é neutra em outras como ambientalismo e desarmamento. No espectro político a emissora está mais para agenda globalista do que para o comunismo ortodoxo.

O décimo quinto trata de como mentiras e segredos acabam com relacionamentos de qualquer natureza.

No décimo sexto para surpresa dos fãs aparece o “Esquadrão suicida” em sua primeira formação – Pistoleiro, Tigre de Bronze e Estilhaço, uma referência à Arlequina aparece sem no entanto menciona-la diretamente.

No décimo oitavo, o vilão vereador Blood usa os símbolos comunistas em debate e faz forte discurso de luta de classes contra a elite.

No vigésimo, sua concorrente Moira Queen (mãe de Oliver) faz um discurso patriótico, conectando o conceito de família ao de nação, recuperando o patriotismo, a mulher apresenta-se como uma republicana.

No entanto, no mesmo episódio há apoio declarado ao Greenpeace, o ambientalismo político.

No vigésimo segundo o esquerdista Blood desperta de seu erro e se arrepende diante da realidade, mas continua com sede de poder, envolvido por uma loucura sem medida e é traído por seus próprios parceiros: típico da esquerda. Me lembrou Stalin mandando matar Trotsky.

Tecnicamente, fotografia e trilha sonora seguem o mesmo padrão da temporada anterior, edição como sempre a The CW é arte e direção orquestra razoavelmente bem a equipe.

Quanto ao elenco, Oliver Queen de Stephen Amell foi bonzinho demais, em sua profunda introspecção que mais parece buscar a santidade cristã o herói afastou-se muito da personalidade do HQ, não precisava ter exagerado. Quem ganhou destaque foram três coadjuvantes: Katie Cassidy como Laurel Lance e Emily Bett Rickards como Felicity Smoak melhoraram muito, deixaram-se envolver, mergulharam no papel de vez e Summer Glau como Isabel Rochev também foi impressionante, inclusive melhor que Manu Bennett como Slade Wilson e Exterminador, que foi bom mas poderia ter sido melhor.

O final é sensacional numa batalha quase épica reunindo todos os vilões, heróis e outros grandes personagens da temporada contra o Exterminador, que é o vilão principal, mas que só se apresenta tardiamente no arco da temporada.

Novamente a narrativa girou sobre Oliver revivendo suas memórias da ilha enquanto semelhante acontecia do lado de fora, em seu presente.

O roteiro foi levemente melhor, mas o apelo político nesse seriado é muito forte e acaba por estragar a estória de um personagem que tem tudo para se tornar um grande ícone do universo DC no cinema e inclusive merece um longa.

É notório que faltam dilemas mais profundos, essa temporada foi toda sobre se matar é certo ou errado, se há outro caminho ou a pena de morte é boa, mas não ofereceu uma reflexão, apenas perguntas e respostas prontas que não convenceram muito. Se em parte consertaram o problema da primeira temporada, amansando um selvagem em busca de redenção, por outro lado desperdiçaram um espaço precioso para desenvolver o herói.

Uma nota 7 é generosa, vou partir para a terceira temporada com esperança de melhoras.

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