O marxismo impõe uma visão materialista que descarta o aspecto metafísico e resume tudo à ciência de laboratório, elidindo todas dimensões diferentes e possíveis de qualquer objeto analisado: se não é científico, para o marxista não tem valor.

Sociólogos fazem a festa, biólogos concorrem a cargos de semi-deuses, historiadores brotam como capim em terreno baldio: filósofos de verdade são esquecidos, e o mundo ruma a um abismo feliz como um viciado em heroína no último pico antes da overdose.

Quais foram efetivamente os resultados de tamanha materialização das visões do mundo em detrimento da espiritualidade?

Vamos explorar isso no âmbito dos relacionamentos.

Após matarem o romantismo, o que sobrou é uma geração parecida com o resultado de “Idiocracia – o mundo governado por idiotas“.

Isso também é reflexo da perda da dimensão temporal de família, de sua substituição por uma definição meramente biológica.

A família foi resumida a um conjunto de pessoas capazes de reproduzir e gerar herança, materialmente falando, o mundo esqueceu-se do significado de família, esvaziou o sentido de legado, e assassinou a honra.

Quando um homem e uma mulher se encontram, muita coisa pode acontecer, inclusive nada. Pode acontecer desde um desinteresse mútuo à uma necessidade vital da presença permanente de um para o outro, passando por uma paixão avassaladora e temporária. Indiferença, coleguismo, amizade, namoro, paixão, tesão, e amor verdadeiro: todas estas coisas podem acontecer, as vezes uma acontece, as vezes outra, mas uma delas sempre acontecerá.

Quando um homem e uma mulher criam identidade um no outro e descobrem que o lugar do outro é na sua vida e que há reciprocidade nisso, o chamado – e não incomum – “amor correspondido“, ao ponto de não conseguirem mais lembrar-se de como eram antes? Ao ponto de não serem mais alguém sem o outro? E este elemento do desejo do outro, constando em ambos espíritos? Qual o resultado óbvio? Acertou quem respondeu: casamento.

Um casamento é isso que descrevi acima, é real, aconteceu no passado, acontece no presente e jamais deixará de acontecer, pois é de origem metafísica, funciona desta forma desde a fundação do mundo, pois antes da manifestação material nos seres humanos, a fórmula para que atingisse alguma forma já necessariamente existia.

Esse compromisso espontâneo como gás que encontra faísca, gera em ambos um desejo de companhia infindável, um prazer na companhia um do outro, uma participação em todas as grandes realizações, e por fim, quando nossa história for contada, fazemos questão de que o nome daquela pessoa tão importante para nós, esteja ali devidamente creditada, reconhecida com honestidade, e jamais desprezada: exigimos que a pessoa participe ativamente das nossas memórias, seja herói em nossas glórias passadas, seja a lágrima de nossas dores, a mão amiga que nos levantou e a voz da repreensão em nossos erros, seja por fim honrada. Este é o significado de honra: o reconhecimento com o respeito devido.

Os filhos são o resultado deste amor: e amor é palavra que representa a história do casal em questão, são a continuação desta história, nos filhos, vivem os pais já falecidos, vivem os avós que um dia foram pais de seus pais, vivem todos os ancestrais que só podem ser confessos por uma coisa: o sobrenome que deixaram.

A história da família, é a história do amor.

Percebam que a união de um homem e uma mulher, é dada pela identidade mútua de ambos, num interesse irresistível de um pelo outro cuja dimensão é total e não específica: eles querem-se juntos em todos os momentos importantes da vida. Disso decorre a máxima:

A melhor forma de estragar um relacionamento é resumir tudo a sexo.

A garota conseguiu um emprego novo e quer comemorar, o sujeito está pensando em sexo e não a ouve. O rapaz teve seu carro roubado e está para baixo, mas a moça está com a cabeça no orgasmo. São elementos que vão fazendo um enjoar da cara do outro, e denotam que o relacionamento foi apenas um tesão passageiro que não pode atender a necessidade do fluxo constante da vida.

Este fenômeno acontece quando alguém pensa que um casal é uma definição biológica apenas e desconsidera a metafísica, assume que a atração sexual é o elemento mandatário e portanto abandonam o amor. Fracasso após fracasso culpam os cônjuges e seguem separando-se e casando, pulando de galho em galho como macacos numa selva de swing. O tempo passa, a velhice chega como o sol que se põe impiedoso, e sua vida resume-se à uma aventura sexual, seu significado não ultrapassa o efêmero vento passageiro que se vai e não é mais, que nada realizou senão um momento de frescor no rosto de um desconhecido, e sem o qual a vida seria ainda a mesma coisa.

Sem o sentido metafísico e histórico, família é reduzida à uma relação sexual e um contrato jurídico, e é esta visão torpe, miserável e insustentável, que o materialismo marxista oferece: desconsiderando que as pessoas tem alma, que toda existência é material, também os sentimentos são ignorados e as motivações reais excluídas do debate. É uma visão digna de pena.

Voltando agora aos dias atuais.

Estudando um pouco o universo dos fetiches sexuais, praticamente tudo se resume à uma única palavra:

Autoridade.

A busca de tão elevado número de mulheres por esse tipo de fantasia é sintomático da perda gradual de masculinidade dos homens: para boa parte das mulheres, isso já se mostra um problema grave, não atendendo suas necessidades cotidianas, veem-se obrigadas a recorrerem à uma vida sexual separada e inconfessável.

Se um marido politicamente correto é apresentável à toda sociedade, por outro lado um amante másculo e relativamente canalha, deixa boa parte delas de pernas bambas.

O homem moderno perdeu a firmeza que encanta o sexo feminino: a Escola de Frankfurt destruiu boa parte do prazer da vida a dois, tirou o homem do seu papel e fez com que a mulher se sentisse incompleta.

Disso decorre o sucesso de obras fracas, literalmente desconexas e sem a menor chance de sucesso no mundo real, como “50 tons de cinza“, que sequer consegue manter uma sequência narrativa aceitável.

Se Marcuse, Adorno, Horkheimer, e os demais comunistas frankfurtianos estavam ávidos por uma sociedade onde o “sexo livre” (leia-se promiscuidade) não fosse um “tabu” (que obviamente não passava de um mero pretexto para destruição da família), por outro lado não só não conseguiram (pois é impossível, sendo o amor fenômeno natural e metafísico, inerente à própria existência, não pode ser destruído por discursos), como fizeram com que parte da humanidade levasse um prejuízo imenso: quem os ouviu e levou a sério, desperdiçou sua vida, não lhe deu significado, tornou-se velho num mundo onde só se ajusta a juventude, e como já dito antes: foi-se e já não é, passou, caiu no abismo de trevas do esquecimento, do qual é impossível sair, uma vez que ninguém sente sua falta, também não te pode resgatar deste lugar.

Restaurar por outro lado o romantismo, é resgatar também a sanidade no mundo.

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