A temporada anterior foi fraca, e a estória de Oliver Queen contada ano a ano na ilha, revivida de forma indireta em seus dias atuais, também estava no final: a cada ano do seriado, um ano da ilha foi contado, sobrou apenas um ano e este foi o último a ser lembrado.

A cada ano, uma fase do herói. Passando por Capuz, Arqueiro, Arqueiro Verde, encontrando o significado de “verde” como esperança simbolizada pela cor, e esta temporada, tratou praticamente dos ajustes finais nos conflitos mentais do personagem.

Logo de cara Oliver afirma que “os fins justificam os meios“, atenta para a parte corrupta da polícia, um problema que ele tem que se deparar como prefeito (o que é normal, todos os prefeitos cedo ou tarde acabam se deparando com este problema), mas no início, logo no primeiro episódio, aparecem bandidos preocupados com os pobres (luta de classes marxista mesmo), e isto, na realidade jamais acontece.

Esta afirmação de Oliver, sobre os fins justificarem os meios, é a grande temática da temporada, e é muito mal explorada.

A temporada é repleta de símbolos comunistas, e a Russia é retratada como um país normal e comum, e o comunismo apenas como “outro sistema“, como se fosse uma opção viável.

A imagem acima é do primeiro episódio.

Como Arqueiro, Oliver tenta formar um novo time, mas encontra dificuldades de relacionamento. O tema é confiança e novamente o objetivo da temporada se perde (na temporada anterior foi essa uma grande mancada de roteiro).

No quinto episódio, um vereador capitalista é o malvadão da estória, e em sua passagem pela Russia, Oliver conhece o “Bratva” (máfia russa, real e com esse nome mesmo) com conceitos comunistas de justiça, um discurso de “o crime para ajudar a sociedade“. O tema de forma geral é como a confiança forma um grupo, chamado poeticamente de família, uma extensão que jamais se confirma, pois traições são constantes e os membros estão ali mesmo por dinheiro.

No oitavo episódio, um crossover com The Flash, Supergirl, e Legends of Tomorrow, continuando o que começou na terceira temporada do Flash.

No episódio nove, o vilão faz alusão ao discurso de Trump para justificar o crescimento de sua empresa farmacêutica, mas os meios para o crescimento envolvem infectar toda cidade com uma arma química que provoca tuberculose. Ele causa a doença e vende a cura em seguida. É mais um ativismo porco da esquerda no cinema.

Episódio 10º: os militares são corruptos e maus, neste episódio também se apresenta um personagem muito esperado: Talia Al Ghul, no universo DC é uma namorada do Batman.

No décimo terceiro episódio acontece um pretenso debate sobre o armamento civil, se o correto é armar-se ou desarmar-se, a conclusão é um apoio ao controle de armas pelo estado e uma conversão dos contrários à esta posição. O episódio é uma campanha pró-desarmamento, mais ativismo da esquerda na cabeça dos adolescentes despreparados para as pautas políticas.

No décimo quarto, finalmente um tema um pouco diferente: responsabilidade e assumir os erros de outras pessoas, este tema é bem desenvolvido.

No décimo sexto episódio Felicity une-se à uma organização hacker, com elogios às finalidades da ONU e críticas à sua pouca atuação (mais esquerdismo impossível), a garota que a convida expõe seu objetivo “mudar o mundo“, o discurso é socialista sem dúvidas.

No décimo oitavo, “Prometheus“, que é o grande vilão da temporada, induz Oliver a confessar que é um assassino e que mata por prazer, o tema é a auto-reflexão e a auto-avaliação, este é finalmente um bom tema.

O vilão destrói Oliver, despedaça sua alma e o faz cair em um fosso espiritual do qual praticamente não há saída, e como se não bastasse permeado de uma confusão mental impressionante.

Josh Segarra é seguramente o melhor ator da temporada, é coadjuvante, mas dá um banho em todo elenco, é um ator de verdade que mergulha no personagem de corpo e alma.

O herói é posto à prova e descobre que o combustível de seu ânimo é o amor: Oliver e Felicity finalmente produzem um casal digno, inclusive o melhor das 5 temporadas. O tema é restauração da alma, é um grande tema e é bem desenvolvido novamente.

Greg Berlanti e Andrew Kreisberg pesaram muito a mão no ativismo político, foi uma temporada fraca, mas com momentos intensos, a questão central requer um tempo para ser absorvida e não fica clara logo de cara, soa como um enigma: é o ajuste espiritual de Oliver.

As lutas ganharam um tom mais real, lutas fracas e muito fantasiosas, foi o grande pecado da quarta temporada.

A fotografia apresentou suaves melhoras, as tomadas de câmera foram mais livres e proporcionaram melhor imersão do expectador, sobretudo nos últimos episódios. A música permaneceu a mesma e já passou muito da hora de alguma inovação. A edição da The CW é sempre fantástica, nunca assisti nada deles que nesse aspecto técnico não fosse digno de elogios. O elenco foi mediano, com destaque para o já elogiado Josh Segarra, que mereceu mesmo. O roteiro foi o grande problema, pesou muito a mão em ativismo político, manteve o arco confuso, pecou gravemente contra o cinema, contra o público e contra os investidores do seriado. A direção foi boa, mas prejudicada pelo roteiro.

Como mensagem principal, Oliver assume conforme mencionei no começo que “os fins justificam os meios“, a máxima de Maquiavel é explorada e um dos pecados cometidos na primeira temporada causa todo reboliço inenarrável desta temporada, a validade desta temporada é a análise temporal, que vai de passado, presente e futuro, e prova que, se por um lado os fins podem justificar os meios, por outro, tudo produz ecos, e que determinados erros (pecados dos quais nos servimos como meios para atingir um fim) podem nos custar caro demais, e ainda que isto é imprevisível e incalculável. É sem dúvidas um grande tema, mas que foi mal explorado.

Eu prossigo aguardando que os roteiristas tirem a mão do ativismo político e passem a lidar com questões reais que afetam o cotidiano das pessoas, que o herói seja formado por mais que pífias e pretensiosas lições de coletivismo e politicamente correto.

Dado que as memórias de Oliver esgotaram-se nesta temporada, a narrativa tende a mudar radicalmente na próxima.

É aguardar para ver.

Anúncios