Game of Thrones é um seriado da HBO. Foi anunciado pela emissora em 2008, mas a primeira temporada foi ao ar em 2011, com um público alto: 2,22 milhões de expectadores aguardavam e assistiram.

A narrativa baseia-se na série de livros “A Song of Ice and Fire“, de George R. R. Martin. É filmada em 9 países: Canadá, Croácia, Islândia, Malta, Marrocos, Espanha, Irlanda do Norte, Escócia e Estados Unidos.

Nesta primeira temporada, a estória é introdutória mas com ritmo frenético, os personagens são apresentados logo de cara, mas ao longo da trama é que se descobre como são suas almas, você passa a amar alguns e odiar outros, não há estereótipos ou cascos vazios, todos possuem uma alma, uma história, uma personalidade marcante (até os coadjuvantes).

Para quem está acostumado com os seriados da The CW, CBS e AMC com uma lista de episódios que varia de 16 a 23 por temporada, a HBO surpreende: apenas 10 episódios por temporada, emocionalmente intensos, com duração de média metragem, mas um pouco mais extensos, geralmente 42 minutos cada.

A música é mediana, mas entra na cabeça e quando você menos espera está cantarolando mentalmente. A fotografia é excelente e é um trabalho complexo, pois as filmagens são feitas em 9 países diferentes num curto espaço de tempo e mesmo assim a qualidade não é prejudicada. A edição é muito competente, pois as transições de cenários dão continuidade à uma narrativa complexa, o que exige que um determinado áudio comunique-se com as imagens de outros cenários, totalmente diferentes.

O elenco é um dos pontos mais fortes do seriado, todos os personagens (todos mesmo) são interpretados com uma intensidade impressionante. É uma tarefa árdua dizer qual o personagem mais marcante, mas posso afirmar sem receio que Sean Bean como o honrado líder e sábio pai Eddard Stark, Mark Addy como o cansado, experiente e descolado rei Robert Baratheon, Nikolaj Coster-Waldau como o vaidoso, egocêntrico e pretensioso Jaime Lannister, Lena Headey como a maquiavélica e ardilosa Cersei Lannister, Emilia Clarke como a ingênua, frágil e inocente Daenerys Targaryen, Kit Harington como o determinado e aguerrido Jon Snow, Maisie Williams como a obstinada e forte garotinha Arya Stark, Jack Gleeson como o mimado, astuto, covarde e odioso jovem Joffrey Baratheon, Peter Dinklage como impetuoso, audacioso, desbocado e sagaz, anão Tyrion Lannister, e Jason Momoa como o forte, feroz e destemido Khal Drogo. Novamente: até os figurantes são excelentes, não vi um único mau ator, mas estes acima fazem a estória ter um sabor todo especial, vão te enfurecer e comover de verdade.

O roteiro gira em torno de dois eixos: uma guerra entre homens pelo “Trono de Ferro” e uma guerra contra criaturas sobrenaturais (os “vagantes brancos“, uma espécie de zumbis que só morrem de uma maneira específica) que se aproxima do lado de fora das muralhas, além de um problema climático, no qual invernos são muito mais frios que se pode imaginar e as estações são muito mais longas, durando por anos.

Enquanto a guerra contra as criaturas sobrenaturais se aproxima do lado de fora, do lado de dentro homens e mulheres matam-se a sangue frio, se prostituem e se traem, dão maus conselhos e até assassinam crianças, fazem tudo pelos motivos mais mesquinhos que se pode imaginar. Há homens bons e maus. Quando bons muito bons, e quando maus piores ainda.

Em termos de análise simbólica, a leitura das mensagens que embasam a temática desta primeira temporada, expressam um combate ao relativismo moral. Vou enumerar alguns pontos que são auge do arco:

  1. Um dos personagens principais (é difícil estabelecer um principal, pois a narrativa possui diversos eixos sobre os quais se articula) é tentado a assumir um crime que não cometeu, acaba por ceder sob a promessa de que seus entes seriam poupados, ele cede, perde sua honra assumindo uma culpa que não possui, é traído e acaba morto em seguida, além do que seu assassino não honra sua promessa com seus entes.
  2. Uma das protagonistas afronta os guerreiros de uma tribo para salvar uma bruxa, ela é avisada mas ignora, a mesma bruxa, como forma de retribuição assassina seus dois entes mais queridos, e em seguida comemora o feito.
  3. Um protagonista insiste com a família que vá para sua terra natal para sua própria segurança, mas seduzidas por seus os desejos imediatos, ignoram o conselho e acabam reféns dos falsos amigos que confiavam.

Existem outros pontos, mas estes são os mais expressivos.

Os showrunners David Benioff e D. B. Weiss fizeram da primeira temporada uma obra de arte, você sente raiva, alegria, tristeza, tesão, e chega a querer passar pela tela e pegar alguns personagens pelo pescoço, de vis filhos da puta que são (se você está assustado com meu linguajar aqui, então Game of Thrones não é para você, acredite).

Por fim, a direção é digna de Oscar, orquestrar toda essa complexidade e riqueza de talentos, não é uma tarefa para iniciantes. Aliás, premiação é o que não faltou para o seriado. Começando pelo público que iniciou em 2,22 milhões e terminou a temporada em 3,04 milhões de expectadores. A série ganhou 38 Emmys, marca que nenhum outro seriado alcançou.

Conclusão: para o público adulto, o seriado é cru e violento, é real. Crianças por outro lado, é bom manter longe, suas jovens cabecinhas não estão prontas para a mentalidade de um adulto.

Uma nota 10 para essa temporada é mais que merecida.

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