A primeira temporada de Supergirl foi ao ar pela CBS em janeiro de 2015. Com 20 episódios buscou narrar como a jovem Kara Danvers resolveu sair do anonimato para tornar-se a heroína de National City. A prima do Superman passou por algumas experiências, testou seus limites, seus princípios e valores. Caiu e levantou, aprendeu na prática a diferença entre ter poderes e ter heroísmo.

Melissa Benoist interpreta Kara Zor-El, que chega do planeta Kripton, é adotada pela família Danvers e recebe o nome Kara Danvers.

Em dúvida se deve ou não usar seus poderes, Kara descobre que sua irmã está em um vôo cujo avião está com problemas. O avião está prestes a cair e Kara precisa tomar uma decisão. É assim que ela usa seus poderes pela primeira vez após muitos anos e muito desacostumada. Surge a Supergirl.

A emissora pesou demais a mão no ativismo político. Por essa razão, resolvi pontuar neste texto onde e como aconteceu o marxismo cultural.

O marxismo cultural funciona de duas formas: substituindo significados e fazendo propaganda política. Esta temporada deste seriado está repleta disso.

No primeiro episódio, a chefe maligna de Kara faz um discurso feminista de que a mulher tem que se esforçar o dobro de um homem para ser reconhecida, este discurso é integrado à uma “lição de humildade” na qual a protagonista precisa reconhecer que está começando sua carreira e tem muito que aprender ainda.

No segundo, Kara quer sair do papel de coadjuvante do primo, mas precisa encontrar-se. É sobre identidade e sobre acreditar em si.

A personagem prossegue superando dificuldades e se superando ao passo que se conhece.

Entre discursos feministas, pró Democratas, pró Hillary e anti Trump, no episódio 7 surge uma novidade: defesa dos imigrantes ilegais.

No oitavo os assuntos são outras pautas da esquerda: os e-mails vazados da Hillary e o ativismo ambientalista. No caso do vazamento dos e-mails o hacker e a atitude são condenadas como uma atitude completamente anti-ética contra uma pessoa justa. O alvo dos e-mails hackeado é uma pessoa pró Hillary. No ambientalismo os vilões são justificados, pois teriam “boas intenções” de salvar o planeta Kripton ao violarem as leis, é o velho discurso do bandido com uma missão. É a máxima de Maquiavel, que os fins justificam os meios. Os inimigos conspiradores da mulher que tem seus e-mails hackeados, são chamados de “homens brancos privilegiados“. O vilão dos e-mails, é chamado de “homem branco privilegiado“, e o ator que o interpreta é muito parecido com Donald Trump.

Algo comum neste seriado é que os vilões são anti Hillary e anti democratas, não raro são republicanos, e que os militares e capitalistas da Wall Street são corruptos.

No episódio 10º um herói é chamado de misógino por dizer que confia no Superman antes de dizer que confia na Supergirl. O discurso feminista reaparece com força afirmando que “homens, bebê e companhia” são inferiores à carreira profissional.

Dado o desprezo com que Superman e os demais homens são tratados, o seriado deveria se chamar “Supergirl – o ressentimento de capa“.

No 11º episódio, uma senadora chamada de extremista faz um discurso anti-alienígenas no qual cita a construção de um domo, é uma alusão ao Trump. O vilão do episódio é um marciano branco. Os marcianos brancos, por sua vez haviam criado em seu planeta campos de concentração semelhantes aos campos comunistas e nazistas. Uma feminista que dedicou-se somente à sua carreira profissional, depara-se com o filho que não viu crescer e descobre que perdeu partes importantes da própria vida.

O discurso dos alienígenas que querem salvar o meio-ambiente é “colocar a humanidade de joelhos“, semelhante ao discurso de Hitler, Stalin e demais esquerdistas.

No 14º episódio o tema é a pena de morte e a ética da justiça. Neste, também é explorado o tema do ciúme com a chegada de uma concorrente de trabalho que toma o lugar de Kara.

O 15º episódio me surpreendeu de forma estranha: a feminista fala indiretamente sobre a destruição do conceito de família com casamentos gays e sobre os transsexuais republicanos. Como não poderia deixar de ser, o vilão é um alienígena fanático que chama todos de pecadores, como referência aos cristãos.

No seguinte o assunto é novamente a defesa dos refugiados.

O episódio 18º é finalmente um delicioso presente para os fãs DC Comics: um crossover com The Flash.

supergirl e the flash

No 19º episódio uma coincidência (e desta vez foi coincidência mesmo): Non, é um vilão cujo nome, para o público brasileiro curiosamente remete à Nova Ordem Mundial, “NOM”. Ele tem uma arma diferente, uma tecnologia que hipnotiza as pessoas para que pensem exatamente como um deles (o que me lembra o livro Maquiavel Pedagogo e a doutrinação marxista). Ele e seu grupo são vilões e suas causas são ambientalistas. Nisto reside uma coincidência ainda maior: embora a NOM não seja compatível pois o seriado é americano e a sigla em inglês é NWO para New World Order, por outro lado a pauta ambientalista está presente e atuante em sua agenda. Ressalto que desta vez é pura coincidência.

Na ocasião, o presidente é uma mulher, nítida referência à Hillary e a atitude feminista. Contraditoriamente, o discurso da heroína, após tanto feminismo anti sociedade patriarcal e cristã, torna-se “honrar os pais“.

Kara resolve abrir mão do amor que sente afirmando que é impossível conciliá-lo com sua carreira. Neste caso embora o discurso seja fortemente feminista, a situação exige, pois ela corre risco de vida e mais tarde a situação resolve-se de outra forma.

O Superman é tratado como um irrelevante e fraco, que promete ajudar mas não faz nada.

Para finalizar, os inimigos permanecem os militares, os capitalistas e os cristãos, todos brancos.

A chefe de Kara torna-se sua inspiradora e amiga, é a heroína da própria Supergirl. Acontece que a mulher é em tempo integral expressa como eleitora dos Democratas e referência à Hillary Clinton.

Os showrunners Greg Berlanti e Andrew Kreisberg não conseguiram sucesso em uma estória que tinha tudo para dar certo. O público inicial foi de 12 milhões de expectadores, e o final foi de 6 milhões: metade da audiência abandonou a série logo após os primeiros episódios. O motivo? A quantidade de mensagens filosófico-políticas que tiraram a graça da narrativa.

O roteiro foi fraco, muito concentrado em propaganda democrata e pouco no desenvolvimento  de uma personagem importante do universo DC. O arco praticamente não possui um auge. Muitos elementos importantes da alma da personagem foram deixados para o segundo plano, como sua vida sentimental e seus princípios e valores. Personagens secundários foram valorizados demais em detrimento da protagonista.

Falando exclusivamente da curva dramática, a personagem teve poucas experiências relevantes, ficou devendo mesmo.

A fotografia foi muito boa, tecnicamente não há pecados. A música é boa, mas novamente pura técnica, embora bastante triunfalista nos momentos certos. A edição é quase tão boa quanto a da The CW, que nunca erra, mas saiu prejudicada pelo roteiro.

Quanto ao elenco, Melissa Benoist como Kara e Supergirl foi boa, acho que é a atriz certa para o papel. Mehcad Brooks é fantástico como o prático e talentoso James Olsen. David Harewood é o melhor ator da temporada como J’onn J’onzz e Caçador de Marte. Calista Flockhart como a terrível Cat Grant, chefe de Kara, embora interprete um papel péssimo, demonstrou ser uma grande atriz e na minha opinião é a segunda melhor atriz do elenco. Peter Facinelli como Maxwell Lord, o empresário cara de pau e sedutor que balança a mulherada também é um destaque. Italia Ricci como a insuportável Siobhan Smythe ( Banshee Prateada ) também é digna de reconhecimento.

Por fim, a direção foi boa, mas vítima de um péssimo roteiro.

A segunda temporada foi para a The CW, que não é feminista. Embora esta outra emissora defenda pautas da esquerda, o feminismo não é uma delas, e portanto acredito que será muito melhor que a primeira.

Uma nota 5,5 é muito generosa.

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