Dia 16 de setembro deste 2017 tive o prazer de conversar com a professora de arte Lucilia Simões Coutinho. O tema do nosso bate papo foi a arte da pintura, que ela leciona há mais de 15 anos para o ensino médio e técnico.

Lucilia é formada em Artes Plásticas e Letras com especialização em História da Arte.

Iniciamos o papo com uma questão pessoal, sua a escolha pelas artes. A professora contou que é sua paixão desde cedo e sua trajetória até se tornar uma das melhores professoras da atualidade. Entre pinturas e desenhos, por volta dos 11 anos acabou matriculada em um curso livre no colégio Santa Marcelina, onde começou a aprender a arte com técnica. Sua professora na altura era uma freira que lecionava nesse colégio. A professora freira do Santa Marcelina insistiu para que Lucilia pedisse ao pai para comprar o material de pintura, e com isso lhe ensinaria essa arte. Assim foi: o destino da garotinha foi traçado naquele momento.

Anos mais tarde foi cursar Artes Plásticas na FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado) e novamente se encontrou, amou o curso e seguiu para História da Arte. Conforme narrou sua trajetória, nos afirmou: o que sente pela arte é amor. A professora procurou demonstrar que a arte sempre nos surpreende, principalmente ao examinarmos o passado.

A agradável conversa seguiu para a questão do ensino da arte como disciplina. Hoje há um distanciamento do conceito de arte e exploramos essa linha.

Ela nos contou sobre como acontece a busca, de como é abordada pelos alunos que por vezes não sabem o que esperar dos cursos. Também abordou a qualidade das artes e dos professores no ensino, tanto público quanto particular. Lucilia foi enfática sobre a predileção ideológica contida nos livros do MEC que em nada auxiliam o ensino e os prejuízos que esta ideologia causa.

A professora afirmou que nada contra a correnteza e citou como inspiração o livro do professor Olavo de Carvalho chamado “O futuro do pensamento brasileiro“.

Pedi que falasse sobre a história da arte da pintura e ganhamos uma inesquecível aula sobre o assunto. A professora começou do surgimento da pintura após a escultura. Ela foi fundo mesmo, abordou desde a idade da pedra até os dias atuais.

Passando pelas pinturas nas cavernas (20.000 a.C.), a arte rupestre, geometrista, mediterrânea, egípcia, mesopotâmica, suméria, grega, vascular, parietal, romana, cristã, bizantina, gótica, celta, barroca, renascentista, entre outras, e chegou até os dias atuais.

Giotto di Bondone

Explicou a influência de Giotto di Bondone como pai da pintura ocidental. O surgimento do termo “gótico” no renascimento como referência aos bárbaros que destruíram Roma e seu desenvolvimento, que nada tem a ver com essa turma que anda vestida toda de preto.

Jan van Eyck

A criação da tinta a óleo por Jan van Eyck, que produziu obras classificadas entre as mais belas da história da humanidade. Baseando-se neste pintor, nos ensinou um pouco sobre como analisar uma obra.

Entre as explicações, respondeu perguntas de expectadores. Falou sobre as diferenças entre diversos períodos e os principais autores da pintura.

Falamos sobre o caso da exposição do Santander. Neste tema a professora traçou um paralelo entre a pintura após a Revolução Francesa, no final do romantismo, meados do século XIX que a arte passou a ser feita para “chocar“. Relatou que um grande “chocador” foi Manet que até reclamou com Charles Baudelaire porque este não escrevia sobre ele. Baulelaire escreveu, disse que sua arte era pesada e grosseira, mas era boa (no que a professora concorda). A carta, está no livro Écrits sur l’art. O século XX foi profícuo em “chocadores“.

Em seguida comparou com a perda deste efeito na atualidade. Segundo ela, isto de fato já não choca, apensa causa desprezo, dada a quantidade de lixo que nos é entregue sob o título de arte: a diferença entre arte e panfleto. Ela deixou claro que quando a arte se torna panfleto, deixa de ser arte. Para fechar a discussão ainda enfatizou que a arte nazista é igual à arte comunista.

Abordamos o distanciamento do Brasil em relação à arte da pintura. Lucilia falou que os artistas brasileiros da “Semana da arte moderna” (ou “Semana de 22“, um evento que ocorreu em São Paulo, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, indicando que os artistas modernistas haviam rompido com as tradições anteriores) ainda eram influenciados por cânones europeus e que nós fazemos parte desta cultura, dada nossa inegável herança cultural européia. Em seguida citou o advento do pop, com Andy Warhol, como fenômenos que jamais aconteceram no Brasil. Colocou o país como um gerador de ecos de outras culturas.

Nosso último assunto foram as técnicas para quem quer começar a pintar. Neste ponto a professora recomendou a pintura a óleo e buscar imitar os grandes pintores como Rafael e Modigliani, entre outras orientações. Após a grande aula e as dicas para os iniciantes, deu conselhos para o público propenso à arte: lutem por seus princípios e produzam beleza, pois há muito espaço a ser preenchido.

Lucilia Simões Coutinho não é apenas uma professora apaixonada pela arte, é uma inspiradora. É uma das figuras de grande valor para o nosso país que trabalha pela e para a arte. É impossível ouvi-la e continuar a mesma pessoa em seguida.

Para concluir fica aqui meu desafio: ouvir suas palavras e não sentir vontade de comprar um quadro e aprender a pintar imediatamente.

Confira o bate papo com a professora de arte Lucilia Coutinho:

Anúncios