A segunda temporada de Game Of Thrones foi ao ar em 2012.

David Benioff e D. B. Weiss continuaram como showrunners e mostraram-se muito competentes. O público inicial foi de 3.86 milhões e terminou com 4.20 milhões de expectadores.

A temporada anterior terminou com uma tragédia terrível, a injusta morte de Ned Stark, a ascensão do mimado e covarde Joffrey Baratheon que assegurou o Trono de Ferro para a pecaminosa Casa Lannister e Khal Drogo que mostrou-se um homem justo e morreu por ferimentos de luta.

Isso, entre muitos outros acontecimentos, apenas serviu para desenhar o cenário à continuidade nesta temporada.

O roteiro foi novamente fantástico. Quanto aos personagens chave, revelaram-se segredos que são componentes de suas personalidades. Em relação à trama, o arco continua sendo construído. George R. R. Martin é cru, sem pudor e faz Tarantino parecer um inocente. O autor inseriu absolutamente todos os pecados judaico-cristãos num ambiente mitológico, numa sociedade em moldes aristocráticos que assemelha-se muito à época medieval, mas cuja cultura é pré-socrática. Em termos reais seria impossível, mas em elementos psicológicos é o que há de mais real e vivo.

Esta temporada restaura raciocínios e responde questões como: “de que maneira institui-se um rei?“, “quais as obrigações de um rei?“, “por que motivo ter um rei?“. Para quem estuda história, principalmente o período medieval e a aristocracia, muitas questões filosóficas e elementos psicológicos que a história apenas não pode responder, são respondidas com maestria.

Martin foi mais longe, abordou o fenômeno do poder por diversas perspectivas diferentes e até inusitadas. As mulheres com o sexo. Os homens com a força. Todos com inteligência. Ainda, desdobramentos do poder e seu exercício piedoso ou impiedoso são muito bem examinados.

Estou convencido que Game of Thrones é um seriado histórico-filosófico da melhor qualidade.

A morte de Baratheon e a execução de Stark tiveram consequências, uma corrida pelo Trono de Ferro com uma guerra de proporções continentais dentro das muralhas. Enquanto isso, do lado de fora delas, outra ameaça muito pior se apresenta: os “vagantes brancos“, zumbis cuja fonte de vida é uma incompreendida magia.

O cenário é digno de Shakespeare, semelhante à obra Coriolano, só que mais complexa. Até aqui, o seriado é de suma utilidade à quem pretende entender um pouco de política: as aves (corvos) fazem o papel de comunicação entre os reinos, o que acontece dentro dos castelos e casas reais é segredo, o que a população fica sabendo é o que é permitido numa espécie de publicidade real que acontece nos pronunciamentos dos reis. A manipulação da mídia como intermediária entre o poder e o povo existe, mas não é infalível. A exposição ilimitada dos pecados da corte e do próprio povo dão um tapa na cara do politicamente correto sem pena e merecido. Nesta temporada inclusive o reino dos veados (não sei se por acaso) é regido por um homossexual traiçoeiro. As mulheres não disputam “espaço na sociedade“, mas poder puro e simples. Não há “luta de classes“, mas sim realidade. O que Game of Thrones fez até aqui foi restabelecer padrões de sanidade numa sociedade (a nossa) doente e fraca.

Quanto ao elenco, o grande destaque desta temporada foi o anão Tyrion Lannister. Termina-se a primeira temporada odiando o imoral anão, no final da segunda queremos matar por ele. Como ator, Peter Dinklage que o interpretou superou-se mais uma vez. Todos os demais atores foram mais uma vez sensacionais, sem qualquer demérito em momento algum para nenhum. Foram todos excelentes.

A fotografia permaneceu com a mesma alta qualidade. A música também não perdeu em nada. A edição foi novamente um ponto alto e digna de elogios.

Por fim, a direção foi novamente uma obra de arte.

Uma nota 10 é injusta: só pelo roteiro já merecia mais.

Ansioso, começo em breve a 3ª temporada.

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