Gotham é um seriado da FOX. O episódio piloto foi ao ar em setembro de 2014 com um público muito alto: 8.21 milhões de expectadores assistiram.

A chamada da série me lembrou Smallville, da The WB: é sobre como a criança Bruce Wayne se tornou o herói Batman, da mesma forma que a outra, que conta desde que a nave com o bebê Kal-El aterrizou na Terra, foi encontrada pela família Kent, que adotou a criança e a criou com o nome de Clark Kent, educando-o com rigidez até se tornar o Superman. Batman é um herói ícone da DC Comics tão ou mais importante que o próprio enviado de Kripton.

O roteiro é veloz. O foco é no laço de James Gordon com Bruce e contém dicas sedutoras do mundo do morcego que dão uma ideia do que há por vir. Gordon é um ex-fuzileiro que vai parar em Gotham City. O jovem policial torna-se peça central da investigação do assassinato de Thomas e Martha, dos pais do garoto Wayne. Durante o trabalho, ele é forçado a lidar com o jogo sujo de uma cidade caótica. O crime e a polícia confundem-se entre ameaças de morte, extorsões, chantagens familiares e demais. O famoso gangster Carmine Falcone dá as ordens no pedaço e as famílias do crime vão apresentando seus personagens.

O clima é intenso e tenso. A narrativa beira o noir.

A fotografia é como eu esperava mesmo, sombria e melancólica, com cenas solares angustiantes. A música é o clássico, sem apelos pop e sem tentativas de agradar. A edição é técnica mas talentosa.

O elenco é fantástico. Os destaques são 4: Ben McKenzie como James Gordon rouba a cena o tempo todo, o sujeito sabe atuar como poucos. Sean Pertwee como Alfred Pennyworth tornou-se surpreendente, um paternal autoritário e amoroso. Robin Lord Taylor como Oswald Cobblepot (Pinguim) interpreta um personagem difícil, um covarde psicótico em curso de ascensão. Camren Bicondova como Selina Kyle (Mulher Gato) é uma incrível doce ladra juvenil.

A direção, por fim foi muito boa: orquestrou um time de talentos técnicos e artísticos que gerou um resultado surpreendente. Gotham não soa como besteirol, é um drama, é a estória de um ícone cultural que conquistou o planeta: o implacável homem morcego. A missão de deixar claro que a narrativa será o intervalo entre a infância e a fase adulta de Bruce, foi transmitida com sucesso.

O showrunner Bruno Heller me deixou inclusive mais atento aos seus demais trabalhos: neste piloto, o talento dele surpreendeu.

Uma nota 10 é justa.

Este é o próximo seriado que vou devorar.

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