Passado algum tempo já me dedicando ao exame minucioso do marxismo cultural em diversos níveis no cinema coletei dados suficientes para esta afirmação: militar em enredo estraga qualquer obra.

O marxismo cultural estraga qualquer literatura que se planeje encenar. O roteirista vê-se obrigado a redirecionar o arco narrativo e alterar a curva dramática do personagem. Toda história contada possui um eixo sobre o qual articulam-se situações que contém personagens. Funciona como montar um argumento, contém proposições que se ligam através de um nexo e geram uma conclusão.

O autor da obra geralmente está preocupado em iniciar, desenvolver e concluir a narrativa, para que dela extraia-se alguma mensagem central. É a famosa “moral da história“. As Fábulas de Esopo já continham isso em 600 a.C, e suas curtas estorinhas serviam para educar crianças. Nessas mensagens internas (moral da história), continham as lições para assimilação por comparação com a realidade, a criança as ouvia e em seguida era capaz de contextualizar com suas situações cotidianas.

Quando um roteirista pega a obra de um autor e precisa transforma-la em script para filmagem, e decide dar aquela incrementada com marxismo cultural, inserindo pautas como casamento homossexual, desarmamento, feminismo, e demais, a narrativa sofre prejuízos inevitáveis.

Primeiro porque um personagem que toma determinadas atitudes e vai em direção a um resultado, com seus atos expressa princípios e valores. Se o amor une as pessoas, o ódio as separa. A sociedade ocidental foi construída culturalmente sobre os pilares da justiça romana, da filosofia grega e da religião judaico-cristã. O cristianismo como base moral, prega o amor. O marxismo por outro lado, enquanto proposta revolucionária, ou seja, mudança de sociedade, baseia-se em luta de classes. Luta de classes é ódio. É uma classe lutando contra outra classe, motivadas por dinheiro, bens ou poder. É ressentimento puro, um desejo de vingança contra a realidade que se canaliza contra o semelhante.

Em outras palavras, judaico-cristianismo é amor ao próximo, enquanto marxismo é ódio de classes, é ódio entre pessoas de classes diferentes.

O que um personagem precisa para ser amado? Criar identidade com o público. E o que precisa para criar identidade? Estar de acordo àqueles princípios e valores que toda a sociedade entende. Por exemplo: um personagem corajoso, honesto, modesto, caridoso e amoroso, será herói em algum momento. Em algum momento ele terá um dilema, terá que fazer escolhas, geralmente com sacrifícios pessoais caros. Nesse momento manifestarão-se seus valores e neste exato instante será amado do povo.

E se estes valores forem marxistas? Ele lutará por uma classe, por um grupo, por interesses abstratos como economia, que não alcançam o coração do indivíduo, apenas sua superfície. E tal luta será ainda baseada em ódio (isso quando a afirmação não for nonsense, absurda).

E segundo porque o arco narrativo depende de uma sequência de início, meio e fim, na qual, em determinado momento o protagonista terá pela frente um dilema, uma escolha geralmente dolorosa para fazer, com alto custo, na qual serão expressos seus valores. Após esta escolha ele de alguma forma amadurece e este amadurecimento é chamado de curva dramática. Quando a mensagem central da obra é misturada com outra de ordem política, os princípios e valores do personagem conflituam com os da obra original, sua curva dramática torna-se confusa, por vezes até incompreensível, e o arco narrativo pode perder seu sentido. O público fica confuso se a obra está ali para tentar re-educá-lo com posicionamentos ideológicos, ou se ela trata-se da história de alguém que fez algo importante por algum motivo forte.

Suponha a estória do Superman. Ele veio de Kripton como seu último habitante para ajudar a humanidade. Aqui ele evita vulcões, terremotos, prende criminosos intergalácticos de alta periculosidade, defende o planeta contra ameças de destruição total e coisas do gênero, em outras palavras, ele realiza tarefas que a humanidade não poderia realizar e esta é sua essência. Agora imagine o Superman vindo de Kripton para defender o casamento LGBT. Esta uma pauta que a humanidade poderia resolver entre si e que não faria o menor sentido alguém sair de um planeta distante para vir aqui debater. A capacidade de debate está no próprio homem: a narrativa torna-se absurda, agride a inteligência do expectador, causa estranheza e como consequência é abandonada.

A arte cênica, inevitavelmente deriva da literatura e portanto sofre as consequências exponencialmente.

Isso é científico: a CBS iniciou Supergirl com 12 milhões de expectadores. A primeira temporada do seriado foi feminismo puro, defesa da imigração e propaganda dos Democratas em tempo integral. O resultado foi um personagem pífio. No final da temporada a audiência caiu para 6 milhões, metade do público abandonou a série.

Na segunda temporada foi vendida para a The CW, que parou com o feminismo e partiu para o gayzismo, desarmamento e imigração ilegal. O resultado foi outra queda violenta de audiência: começou com 3.6 milhões de expectadores e terminou com 2.12, mas passou por 1.75. Ou seja, novamente metade do público inicial se foi.

O que explica essa debandada de público?

É simples: eles queriam ver nas telas a estória que leram nos gibis da DC Comics. Eles encontraram algo diferente. O amor pelo próximo que configura um herói, não combina com o ódio de classes marxista, não combina com as acusações de racismo, sexismo, misoginia e demais que são a base do discurso da esquerda. Os princípios e valores são opostos aos de um herói. O homem que deseja dividir para conquistar é vil, ele ama a si e ao poder que pode adquirir, mais que ao semelhante. Isso nem sempre é claro e discernível ao expectador, mas é sensível, ele sente que algo está errado, que algo ali não combina e se vai. É o momento no qual a estranheza se apresenta na alma da audiência e ela perde o interesse, é o momento onde a identidade deixa de existir e a atenção à obra perde o sentido. Oras, “para que consumir aquele conteúdo que nada me diz mais?!“, pensa e se distancia.

Com elementos de militância marxista inseridos no personagem, não só ele se torna confuso, como o argumento da própria estória se perde. Teria o Superman viajado tanto para defender o planeta da destruição e também para casar os gays? A obra que o leitor amou no gibi, foi essa?! Lógico que não. O público sente-se traído e agredido, e com razão.

Outro exemplo foi Supernatural. Começou na The WB com 5 temporadas programadas e fechadas, nas mãos de Eric Kripke, a estória tinha como tema central a importância da família. Na segunda temporada a The CW comprou a série e a continuou. O seriado se tornou um dos mais assistidos do mundo. Na sexta temporada no entanto, com a saída de Kripke e a chegada de Sera Gamble, o seriado foi pura propaganda comunista, o público decaiu de líder de audiência para a margem de 1.55 milhão de expectadores no final da sétima temporada. Gamble foi embora, Jeremy Carver entrou em seu lugar, tirou a mão do marxismo e a série voltou a crescer em público, hoje está na 13ª temporada e tem previsão de terminar na 14ª.

O caso de Game of Thrones é o mais importante: começou com 2.22 milhões e só cresceu. No final da segunda temporada havia redobrado a audiência.

Game of Thrones é cru, praticamente shakesperiano, ao passo que Supergirl tinha tudo para dar certo, com todo universo DC estendido a aguardando.

Se isso não prova que o marxismo cultural estraga uma narrativa, então nada mais prova. No mínimo prova que o elemento psicológico não cria identidade com a audiência.

É praticamente publicidade reversa: dizer o que o público não gosta, é afrontar o público agressivamente.

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