A segunda temporada de Supergirl foi ao ar em outubro de 2016. Desta vez pela The CW, a CBS lhe passou o seriado.

A prima do Superman salvou National City do controle mental dos kriptonianos ambientalistas na temporada anterior.

A primeira temporada foi tão pesada em militância política pró-democratas e marxismo cultural que só não roubou a essência da personagem porque o HQ está lá preservado para contar a estória dela. Foi feminismo, imigração e Hillary Clinton para todo lado. Ao ponto de ficar sem graça.

A CBS é uma emissora pró feminismo, a The CW não, mas é pró outras causas, como casamento LGBT, imigração islâmica, refugiados sírios, desarmamento civil e tão anti-Trump e anti-republicanos quanto a anterior.

Logo no 1º episódio, Bush é citado por Cat Grant como uma péssima referência. Para quem está assistindo dublado, a mudança das vozes é grotesca ficou muito mal feito. Eu assisti parte dublado e parte legendado.

O Superman já era uma aparição esperada. Uma pena que o ator e o herói ficaram muito ruins. O Super apresentado não é aquele herói ícone do HQ, é um coadjuvante que mais parece um estagiário.

supergirl superman

Kara escolhe a profissão de repórter e tem que aprender a conquistar seu lugar com mérito.

A vertente política é muito acentuada na série, o Projeto Cadmus se apresenta como o Anonymous. Cadmus está entre os vilões. Isto não é coincidência, é uma forma de associar o mal aos denunciantes de Hillary no caso dos e-mails. Qualquer um que seja pró-Trump ou anti-Hillary, para a emissora é do mal.

cadmus anonymous

O feminismo da CBS some mesmo, mas logo no 3º episódio pautas como racismo e defesa de refugiados reaparece. Neste a presidente é a Hillary (embora seu nome não seja mencionado), a Supergirl chega a dizer “como alguém pôde votar naquele outro cara?“, aludindo Donald Trump. No mesmo episódio, em um artigo que Kara escreve para a revista CatCo, usa as seguintes palavras: “(…) a direita xenofóbica americana (…)“, ela leva uma broca de seu editor que lhe diz para não dar sua opinião pessoal e apenas narrar os fatos, mas o marxismo está ali presente. A detetive Maggie Sawyer faz um discurso vitimista acusando os brancos e heterossexuais de preconceito. O discurso pró homossexualismo, pró imigração e pró refugiados, é constante. No final, a protagonista é obrigada a rever suas posições diante de um ataque terrorista alienígena.

Os temas do 4º e 5º episódios são a solidão e mérito no trabalho. A defesa do desarmamento civil é outro ponto. O Projeto Cadmus coloca-se como contra o desarmamento civil, mas arma os terroristas e filma ataques para apavorar a população, em seguida aparece como faz o Anonymous, como se alertasse de um perigo real. A série acusa a direita de provocar o caos para vender a solução; na prática, quem faz isso é a esquerda, conforme já explicado pelo ex-KGB, Yuri Bezmenov.

O tema no 6º episódio é o aquecimento global e assumir homossexualidade. O vilão é um cientista fanático por ambientalismo.

No 9º episódio os temas são a coragem, o medo e a perseverança. A escravidão é tema e ambiente, compondo o cenário. A obediência aos pais é enaltecida.

O 10º é sobre a essência de um herói, os argumentos são bastante desconexos e as atuações não colaboram, aqui roteiro e elenco estragam. A vilã faz um discurso feminista leve e irrelevante.

No 11º o vilão tem um discurso nazista de raça pura. Claro, “Marcianos Brancos“, com discurso nazista de raça pura. O simbolismo aqui é que os brancos são nazistas, ou no mínimo racistas. O tema principal é o perdão e a capacidade de mudar.

No 12º e 13º, há militância LGBT novamente, é praticamente só isso. O relacionamento de Kara e seu novo namorado Mon-El é engraçado, a emissora conseguiu criar um casal realmente bom.

Confiar em alguém que não se conhece é o assunto do 14º episódio .

No 15º, refugiados e a responsabilidade da mídia são tema, há forte alusão às “fakenews” como acidentes de jornalistas impulsivos e ainda afirma que uma notícia errada pode colocar um “fascista na presidência“. É também sobre tomar a decisão certa mesmo contrariando hierarquias superiores para fazer a coisa certa.

Para variar, no 16º, os vilões repetem o discurso de Trump “make América great again“, são uma elite e há discurso violento de luta de classes. Como se não bastasse, há defesa dos refugiados e justificativas para os crimes cometidos por ilegais com base em seus passados.

O 19º sobre como a criação pode conduzir ao crime e os métodos dos heróis comparados aos da polícia, o uso adequado de inteligência e força, e mais ativismo LGBT.

No 20º, Rhea. a vilã da temporada, fala de Deus fazendo parecer que é cristã. No 21º ela faz outro discurso igual ao de Trump. A presidente que alude a Hillary confronta a invasora que alude a Trump. Cat retorna com discurso feminista. A presidente é confirmada como uma membro dos Democratas e há mais apoio aos refugiados.

Finalmente, no 22º, Superman cai na armadilha da vilã, ou seja, não só não ajuda como atrapalha, Caçador de Marte é também tratado como fraco e Guardião como bobo. Ela derrota o primo em luta. O encerramento do seriado é um pedido de casamento gay e a vilã é chamada de alienígena fascista.

Tecnicamente as mudanças foram poucas. A trilha sonora permaneceu razoável e mediana. A fotografia ganhou planos mais amplos e movimentos de câmera com mais ação, é mais parecido com The Flash e Arrow da mesma emissora. A edição, é sempre um trabalho notável da The CW, inclusive há anos nisso são dignos de muitos elogios, os entrecortes de cenas e transições informativas são sempre o ponto mais alto dos aspectos técnicos da emissora.

Quanto ao elenco, alguns elogios e o resto foi decepção. Chris Wood fez um excelente trabalho como o irresponsável e descolado Mon-El. Melissa Benoist como Kara Danvers (Kara Zor-El e Supergirl) melhorou muito como atriz. Calista Flockhart como a insuportável Cat Grant novamente roubou a cena e fez escola, ela parecia estar ensinando jovens a atuar a cada aparição. Todo resto decepcionou, decaiu em qualidade. Das quedas de qualidade o destaque vai para David Harewood como J’onn J’onzz (Caçador de Marte), na temporada anterior ele foi um dos melhores, mas nesta foi fraco demais, parecia inclusive desinteressado de encenar.

Todos os atores que foram mal estão previamente perdoados (pelo menos por mim). Explico. O roteiro foi um lixo. O excesso de militância marxista conseguiu deformar o arco narrativo e a curva dramática dos personagens. A jornada do herói de Joseph Campbell não foi respeitada. A mensagem central da temporada foi completamente prejudicada e o que restou foram fragmentos.

Uma nota 4 é excessivamente generosa para o trabalho de Greg Berlanti e Andrew Kreisberg que já fizeram coisa muito melhor no passado. Ainda ressalto que os pontos positivos na nota são em reconhecimento ao trabalho da equipe técnica, pois, em termos de roteiro, simplesmente deturparam a questão central a ser trabalhada..

A temática deveria ser o bem maior, que é inclusive uma linha excelente para se desenvolver, com sacrifícios dolorosos e muita emoção. Isso por pouco não se perdeu: não fosse o talento de Melissa Benoist e Chris Wood, não haveria curva dramática.

É notório como já expliquei antes, em outro artigo, que o marxismo cultural estraga narrativas. O público inicial foi de 3.06 milhões de expectadores, o final de 2.12, e este número passou por uma baixa de 1.75 milhões. Isso porque, o seriado começou com 12 milhões de pessoas assistindo. É uma curva de abandono muito acentuada, e os empresários relacionados à produção deveriam prestar mais atenção a isto.

Vou assistir a próxima temporada por obrigação de crítico, mas interesse no seriado eu praticamente perdi.

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