A HBO lançou a terceira temporada de Game of Thrones em março de 2013.

A temporada anterior terminou com uma batalha em Porto Real. Tyrion foi o pivô decisivo da batalha. Após vencer a guerra para os Lannister, salvar as famílias e o Trono de Ferro do ataque dos Baratheon, ele é ferido. Joffrey permanece no cargo. Daenerys Targaryen, a mãe dos dragões continua em rota de ascensão. O norte sai desgastado. Enquanto isso, do outro lado da muralha, os vagantes brancos prosseguem aumentando em número e ganhando vultos de uma ameaça sem igual.

Nesta temporada, os reinos precisaram se reorganizar, e os personagens chave foram eixo de guinadas, de reviravoltas impressionantes.

De forma geral, o sul e o norte precisam se reestruturar. Desgastados pela guerra, com cofres vazios e cidadãos descontentes, atravessam uma crise política e econômica. Os reinos começam a tomar consciência do movimento de Daenerys no oriente. E do lado de fora da muralha um problema muito maior toma corpo, os vagantes brancos estão a caminho.

O norte busca vingança mas em sua reorganização a família Stark sofre prejuízos irreparáveis. Robb Stark viola o acordo com Walder Frey e a cobrança é elevada a um preço altíssimo. A casa Frey se alia com um inimigo poderoso.

Joffrey tem seus piores traços acentuados, o mimado rei é insuportável. Catelyn tenta barganhar com os Lannister e lhes envia alguém. Novas informações sobre o passado de Jaime oferecem uma nova perspectiva sobre o personagem. Sansa tem seu destino modificado drasticamente. Arya encontra amizade de alguém muito improvável. Jon Snow tem que se adaptar às diversas situações impostas para sobreviver, e vê-se em dilemas terríveis. Bran Stark descobre capacidades inesperadas e segue sua jornada. Theon Greyjoy encontra um destino horrível.

O roteiro dessa temporada foi uma grata surpresa. Entre as diversas mensagens transmitidas, logo no segundo episódio há forte discurso contra o aborto feito por Catelyn, embora em outro contexto, ela aborda o tema com profundidade. De forma geral lida-se com o desgaste da guerra, materialmente para o estado e o ânimo dos cidadãos. Redenção é um tema comum nessa temporada: 3 personagens a encontram imprevisivelmente. Também o livre arbítrio e chantagem são colocados em contra-polaridade. Há uma forte defesa do casamento por amor e uma fortíssima representação da beleza de um relacionamento verdadeiro através do manto e dos votos matrimoniais (todas as cerimônias são belas). O preço de uma palavra de honra quebrada é também um momento marcante.

A fotografia permaneceu com a boa qualidade técnica. A trilha sonora ganhou novos tons, apresentados no encerramento dos episódios que ajudaram a narrativa. A edição manteve a qualidade, foi perfeita.

O elenco é o melhor de todos os seriados que já acompanhei. É difícil inclusive dar destaque para um ou outro. Nesta temporada quem era ruim ficou pior, quem era bom passou por provações terríveis, quem pecou pagou e quem não se esperava mudou radicalmente. Peter Dinklage como o anão Tyrion Lannister é sem dúvidas um dos mais impressionantes atores. Nikolaj Coster-Waldau como o arrogante e presunçoso Jaime Lannister surpreendeu muito com uma forte curva dramática. Rose Leslie como a intensa e divertida Ygritte, foi a melhor namorada que Jon Snow poderia desejar. Alfie Allen como o patético Theon Greyjoy pagou caro, muito caro e a todos fez sentir sua dor. Jack Gleeson como o mimado, perverso e psicótico Joffrey Baratheon entregou um personagem digno de Oscar. Repito: não há atores ruins, todo elenco é digno.

Por fim, a direção orquestrou uma equipe de talentos técnicos e artísticos e resultou numa obra de arte.

Os showrunners David Benioff e D. B. Weiss foram mais uma vez fantásticos.

Uma nota 10 é injusta, a temporada merecia mais.

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