Cinquenta Tons Mais Escuros foi aos cinemas em fevereiro de 2017. O filme é baseado no livro homônimo da mesma autora, a britânica Erika Leonard James. É também a continuação do Cinquenta Tons de Cinza.

A continuação da estória de Anastasia Stelle e Christian Grey desde a cena do elevador, desde a dolorosa despedida de ambos com o rompimento no anterior. Christian quer uma segunda chance, mas para isso terá que mudar. Acontece que mudar não é fácil, não requer apenas disposição. Em seu caso, mudar significa cura. Ele precisa de ajuda, mais do que imagina. Superar esses obstáculos requer um sentimento mais forte do que desejo sexual, requer amor. Inconsciente o casal de protagonistas segue esta trilha.

Tecnicamente a sequência é muito superior ao anterior. A fotografia é muito mais informativa e suave, o esquema de cores tem muito de tons florais e singelos e as tomadas de câmera ganharam mais movimentos e menos cortes. A trilha sonora de Danny Elfman foi novamente o ponto forte da película, o maestro sabe encontrar o pico emocional para inserir a música no momento certo e conversar com os sentimentos do expectador. A edição foi digna de elogios, desta vez os cortes foram substituídos por transições suaves, mais adequadas à linha romântica.

O roteiro é mais veloz e deixa menos a desejar, lida mais com os estados de espírito dos personagens e menos com as propostas sexuais: neste longa os personagens são mais convincentes graças ao trabalho do roteirista. Também não faltam informações que são transmitidas pontualmente.

O elenco evoluiu um pouco, mas permaneceu ruim. Jaime Dornan está ainda longe de ser um milionário e menos ainda de ser um dominador, está mais para um integrante de Friends (seriado) do que para Christian Grey. Dakota Johnson prosseguiu samambaiamente apática, com a personalidade tão forte quanto a de uma ricota. A garota mergulhou no personagem Anastasia Stelle, com a profundidade de uma criança em uma piscina regã. O único digno de elogios aqui, cuja atuação foi magistral, chama-se Eric Johnson que atuou como o escroto assediador Jack Hyde, o ator conseguiu despertar raiva e nojo de toda audiência, foi um vilão espetacular, convincente como poucos.

A mudança de direção de Sam Taylor-Johnson para James Foley foi uma escolha acertada, o quadro de profissionais foi muito melhor orquestrado e o resultado foi, como já mencionei antes, muito superior.

É bom deixar claro, antes de uma leitura simbólica de quais mensagens o filme transmite, que em momento algum foi esta a intenção da autora. A trilogia Cinquenta Tons foi um desastre fortuito, um fenômeno acidental. Erika Leonard criou uma fanfic de Crepúsculo com linha adulta, sexual, e que caiu no agrado dos fãs, mas em termos de conteúdo argumentativo filosófico consciente, é vazia. Ou seja, a autora só queria fazer uma estória adulta com o casal Edward Cullen e Isabella Swan, no mundo real e não na fantasia de vampiros. Acabou que deu certo.

Há sim um conteúdo filosófico, uma argumentação na linha da narrativa, mas é acidental.

Tais mensagens começam a tomar corpo com mais solidez nesta película. Se na primeira o foco foi a personagem de Stelle, na segunda foi Christian. O eixo argumentativo é que com amor e seus derivados, como a paciência, a coragem e a perseverança, é possível curar traumas do passado e mudar alguém. Grey tem uma curva dramática acentuada neste longa e o ápice emocional, a virada do personagem está no momento em que o segredo do seu passado vem à tona com uma confissão da mulher que o prejudicou. Anastasia toma a atitude que desencadeia todo processo ao jogar um copo de bebida no rosto da vilã, deste ponto em diante, com a verdade crua à vista de todos, o personagem de seu amado está livre: é um novo homem. Todo enredo prepara-se para este ponto.

Esta mensagem inconsciente foi transmitida com sucesso, e por ser inconsciente é apenas um pseudo-mérito.

O público sentiu a decepção do primeiro filme e a bilheteria caiu consideravelmente nesta sequência. O investimento do primeiro foi de US$ 40 milhões e rendeu uma bilheria de US$ 571 milhões. Dessa vez, a produção arrecadou US$ 55 milhões e fez de receita US$ 378 milhões, ou seja, aumentou o investimento e diminuiu quase pela metade o retorno. Da audiência inicial, pouco mais da metade retornou aos cinemas para assistir a continuação. O longa recebeu apenas 2 indicações a prêmios e uma delas novamente pela música de Danny Elfman, mas dessa vez não ganhou nenhuma.

Uma nota 6,0 para o filme, é justa.

Trailer de Cinquenta Tons Mais Escuros

Ficha técnica de Cinquenta Tons Mais Escuros

Filme / Ano Fifty Shades Darker (Cinquenta Tons Mais Escuros) / 2017
Produção Dana Brunetti, Michael De Luca, E. L. James, Marcus Viscidi
Direção James Foley
Roteiro Niall Leonard

Baseado em Fifty Shades Darker (Cinquenta Tons Mais Escuros) de E. L. James

Fotografia John Schwartzman
Música Danny Elfman
Edição Richard Francis-Bruce
Elenco Dakota Johnson, Jamie Dornan, Kim Basinger, Luke Grimes, Eloise Mumford, Max Martini, Tyler Hoechlin, Rowan Blanchard
Orçamento / Receita US$ 55 milhões / US$ 378 milhões
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