16 Blocks ( 16 Quadras ) é um filme norte-americano de 2006.

O decadente detetive Jack Mosley, desmotivado e bêbado, é destacado para uma missão que parece simples, fácil e rápida. Ele precisa transportar um prisioneiro para um tribunal, onde testemunhará contra alguns crimes. O prisioneiro é Edward Bunker, um rapaz que adora falar, simpático e divertido, que sonha em abrir uma padaria. Bunker está pronto para falar tudo e recomeçar sua vida. Acontece que, os criminosos não são neste caso bandidos comuns, são policiais corruptos, violentos e assassinos. Entre eles Frank Nugent, o ex-parceiro de longa data de Mosley. Os criminosos não tornarão fácil a vida da dupla, que entre dúvidas cruéis e um caminho tortuoso trilha seu caminho por 16 quadras até o tribunal com hora marcada. O tiroteio come solto entre dramas pessoais e decisões difíceis.

A trilha sonora é quase indetectável, harmonizou com o roteiro e talento do elenco de forma incrível, fundiu-se causando a sensação de unidade, o que é raro. A fotografia serviu-se de um esquema de cores vespertino doloroso-angustiante e cansado, que atingiu o nível artístico ao dialogar com a virada de página na vida dos personagens. Esta mudança é o eixo central da narrativa, é também o ápice da curva dramática do protagonista. Em termos técnicos, os ângulos escolhidos foram suaves e os cortes bruscos, fantásticos nas cenas de ação. A edição por sua vez foi milagrosa, o bullet-time foi usado corretamente e sem abusos, foi dramático e envolvente.

O roteiro é veloz e marcado por pequenos saltos informativos surpreendentes que dependem da experiência em campo de Mosley, o protagonista. A cada nova decisão, o expectador mergulha numa nova e intensa cena. É a inteligência a serviço do bem e contra um mundo que desmorona ao seu redor. Graças à qualidade do roteiro, quem assiste consegue sentir-se na pele do detetive com perguntas como “o que eu faria agora? qual a saída?“, e precisamente neste momento a vivência de Jack faz toda diferença: ele faz o inesperado como um paternal professor subestimado.

O elenco é sem igual. Na minha opinião um dos grandes papéis de Bruce Willis no cinema. O cansado e bêbado Jack Mosley em plena decadência é uma surpresa constante. Mos Def vive o divertido e frágil, inclusive ingênuo Eddie Bunker. David Morse é o outro lado da moeda, o nêmesis perfeito de Willis, seu corrupto e ardiloso Frank Nugent é uma tensão permanente e indissolúvel. Não há deméritos no elenco.

A direção de Richard Donner nesta película faz toda diferença: o objetivo foi atingido. A estória sobre redenção que alude inclusive indiretamente à passagem bíblica “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32), ficou nítida, clara e útil como uma lição de Esopo. O filme é fabuloso por ser didático e útil além de emocionante.

A narrativa trabalha poucas mensagens, mas estas ela transmite magistralmente. O primeiro tema é a redenção e é o centro de tudo. Jack ficou preso numa mentira que acabou com sua alma e somatizou em seu comportamento por 6 anos, e apenas em um evento de confissão, puro e verdadeiro, do fundo de seu coração, o detetive pode finalmente ver-se livre. Eu só havia visto algo semelhante mas com outro formato, mais mito-poético e menos retórico, em O Senhor dos Anéis – Duas Torres, na cena em que Gandalf expulsa Saruman de Théoden. O personagem de Mos Def, o Eddie, por sua vez tem uma curva menos acentuada, ele não é exatamente alguém sofrendo mudanças, mas alguém com fé no futuro. Frank por outro lado é alguém que sente-se superior à verdade e acima da realidade, é alguém que ama sobretudo a si mesmo, é o mal em essência. É uma obra sobre como a mentira te escraviza a alma ao elidir o livre-arbítrio, enquanto o personagem tiver que sustentá-la, jamais será livre e seu caminho será dor.

A produção foi cara, 55 milhões de dólares que rendeu altas bilheterias na primeira semana, o investimento retornou bem, somando US$ 65 milhões no final das contas. O longa recebeu 2 indicações para prêmios mas não venceu nenhuma.

Está para mim, entre as grandes obras já produzidas para o cinema: 10 é uma nota baixa para o filme.

Trailer de 16 Quadras

Ficha técnica de 16 Quadras

Filme / Ano 16 Blocks ( 16 Quadras ) / 2006
Produção Avi Lerner, Randall Emmett, John Thompson, Arnold Rifkin, Jim Van Wyck
Direção Richard Donner
Roteiro Richard Wenk
Fotografia Glen MacPherson
Música Klaus Badelt
Edição Steven Mirkovich
Elenco Bruce Willis, Mos Def, David Morse
Orçamento / Receita US$ 55 milhões / US$ 65 milhões
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