Once Upon a Time in the West ( Era Uma Vez no Oeste) foi aos cinemas em 1968. O filme conta a estória de um homem em busca de vingança.

Numa terra aparentemente sem lei, um homem anda com uma gaita, uma harmônica. Paciente e determinado, ele sabe o que quer e sabe que vai realizar. Um casamento traz à cidade uma mulher de beleza estonteante, Jill McBain, capaz de despertar os instintos dos homens, mas a ação de uma gangue frustra-a em sua tentativa de constituir família, e agora numa terra desconhecida e apenas com problemas para resolver, cercada por adversidades, ela precisa se adaptar. Jill está com sorte: um estranho está chegando e a vida dos criminosos não será fácil. Entre grupos de bandidos violentos e pessoas comuns que só querem trabalhar e ganhar sua vida, Harmônica busca seu objetivo.

A fotografia, para a época e os poucos recursos, foi uma obra de arte. A narrativa é violenta em tom predatório, o silêncio, a paciência e a sagacidade assassina de um tigre que não se apressa em destroçar sua presa, mas aguarda o momento preciso, marcam o tom do roteiro. Dessa forma, com cortes bruscos e closes rápidos, Tonino Delli Colli fez os tiroteios e bate-bocas tornarem-se muito mais reais. A música do maestro Ennio Morricone ganha novo sentido com a atuação de Charles Bronson e Claudia Cardinale, sobretudo com ela, pois os temas românticos caíram como luvas delicadas e com Bronson as trilhas dramáticas tornaram-se sanguíneas e pulsantes: impiedosas. A edição foi um trabalho muito superior aos primeiros de Leone, neste longa percebe-se com clareza o salto de qualidade, Nino Baragli, o editor, aproveitou a fotografia para cortes precisos que mantiveram o ritmo do roteiro.

O elenco é um dos mais marcantes do Western Spaghetti, como já mencionei, Charles Bronson como o obstinado “Harmônica” contracena com a belíssima Claudia Cardinale e sua destemida Jill McBain. Ainda Henry Fonda viveu o frio assassino Frank. Todos magistralmente. Até os figurantes foram bons.

O roteiro varia a velocidade como uma montanha russa, é veloz quando em ação e lento quando sentimental, mas não deixa faltar informações em momento algum.

A direção de Sergio Leone consistiu em orquestrar uma equipe muito reduzida e com recursos escassos, que resultou num clássico absoluto do cinema e patrimônio cultural americano.

Também é o primeiro da “Trilogia Once Upon a Time”, seguido por “Era uma vez a Revolução” e depois por “Era uma Vez na América”.

Das mensagens trabalhadas pelo filme, há uma grandeza que só pode ser compreendida no final: é a fundação de uma cidade. De como o sonho de um homem simples mas com boa vontade e visão, pode tornar-se algo grande, inusitado e um legado precioso. É nítido também que Leone estava ciente da realidade, seus personagens não trataram-se nesta película de idealizados ou idealizadores, mas de homens e mulheres, fortes e fracos, entre acertos e erros morais. Com destaque para o personagem de Claudia Cardinale, todos são humanos, passíveis de falhas, fazendo seu melhor quando conseguem e também seu pior quando precisam. Não há espaço para ingênuos. O filme é também sobre equilíbrio social, crime e justiça: tudo que os cidadãos querem é trabalhar, cuidar de suas famílias e educar seus filhos, o crime é um empecilho que atrapalha o desenvolvimento social.

Em termos de bilheteria, na época o filme fracassou. Um investimento de US$ 5 milhões num longa de 2 horas e 46 minutos que resultou numa bilheteria de US$ 21 milhões de dólares. Por outro lado, artisticamente o filme foi considerado uma obra-prima, um dos maiores filmes da história do cinema e registrado na Biblioteca do Congresso americano como obra a ser preservada.

É um filme excelente e digno de nota 10.

Trailer de Once Upon a Time in the West

Ficha técnica de Onde Upon a Time in The West

Filme / Ano Once Upon a Time in the West ( Era Uma Vez no Oeste) / 1968
Produção Bino Cicogna, Fulvio Morsella
Direção Sergio Leone
Roteiro Sergio Donati, Sergio Leone

Estória de Dario Argento, Bernardo Bertolucci, Sergio Leone

Fotografia Tonino Delli Colli
Música Ennio Morricone
Edição Nino Baragli
Elenco Claudia Cardinale, Henry Fonda, Jason Robards, Charles Bronson, Gabriele Ferzetti
Orçamento / Receita US$ 5 milhões / US$ 5,321,508 (EUA) e US$ 14.873.804 (França)
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