The X-Files (Arquivo X) é um seriado de Chris Carter, que foi ao ar em setembro do 1993 para marcar os anos 90.

O episódio piloto dita a tônica, do que esperar. A ficção científica alienígena entra em cena com força. O FBI guarda um arquivo de casos não solucionados e repletos de mistérios paranormais: O Arquivo X. O Agente especial Fox William Mulder, experiente e renomado, resolve re-abrir os casos. Ele estudou algo, descobriu algo e sente que está no caminho certo. O FBI resolve que deve freia-lo. A Agente especial Dana Katherine Scully, M.D. é uma cientista. Ela é destacada para trabalhar com Mulder e findar sua atividade. Mulder possui experiências pessoais que desafiam a ciência. A agente aceita a atividade, mas descobre que seu colega de trabalho, não é louco. Uma dialética entre ceticismo científico e fé se forma como tensão permanente. Eles descobrem algo, que não podem provar pela ciência. Neste cenário ainda o estado se esforça para manter segredos e impedir Mulder de prosseguir em seu trabalho. Das motivações do governo pouco se sabem, podem se tratar das mais legítimas às mais mesquinhas e de qualquer maneira são segredo.

A ficção se encontra com a teoria da conspiração e a narrativa ganha vida e força.

A fotografia é excelente para estudar as técnicas do cinema em evolução nos anos 90. Cortes bruscos e aproximações suaves marcam os momentos tensos de suspense e os violentos de luta e surpresa. Os esquemas de cores sugerem passado e o figurino uma passagem pelos ternos entre de pelo menos 50 anos. Não há sensualidade propriamente dita, mas há seriedade e comprometimento. A música é o clássico absoluto “The X-Files Theme” do Mark Snow, que entrou para a história da televisão e marcou a década, bem como tornou-se referência absoluta no gênero ficção-científica e o hino oficial dos ufólogos.

A edição é técnica, informativa, ajuda a manter o ritmo do roteiro, mas não chega a ser artística. O que chama a atenção são os efeitos especiais muito bem feitos, simples e sem apelos: críveis.

O elenco é convincente. David Duchovny vive o Agente especial Fox William Mulder, ávido por respostas, determinado e persistente, e Gillian Anderson a Agente especial Dana Katherine Scully, cética, inteligente e companheira. Ambos em busca das mesmas respostas.

O roteiro é veloz com picos de emoção e tensos suspenses, é intensidade em tempo integral.

O que o seriado promete é ação, suspense, mistério e romance, no cenário da ficção científica de alta qualidade. Logo no piloto, você já fica querendo mais.

Filosoficamente a série explora um importante intervalo entre fé e religião. Se a experiência pessoal sua, não puder ser compartilhada, ela deixa de ser verdade? Se a ciência não alcança explicar o fato, ele deixa de ser fato? Para estudantes de filosofia, que gostam de metafísica ou que odeiam, este é um prato cheio. Sobretudo para quem pretende, com certa pureza de espírito, cruzar diversas correntes filosóficas e seus métodos aceitos.

“Mulder e Scully surgiram diretamente do fundo da minha imaginação. Uma dicotomia. Eles representam as partes equivalentes ao meu desejo de acreditar em algo e a minha incapacidade de acreditar em tal coisa. Meu ceticismo e minha fé. E a criação desses personagens foi extremamente fácil para mim. Eu queria, assim como várias outras pessoas, passar pela experiência de testemunhar um fenômeno paranormal. Ao mesmo tempo em que eu não queria acreditar nisso, eu me questionava. Eu acho que esses personagens e essas vozes surgiram dessa dualidade.”

— Chris Carter falando sobre o processo de criação dos personagens Mulder e Scully.

A série foi premiada como melhor drama nos anos de 1994 a 1998 ininterruptamente. De 94 a 97 ganhou 3 Globos de Ouro na mesma categoria. O sucesso foi o suficiente para justificar dois filmes: Arquivo X: O Filme e Arquivo X: Eu Quero Acreditar.

Arquivo X possui semelhanças com outros seriados como Supernatural, mas estas vou mencionar no decorrer das temporadas.

Quanto ao piloto, a nota é 10.

Trailer de X-Files ( Arquivo X )

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