A terceira temporada se encerrou com uma série de processos em pleno andamento. Todos confluindo numa harmonia caótica impressionante. Os reinos sentiram administrativamente as mudanças bruscas de líderes, as consequências financeiras da guerra e o descontentamento do povo durante os processos. Muito do significado de “o que é reinar” foi explorado.

Nesta temporada, enquanto os reinados se reorganizam, no meio deste processo de transição, personagens chave cometeram ações inesperadas que comprometeram os objetivos dos líderes. Quem achou que estava seguro se deu mal. Quem achou que estava condenado encontrou saída. E quem permaneceu firme em seu propósito o encontrou.

Joffrey Baratheon encontrou seu destino. Cersei Lannister surpreendeu seu pai Tywin Lannister e seu irmão Jaime Lannister com revelações bombásticas. Theon Greyjoy encontrou um destino cruel nas mãos de Ramsay Snow cuja consequência foi muito acima de seus pecados. Sansa Stark saiu de uma situação ruim para entrar em outra igual ou pior. Arya Stark e Sandor Clegane (Perdigueiro) alcançaram um desfecho totalmente inesperado. Tyrion Lannister e Shae foram de casal perfeito à surpresa desagradável e sorrateira. Tywin Lannister pagou inesperadamente por seus erros e cegueira proposital. Daenerys Targaryen descobriu que reinar não é tão fácil quanto fazer discursos. Jon Snow e Ygritte experimentaram as dores do amor proibido. Stannis Baratheon encontrou em seu amigo Davos Seaworth um refúgio e lealdade que dificilmente se encontram. Bran Stark deu um importante passo em sua jornada. Petyr Baelish (Mindinho) tornou-se fundamental na mudança de rumos da estória e definiu o destino de Lysa Arryn cuja verdadeira personalidade eram o diametral oposto do que se conhecia até aqui. Jon Snow finalmente tornou-se um líder e demonstrou ter o coração de um guerreiro e de um rei.

A fotografia e trilha sonora mantiveram qualidade. A edição também permaneceu uma obra de arte e um show à parte. O roteiro doloroso, traiçoeiro, sexual e especialmente forte sem ser apelativo foi uma verdadeira melodia composta com requintes de realidade psicológica: maravilhoso é a única palavra correta para descrever.

Os destaques de elenco foram notavelmente para Iwan Rheon como o psicopata, sádico e cruel Ramsay Snow (Ramsay Bolton) contracenando com Alfie Allen como feminilizado Theon Greyjoy (Podre), esta dupla foi a mais intensa e sua trajetória no arco foi repleta de significados. No mais, todo o elenco foi como sempre sensacional. O ponto ruim do elenco foi para a substituição do ator de Daario Naharis, embora Michiel Huisman tenha se saído bem, o anterior era melhor.

A direção foi uma obra de mestre, pois a complexidade empreendida nesta série é monstruosa.

Esta foi uma temporada mais dedicada aos personagens individualmente do que as situações políticas e coletivas. As mensagens trabalhadas foram sutis como, “todos os processos tem um fim sempre” e “as pessoas geralmente são mais complexas do que aparentam“. Uma coisa é certa, este arco narrativo ensinou que você não pode confiar cegamente em ninguém e nem ser um total cético. A confiança é necessária para organizar uma sociedade e para a individualidade do ser humano, se por um lado não pode ser ausente, por outro não pode ser absoluta. Pessoas mudam, erram e guardam segredos. Há que se encontrar um caminho do meio. Ensinou também que devemos proteger o que amamos, tanto nossos corações quanto nossos bens mais preciosos e entes queridos. Sobretudo na situação dos Stark, trabalhou a ausência da família e no oposto, a casa Baratheon se sobressaiu por haver amor ao próximo entre dois grandes amigos.

Os showrunners David Benioff e D. B. Weiss mais uma vez provaram que fazer seriados é uma competência que ambos tem de sobra.

A quarta temporada começou com um público de 6,64 milhões de expectadores e encerrou com 7,09 milhões, a linha ascendente de público prova que a narrativa crua e sangrenta de George R. R. Martin cria identidade e desperta o interesse.

Se houvesse uma nota maior que 10, seria a nota justa. 10 é pouco, mas é a nota máxima.

Mergulho na próxima temporada em breve.

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