Star Wars é uma saga de George Lucas. Escrita e dirigida pelo autor tornou-se uma incrível série de livros e de filmes. A série organiza-se em um enealogia dividida em três trilogias. O primeiro a ser filmado foi Star Wars – Episode IV – A New Hope (Star Wars – Episódio IV – Uma Nova Esperança), em 1977 e é deste que tratarei aqui.

star wars - episode IV - a new hope - episódio IV - uma nova esperançaO livro que deu origem ao filme, Star Wars – Episode IV – A New Hope (Star Wars – Episódio IV – Uma Nova Esperança) foi escrito por George Lucas em parceria com Alan Dean Foster e foi lançado em 1976.

Sobre a obra literária de Star Wars: apenas a coleção canônica contém 15 livros, mas existem mais, além dos canônicos existe um universo expandido tão amplo de literatura que se tornou incontável: da última vez que eu contei haviam 226 livros publicados, mais 7 livros cancelados, e 65 de outros autores sobre Star Wars. Em outras palavras, a contagem tornou-se impossível neste universo, pois enquanto eu escrevo esta crítica de cinema, alguém está escrevendo um ou mais livros que serão lançados em pouco tempo (ninguém duvide). Os autores canônicos registrados são 5 (principalmente George Lucas), mas entre os demais contam-se 82.

A estória do Episódio IV é a do jovem camponês Luke Skywalker que acaba por embarcar em uma aventura contra o tirânico Império que a todos ameaça com a Estrela da Morte, uma arma potente o suficiente para destruir planetas inteiros. A Princesa Leia corre perigo e envia um pedido de socorro para Obi-Wan Kenobi um ex cavaleiro Jedi que sabe usar a “força“. O pedido é registrado no pequeno robô R2-D2. O robô é acompanhado pelo amigo também robô C-3PO e ambos vão parar em um planeta deserto chamado Tatooine. No deserto são encontrados pelos pequenos Jawas que os sequestram e vendem para a família de Luke. Encarregado de limpar os robôs, Skywalker acaba por descobrir a mensagem e fica indeciso se a entrega ou não. Enquanto isso, R2-D2 não tem qualquer dúvida sobre o que deve fazer e muito menos paciência, ele foge e parte em busca de Obi-Wan. Luke e C-3PO percebem seu sumiço e partem em sua busca pelo deserto, preocupados. R2 é encontrado por Luke e C-3PO que na intenção de ajuda-lo, acabam os 3 encrencados. Quem salva o dia é Obi-Wan que por acaso conhece Luke, entrega-lhe o sabre de luz que era de seu pai, convida-o para tornar-se um Jedi e colaborar em uma missão. Luke está em dúvida, dividido entre os afazeres e o desejo de seguir seu destino. Ao retornar para casa, encontram tudo queimado: a guarda do Império esteve lá, acabou com tudo e assassinou sua família. Deste momento em diante ele só tem uma escolha, que é seguir seu destino. Junto com R2-D2, C-3PO e Obi-Wan, ele embarca na aventura onde conhece Han Solo e Chewbacca. Com a equipe montada, agora eles precisam salvar a Princesa Leia da execução. Acontece que salva-la não é o fim, é apenas o começo: a Aliança Rebelde o aguarda e o Império possui planos de destruição muito maiores que se imagina.

A narrativa simbólica é muito semelhante à bíblica de Davi e Golias: um jovem pastor que precisa defender um povo sofrido contra um governo tirânico e um inimigo muito poderoso. A funda de Davi, é o sabre de luz de Luke e a “força” ensinada por Obi-Wan é a fé do pastor bíblico. A mensagem é óbvia, fantástica e sem dúvidas uma releitura da mito-poética judaico-cristã contextualizada para a ficção científica, ausente da dialética fé versus ciência de costume: é uma obra sobre a virtude da coragem.

Entre os muitos pontos incríveis estão a veracidade das amizades, geralmente organizadas em duplas: R2-D2 e C-3PO com suas brigas constantes são diversão garantida o tempo todo. A disputa de Luke e Han pela atenção de Leia é também verdadeira e cria identidade imediatamente com o expectador. A personalidade de Chewbacca e sua amizade com o grosseiro Han Solo, soa por vezes como um animal de estimação e outras como um amigo com muita intimidade. A paternalidade de Obi-Wan com Luke é um ponto forte. A arrogância de Darth Vader em contrapeso com a ingenuidade de Skywalker dão simetria à narrativa.

Tais observações já depõem sobre o talento do elenco. Harrison Ford como Han Solo, aventureiro com tendências mercenárias é impressionante. Mark Hamill com seu ingênuo e corajoso Luke Skywalker ganha o coração da audiência com sua virtude e disposição. Carrie Fisher com a aguerrida, charmosa e determinada Princesa Leia, fazem da personagem uma heroína incrível. Obi-Wan vivido por Alec Guinness é o mestre paternal perfeito, paciente e pacífico, mas guerreiro implacável no momento certo. Até os que não apareceram com seus rostos foram excelentes: R2-D2 foi interpretado por Kenny Baker, um anão de 112 cms com talento de gigante. C-3PO vivido por Anthony Daniels que é um ator de mímica inglês e foi simplesmente fantástico. Peter Mayhew deu vida ao peludo grandão, forte e sensível Chewbacca.

Qualquer elogio que se faça à trilha sonora do maestro John Williams é ainda injusto, pois o homem merece muito mais. Não se trata de um homem comum, mas de uma lenda, de um gênio da música e do cinema. Sua sensibilidade vai além do esperado e nos faz sentir tudo que transmite: neste caso a emoção principal está relacionada à grandeza. Com relação aos efeitos sonoros, ainda há um talento raro na comunicação, os diálogos incompreensíveis tornam-se todos compreensíveis, Chewbacca com seus grunhidos, R2-D2 com seus beep’s e os demais alienígenas com idiomas desconhecidos. O sabre de luz também “fala” com seus “swons” ao cortar o ar, há comunicação de perigo iminente ali: isso é sem dúvidas talento e trabalho de direção sonora.

A fotografia de Star Wars é um trabalho que para a época, representou uma evolução sem precedentes. Para além dos aspectos técnicos e da narrativa fotográfica, que comunicam através de aberturas e fechamentos de câmera, ângulos e movimento, aqui houve inovação: o cenário espacial pela primeira vez ganhou uma imagem tão realista que permitiu a imersão completa do expectador. Estamos falando de 1977, estamos falando de um período pós Western Spaghetti. Os Vingadores de hoje, nada seriam sem o trabalho de Gilbert Taylor em 77. É arte e inovação com dignidade: é registro histórico desde a essência.

O trabalho de edição lidou muitas vezes com transições de imagens que hoje podemos fazer com softwares de computador e aplicativos de celular com facilidade, mas para a época eram os melhores recursos disponíveis. Tais tipos de transição auxiliaram de sobremaneira no ritmo do roteiro.

O roteiro demora um pouco para começar, mas a construção dos personagens e do cenário é muito bem feita. Uma vez construídos e sólidos em aparência e conceito, a narrativa progride com velocidade e muita ação. Os picos emocionais dos heróis são os pontos chave da narrativa, todos possuem uma curva dramática perfeita: Luke Skywalker segue seu destino com paixão e torna-se quem sempre foi dentro de seu coração. Han Solo descobre que é mais que um mercenário tolo. Leia passa de princesa indefesa à guerreira. R2-D2 e C-3PO descobrem uma amizade inabalável. Obi-Wan passa de esquecido a guerreiro fundamental. Chewbacca de alienígena quase irracional a companheiro e guerreiro. O arco abarca todos maternalmente, é sim um verdadeiro coração de mãe que a filho algum despreza.

Por fim, a direção de George Lucas a esta orquestra de talentos épica entrou para a história. O filme cujo investimento foi de apenas 11 milhões de dólares retornou uma bilheteria de 775 milhões e iniciou o que hoje conhecemos como blockbuster. Foi o primeiro filme a render bonecos, xícaras e demais souvenires, na história do cinema. No Oscar de 1978 o filme recebeu 11 indicações, das quais ganhou 7, além de 4 indicações ao Globo de Ouro, e destas ganhou 1.

Em 1989 o filme entrou para a Biblioteca do Congresso Americano. O National Film Registry selecionou o filme como “culturalmente, historicamente, ou esteticamente importante“. Desde então, a obra não pertence apenas ao cinema, mas à história do povo norte-americano.

A verdade é que o cinema nunca mais foi o mesmo após Star Wars.

Nota 10 é justa: Star Wars está entre os melhores e mais bem gastos 121 minutos que alguém pode ter.

Trailer de Star Wars ( Guerra nas Estrelas ) – Episódio IV

Ficha técnica de Star Wars ( Guerra nas Estrelas ) – Episódio IV – Uma Nova Esperança

Filme / Ano Star Wars ( Guerra nas Estrelas ) – Episódio IV – Uma Nova Esperança / 1977
Produção Gary Kurtz
Direção George Lucas
Roteiro George Lucas
Fotografia Gilbert Taylor
Música John Williams
Edição Richard Chew, Paul Hirsch, Marcia Lucas
Elenco Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Alec Guinness, Kenny Baker, Anthony Daniels, Robert Clarke, Peter Cushing, David Prowse, Peter Mayhew
Orçamento / Receita US$ 11 milhões / US$ 775.398.007
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