Na temporada anterior de Game of Thrones os reinos terminavam de se reorganizar e uma nova guerra se formava. Personagens chave atravessaram processos dolorosos e adquiriram conhecimentos e habilidades novas.

Nesta temporada, com tudo organizado os reinos fizeram suas alianças e se enfrentaram em disputa pelo norte. No sul as situações definiram-se de forma mais dramática com os Lannisters e a religião dos pardais. Do outro lado do território, as confusões políticas que Daenerys, Tyrion e demais atravessavam, finalmente encontraram solução.

Arya Stark resolveu-se com a religião do “deus de muitas faces“. Sansa Stark e Theon Greyjoy finalmente encontraram juntos uma saída para a dolorosa situação que estavam. Ramsay Bolton e Jon Snow proporcionaram um encontro épico para o cinema. Sandor Clegane, o Perdigueiro surpreendeu a todos. Cersei Lannister viu a profecia da bruxa se cumprir. Jaime Lannister, com suas habilidades alcançou seu objetivo na conquista de um castelo, mas teve que lidar com sua fama de regicida. O destino de Ramsay Bolton agradou todos os fãs e o de Jon Snow mais ainda. Daenerys Targaryen e Tyrion Lannister provaram ser uma dupla formidável, ela que havia sido levada como cativa por uma tribo, retornou triunfante com mais uma surpresa, ele que colocado à prova em problemas políticos, saiu-se melhor que o esperado. Margaery Tyrell e seu irmão Loras Tyrell enfrentaram a experiência da guerra política dos Lannisters. Bran Stark recebeu uma nova e importante missão do “corvo de 3 olhos“. Hodor teve toda sua história explicada, do princípio ao fim.

Fotografia e edição permaneceram fantásticas. Trilha sonora apresentou suaves novidades, sobretudo nas batalhas. O roteiro foi veloz e até frenético, nenhuma informação faltou e combinado com as atuações do excelente elenco de Game of Thrones, tornou-se intenso e real, com destaque para os dois últimos episódios que fizeram a audiência roer unhas de ansiedade e raiva.

Os destaques de atuação do elenco, foram para Jonathan Pryce que interpretou o sério e obstinado Alto Pardal, para Iwan Rheon como o psicopata e assassino Ramsay Bolton, e Maisie Williams como Arya Stark que proporcionou cenas de ação tão reais que eu achei que a garota deveria estar nos X-Men.

As mensagens trabalhadas foram mais sobre o funcionamento da justiça no processo temporal, que cedo ou tarde ela vem, isto cristalizou-se no evento envolvendo Jon Snow e Ramsay Bolton e nas revelações finais com Eddard Stark assistidas por Bran Stark. É de certa forma um argumento filosófico que lida com cosmovisão e as dimensões históricas dos processos humanos: você fez, você paga cedo ou tarde como consequência dos seus próprios atos. Pode-se resumir dizendo que a corrupção tem seu preço e cobra caro, ou o famoso dito popular “o crime não compensa“.

A direção foi novamente uma orquestra de talentos fascinantes que entregaram uma obra digna e memorável que certamente entrará para história do cinema e da televisão.

game of thrones 6 temporada marxismo culturalInfelizmente nesta temporada houve novamente marxismo cultural, confuso ao estilo George R. R. Martin, mas houve. A estrutura política do seriado é dividida basicamente em três castas: nobreza, clero e plebe. A nobreza é na maior parte do tempo e na maior parte das famílias, imoral e até psicopata. O clero é fanático invariavelmente. A plebe é ingênua, alienada e fraca. A conversa entre Daenerys e a irmã de Theon foi feminismo puro. Colocar todas as religiões e líderes espirituais como fanáticos obsessivos e inimigos tanto da nobreza quanto da plebe é uma mentira muito desproporcional: inimigos da nobreza pelo norte moral, inimigos da plebe pela sujeição servil. Inclusive o tribunal dos pardais procurou imitar o espantalho criado pelos comunistas para retratar a Santa Inquisição. Ainda no tribunal, o julgamento de Loras por ser homossexual aludiu o cristianismo, acusando-o indiretamente. Também houveram lapsos mentais do autor, como por exemplo, a Casa Glover com uma bandeira com símbolo comunista do punho fechado, usado pela esquerda no mundo todo, acabou por apoiar Ramsay Bolton, cuja mentalidade é idêntica a de Joseph Stalin.

David Benioff e D. B. Weiss, showrunners da série provaram pela sexta vez ter muito talento. Mesmo com marxismo cultural, o seriado ainda continua bom, narrando a estória que se propôs e na preferência do público. Desde a quinta temporada, quando surgiu marxismo cultural com força pela primeira vez, a audiência sentiu e parou de crescer na curva que vinha ascendendo antes. Esta temporada não foi diferente, o público inicial foi de 7.94 milhões de expectadores e o final de 8.89 milhões, mas no sexto episódio houve uma baixa até 6.71 milhões. O primeiro episódio desta temporada foi com público menor que o da anterior e decaiu bastante, mas se recuperou e até se superou ao final, se não houvesse no entanto mensagens políticas de esquerda no meio do enredo, a curva ascendente teria permanecido e o publico atual estaria acima de 10 milhões com facilidade.

Uma nota 8,5 é suficiente.

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