O filme Star Wars – Episode VI – Return of the Jedi ( Star Wars – Episódio VI – O Retorno de Jedi ) foi aos cinemas em 1983, com 3 anos de espaço do anterior. O Episódio 6 foi o terceiro da primeira trilogia a ser lançado. Toda estrutura da saga completa eu já expliquei previamente quando fiz a crítica do Episódio IV – Uma Nova Esperança, a quantidade de informações é vasta e portanto recomendo as leituras, tanto da crítica do Episódio IV, quanto da anterior O Império Contra Ataca, para manter um raciocínio linear.

O Retorno de Jedi encerra o arco narrativo da primeira trilogia. No primeiro filme foram apresentados os personagens e o cenário como um todo, além dos elementos psicológicos e fictícios como a “força” e sua amplitude. No segundo iniciou-se a etapa de provação de Luke Skywalker na qual segundo os anúncios de seu mestre Yoda, ele seria “tentado” pelo Imperador Palpatine durante o confronto com Darth Vader, foi sobre a preparação de Luke, sobre os pré-requisitos de um cavaleiro Jedi. Yoda deixou claro a Luke que a força não se tratava apenas de psico-cinesia, telepatia e o uso adequado do sabre de luz, mas de virtudes da alma. Este terceiro foi a concretização destes prelúdios do segundo filme. Desta vez Luke teve que passar por tudo que lhe fora avisado por seu mestre.

O roteiro foi mais veloz que os anteriores, com menos explicações e mais ação, mas também não deixou faltar nenhuma informação. Em seu antecessor, O Império Contra-Ataca, Han Solo acabou preso e foi entregue ao Jabba the Hutt, um traficante de seres vivos da galáxia para quem ele devia e Luke teve que parar seu treinamento Jedi com Yoda para tentar salvar os amigos em apuros. Desta vez, a equipe liderada pela Princesa Leia se desdobrou para libertar o amigo Solo preso no território de Jabba. Luke demonstrou suas novas habilidades adquiridas em seu treinamento e voltou a ter com Yoda que lhe fez revelações sobre o passado, o presente e as possibilidades de futuro. Em seguida encontrou-se com Obi-Wan que lhe esclareceu alguns mistérios e revelou inclusive seu parentesco com alguém que ele sequer suspeitava. Preparado para enfrentar Darth Vader, Luke parte na expedição da Aliança Rebelde contra a nova Estrela da Morte que está sendo construída por Vader e Palpatine. Ali, Luke esforça-se para resistir à tentação de ceder ao lado sombrio da “força” e confronta Darth Vader num duelo épico do cinema que resulta em um dos dois cedendo ao outro lado (embora não seja novidade, não vou contar quem). Este confronto é o auge da curva dramática tanto de Skywalker quanto de Vader, é o dilema central de ambos que conflui-se no roteiro. Para a época, é uma aventura fascinante, e para os dias atuais, em termos filosóficos, a obra continua digna de reconhecimento.

A tentação de Luke é justamente o que a doutrina católica chama de “virtude da força“, nas virtudes cardinais: a capacidade de após discernir entre o bem e o mal, escolher o bem. Em termos filosóficos a obra de George Lucas, aqui é inegável e profundamente cristã.

A fotografia mudou de mãos, passou de Peter Suschitzky para Alan Hume, que usaram boa parte do tempo técnicas semelhantes de narrativa com imagem: esta arte manteve a boa qualidade. A trilha sonora mais uma vez foi do clássico absoluto, o gênio da música no cinema, o poderoso e premiado maestro John Williams. A edição de Paul Hirsch passou a ser feita por três novas mãos, cuja complexidade se justifica pelo avanço cenográfico que foi muito superior aos 2 anteriores. Aqui o trabalho dos editores foi praticamente monstruoso dadas a inovação e a exigência.

O elenco permaneceu o mesmo. O casal Han Solo de Harrison Ford e Princesa Leia de Carrie Fisher configurou-se muito engraçado, ingênuo e adequado, um casal real. Houve muita sinergia no relacionamento de Luke Skywalker de Mark Hamill com Darth Vader vivido por David Prowse sob a voz de James Earl Jones, agora declaradamente seu pai (Anakin Skywalker): como pai e filho convenceram. Tiveram participação e presença mais fortes, o cafajeste das estrelas Lando Calrissian de Billy Dee Williams e o Imperador Palpatine desta vez encenado por Ian McDiarmid. Seria injusto não falar do paternal Obi-Wan Kenobi interpretado por Alec Guinness e do quarteto: Yoda (boneco animado por Frank Oz), C-3PO do mímico Anthony Daniels e R2-D2 do anão de talento inegável Kenny Baker e do peludo Chewbacca encenado por Peter Mayhew. Estes coadjuvantes provavelmente estão entre as melhores equipes que o cinema já conheceu.

A direção passou de Irvin Kershner para Richard Marquand que orquestrou essa equipe de talentos incríveis com a responsabilidade de fechar a primeira trilogia da saga nos cinemas e o fez com chave de ouro.

A produção desta vez contou com um investimento quase 3 vezes maior que o inicial, mas retornou um pouco menos, talvez por ter perdido, 6 anos depois, o caráter de novidade. Ainda assim o lucro configurou a obra como um blockbuster. O aporte que a produção de Howard Kazanjian alcançou foi de 32.5 milhões de dólares e o retorno foi de US$ 475.106.177. A obra hoje ocupa a posição 75 do ranking dos melhores filmes da história, foi indicada para 5 Oscar’s dos quais venceu 1, o de Melhores Efeitos Visuais. Além do Oscar, recebeu 35 indicações a prêmios das quais venceu 14.

Seguramente os 134 minutos desta película merecem no mínimo uma nota 10.

Trailer de Star Wars ( Guerra nas Estrelas ) – Episódio VI

Ficha técnica de Star Wars ( Guerra nas Estrelas ) – Episódio VI – O Retorno de Jedi

Filme / Ano Star Wars ( Guerra nas Estrelas ) – Episódio VI – O Retorno de Jedi / 1983
Produção Howard Kazanjian
Direção Richard Marquand
Roteiro Lawrence Kasdan, George Lucas

História: George Lucas

Fotografia Alan Hume
Música John Williams
Edição Sean Barton, Duwayne Dunham, Marcia Lucas
Elenco Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Billy Dee Williams, Anthony Daniels, Kenny Baker, Peter Mayhew, David Prowse, Ian McDiarmid, Sebastian Lewis Shaw
Orçamento / Receita US$ 32.5 milhões / US$ 475.106.177
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