Na temporada anterior de Game of Thrones o norte redefiniu-se com a liderança de Jon Snow, o sul equilibrou-se com os Lannisters e no leste Daenerys consolidou sua coroa. Com um cenário estável os reinos passam a uma disputa final pelo Trono de Ferro que mistura direito hereditário e poder bélico. Além da chegada do inverno e do aumento desproporcional dos vagantes brancos que ameaça a muralha.

A sétima temporada foi diferente, bem diferente. Começando pelo número de episódios que foi reduzido, foram apenas 7. Com as lideranças bem definidas e as metas mais ou menos conscientes, uniões e conflitos foram negociados. Os Lannisters conheceram o poder de fogo de Daenerys Targaryen, com seus exércitos de imaculados, de dothrakis e dragões. Jon Snow e os selvagens precisaram realizar o impossível para provar para os reinos de dentro da muralha que os vagantes não se tratavam de uma mera lenda. Inimigos do mar e da terra se confrontaram, armaram e conspiraram. Alguns conspiradores pagaram caro por seus esquemas. Novidades sobre o passado oculto foram reveladas. Um novo e surpreendente casal se formou agradando a todo público. Um antigo e agressivo casal se separou, agradando da mesma forma a audiência. O “Rei da Noite“, líder dos vagantes brancos conseguiu uma arma de poder de fogo incalculável e causou prejuízos terríveis para a muralha.

As tramas desta vez foram mais concentradas no coletivo e nas organizações dos reinos. Os personagens tiveram sua curva dramática diminuída em razão do arco narrativo.

Daneryes Targaryen encontrou o amor nos braços de um líder. Jon Snow tornou-se um mito, uma lenda para seu povo, face à sua bravura. Cersei Lannister revelou-se uma megera ainda mais imoral que antes. Theon Greyjoy deu um inesperado salto por cima de seu trauma após fazer as pazes com seu passado e encontrar redenção.

Como mensagens trabalhadas, esta temporada destacou-se pelo mérito. Todos os personagens que alcançaram reconhecimento o fizeram por merecer algo e não pela corrupção. Inclusive um excelente raciocínio que contrapõe a corrupção ao mérito como diametralmente opostos. Há também a relação entre direito e mérito que George R. R. Martin explorou muito bem.

Para felicidade geral do público, nesta temporada não houve marxismo cultural e como reflexo a audiência subiu consideravelmente em um salto fantástico. O primeiro episódio contou com 10.11 milhões de expectadores, o último atingiu a casa dos 12.07 milhões e o mais fraco foi o segundo com 9.27 milhões. O episódio mais fraco desta temporada em público, foi superior ao público de todas as temporadas anteriores.

Não houveram novidades técnicas na fotografia, na trilha sonora e na edição, que continuaram com a excelente qualidade. O roteiro foi muito mais veloz e nenhuma informação deixou faltar.

Quanto ao elenco, com toda certeza quem mais se destacou foi Jon Snow interpretado por Kit Harington que foi muito intenso. Lena Headey como a megera e pervertida Cersei Lannister também teve lugar de destaque. Emilia Clarke como a poderosa Daenerys Targaryen foi novamente o rosto gravado no coração da audiência.

A direção por fim, foi uma orquestra destes talentos incríveis. Os showrunners David Benioff e D. B. Weiss surpreenderam novamente, inclusive com a qualidade cenográfica inovadora e perfeita.

Para esta temporada, uma nota 9,5 é justa.

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