The Punisher (Justiceiro) foi ao ar em 17 de novembro de 2017. É uma série transmitida pela Netflix e de criação da Marvel Television com a ABC Studios e tem como showrunner Steve Lightfoot.

O Justiceiro é um personagem de Gerry Conway e John Romita criado em 1974, ano em que apareceu pela primeira vez no HQ do Homem Aranha.

Eu escrevi sobre a estréia do Punisher para o Cult News Blog em 2 de novembro. Como fã do HQ na década de 90, confesso que o episódio piloto me surpreendeu.

O seriado surgiu obviamente para inserir finalmente Frank Castle no Universo Estendido Marvel na TV. Os filmes anteriores foram fiascos por diversos motivos. Sempre o pressuposto drama italiano das famílias da máfia com tempero militar de ex-fuzileiro americano e a receita não deu certo.

Justiceiro é um spin-off (seriado derivado) de Daredevil (Demolidor) sobre o qual ainda não me pronunciei: sim, estou atrasado.

A Marvel Comics aqui pressupôs o certo: contar a estória do personagem através de flashbacks durante sonhos, que misturam a narrativa com o estado emocional permanente, o efeito traumático da perda de sua família para o crime.

Nas cenas iniciais é possível ver diversas influências nítidas, como da obra de Sam Lake, o game Max Payne 3. O personagem de Sam Lake tem praticamente a mesma estória de Frank Castle.

The Punisher Max Payne 3

Quanto ao roteiro, tecnicamente é impecável, é como já comentei melhor que o dos filmes sobre o personagem. Não faltam informações para o público acompanhar o raciocínio linearmente, é veloz e tem ritmo. Por outro lado, a TV americana é tarada por marxismo cultural. O marxismo cultural simplesmente deforma a curva dramática de qualquer personagem e estraga a linearidade do arco narrativo. Eu já expliquei isso em um artigo anterior. Aqui não foi diferente, o piloto já se mostrou ser uma propaganda do Democratic Party à luz do Netflix, descaradamente. Defesa de minorias como critério de justiça, o homem branco ocidental como o praticante do mal, o negro como indiscutivelmente bom, o latino como santo, a mulher como vítima das circunstâncias, enfim: todos são bons, exceto o homem branco ocidental. Se qualquer olho menos atento é capaz de ver isso, imaginem olhos treinados. As diferenças desta vez foram duas: a primeira que o vocabulário de esquerda que já se consagrou jargão de militante profissional (sexismo, misoginia, machismo, fascismo, e espantalhos folclóricos) se apresentou logo de cara como se tratasse de um padrão de normalidade. Em segundo lugar que geralmente (pelo menos nas outras emissoras como CBS e The CW) o marxismo cultural jamais aparece nos episódios pilotos de qualquer seriado, ele começa a se revelar sutilmente do terceiro episódio em diante, neste caso, pelo Netflix foi logo de primeira e nada sutil, foi escancarado, assumido e grosseiro. Um sujeito paranoico que aparece numa reunião é um conservador com discurso republicano e preferências cristãs, ele precisa ser “piedosamente tolerado” por seus colegas como o insuportável doente mental. A promissora investigadora de polícia descobre um caso terrível que envolve Castle, mas neste caso os militares americanos são corruptos e assassinaram um refugiado muçulmano que descobriu o tráfico de drogas promovido pelos então militares. Já se enunciou que a propaganda da esquerda será intensa e me cortou o barato de continuar.

Quanto ao elenco, Jon Bernthal como Frank Castle (Justiceiro) confirmou o talento que já havia apresentado em The Walking Dead, todos queriam ver o Shane Walsh de volta à ação: e viram. Bernthal parece ter nascido para o papel. O resto do elenco é fraco, miseravelmente fraco.

shane walsh - the walking dead

A trilha sonora de Tyler Bates foi um feliz acerto, há muito não via a intensidade do rock ácido com guitarras pesadas e a melodia orquestrada bem combinadas. Bates acertou a dose e pesou a mão no problema de Castle com doses cavalares. A fotografia é o noturno sorrateiro que contrasta com matutino ensolarado e doloroso. Tomadas de câmera do alto em ambientes pequenos são inovadoras, aqui contribuiu para a sensação de abandono depressivo. A edição é puramente técnica com transições informativas e muito profissionais, mas não chega a ser artística.

A direção consistiu em orquestrar essa equipe de talentos e revelações com um roteiro bom em termos técnicos, bom em conteúdo, mas envenenado por marxismo cultural.

O episódio piloto me surpreendeu: foi muito mal enquanto tinha tudo para ser muito bom, uma equipe técnica repleta de talentos e uma narrativa clássica cujo público estava ávido para assistir à uma produção competente.

Eu vou continuar a assistir por obrigação de crítico, mas dou uma nota 6,0 cujos pontos positivos são apenas para a equipe técnica e ainda estou sendo extremamente generoso.

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