O filme Captain America: The First Avenger foi aos cinemas em 2011 e chegou ao Brasil com o nome Capitão América: O primeiro vingador. Acontece que trazer este personagem ao cinema não foi apenas para contar sua estória, mas também para integrá-lo ao Universo Marvel Estendido. As produções da Marvel começaram com o primeiro Homem de Ferro, passaram por Hulk, Homem de Ferro 2 e Thor, até chegarem a este primeiro longa exclusivo do Capitão.

O roteiro é veloz e intenso, faz o expectador sentir vontade de devorar a tela aguardando a próxima cena. Ele reconta de forma genialmente adaptada a estória de Steve Rogers, um jovem garoto americano, mirrado e asmático que sonha em lutar na segunda guerra contra os nazistas. Rogers tem o senso do dever, tem virtudes como a coragem, a persistência e a fé. É a integridade encarnada. Sem desistir ele tenta se alistar, até que sem esperar recebe o convite do doutor Abraham Erskine, um cientista que criou o “soro super-soldado“, uma fórmula química que amplia as capacidades físicas e mentais. Contra tudo e contra todos, Steve aceita participar do experimento na ânsia de servir a seu país. Do outro lado do oceano, os nazistas possuem uma divisão de ciências chamada “Hidra“, chefiada por Johann Schmidt, um comandante nazista apelidado de Caveira Vermelha. O experimento é um sucesso, mas os homens da Hidra estavam infiltrados no projeto. Após o experimento terminar eles matam o doutor Erskine, destroem o restante do soro e Rogers se torna o único resultado existente e vivo do projeto.

Aceito no exército, ele recebe um convite para atuar como ator de uma peça teatral que lhe dá um uniforme azul com uma estrela, um escudo e um nome: o Capitão América. Steve se apresenta como garoto propaganda de um produto cujos lucros são destinados a suprir as munições dos soldados em campo. Rogers segue por essa vida por algum tempo, até ser enviado aos acampamentos de guerra, onde descobre que os soldados estão sofrendo baixas e que ali, como ator é inútil. Acreditando em suas capacidades com muita determinação, ele toma a frente, desobedece seu superior, o General Chester Phillips e com a ajuda de seus amigos, Peggy (Margaret Carter) e Howard Stark (sim, o pai do Tony Stark, o Homem de Ferro), Rogers vai sozinho em uma missão suicida para resgatar seu amigo “Bucky” (James Barnes), que fora sequestrado pela Hidra junto com outros sem número de soldados.

Assim nasce o Capitão América. Ao retornar da missão com sucesso, ganha o respeito de toda a tropa e de seus superiores. O Capitão torna-se a única esperança para deter a Hidra e o Caveira Vermelha. Acontece que o Caveira também recebeu o mesmo soro e sua missão não será nada fácil.

A fotografia é fantástica, com conjuntos de cores vivas para momentos de emoção e aventura, e simultaneamente cinzentas para o tom vintage da obra que retrata os anos 40. A música é do poderoso maestro Alan Silvestri que já havia se consagrado ao compor trilhas sonoras clássicas inesquecíveis como De Volta Para o Futuro e Predador. A edição é também artística, pois lidar com uma obra que depende essencialmente de valores morais como os de Steve Rogers, implica em realizar cortes precisos em picos emocionais e os profissionais aqui foram muito sensíveis com isso; as cenas finais do diálogo de Steve e Peggy tornam nítida a sutileza dos editores.

O elenco me surpreendeu agradavelmente. Primeiro pela surpresa de Chris Evans se sair tão bem como Steve Rogers e o Capitão América, pois sua experiência como Tocha Humana no filme do Quarteto Fantástico havia sido um pouco desastrosa: ele é um bom ator, mas um roteiro ruim pode também acabar implicando no trabalho de atuação. Tommy Lee Jones como General Chester Phillips caiu como uma luva, fazer papéis sérios e comprometidos me parece a especialidade de Tommy. Hugo Weaving como Johann Schmidt (Caveira Vermelha) foi outra grata surpresa Weaving é de uma expressão muito forte, papéis como o Agente Smith em Matrix e o Agente da Interpol em O Lobisomen foram definitivamente feitos para ele. Hayley Atwell como Margaret Carter, a “Peggy“, fez um papel difícil, a moça certinha, séria e linda, que se apaixona por um sujeito tímido, é uma personagem intensa para a qual Atwell foi certamente a escolha certa. Stanley Tucci como o paternal doutor Abraham Erskine fez toda diferença e Samuel L. Jackson reprisa seu papel como Nick Fury, perfazendo o elo entre todo Universo Estendido Marvel no cinema, além de ser um ator muito competente. Nick Fury é o líder da S.H.I.E.L.D. e cada vez que ele aparece o público vai ao delírio com a sensação confirmada de “Vingadores vai acontecer! Eles vão se encontrar e formar um time e vai ser fantástico!“. Todo o elenco é bom, até os coadjuvantes são bons.

As mensagens que o filme trabalha são as da formação de Rogers como Capitão América. Porque motivo apenas ele poderia ser o herói e não os demais. O filme no final das contas procura demonstrar por qual motivo é mais importante ser íntegro do que ter capacidades físicas e por que motivo apenas os atributos físicos são insuficientes. O que separa Rogers dos outros soldados e o faz especial, é sua alma. Eu classifico este filme como profundamente cristão.

A direção de Joe Johnston consistiu em orquestrar essa equipe de talentos incríveis para finalmente entregar um Capitão América digno dos 125 minutos da audiência.

A produção de Kevin Feige contou com um orçamento razoavelmente alto: US$ 140 milhões e retornou uma bilheteria também razoável: US$ 370 milhões. A obra foi indicada para 49 prêmios dos quais ganhou 3: a trilha de Alan Silvestri, Chris Evans como Capitão América e pelos efeitos visuais.

É um filme nota 10, sem qualquer marxismo cultural, narrativa e adaptação pura: fantástico é o adjetivo correto.

Trailer de Captain America: The First Avenger ( Capitão América: O primeiro vingador )

Ficha técnica de Captain America: The First Avenger ( Capitão América: O primeiro vingador )

Filme Captain America: The First Avenger ( Capitão América: O primeiro vingador )
Ano 2011
Duração 125 minutos
Produção Kevin Feige, Alan Fine, Kevin Feige, Alan Fine, Stan Lee, David Maisel, Louis D’Esposito, Joe Johnston, Nigel Gostelow
Direção Joe Johnston
Roteiro Christopher Markus, Stephen McFeely

Baseado em Capitão América de Joe Simon e Jack Kirby

Fotografia Shelly Johnson
Música Alan Silvestri
Edição Robert Dalva, Jeffrey Ford
Elenco Chris Evans, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving, Hayley Atwell, Sebastian Stan, Dominic Cooper, Neal McDonough, Derek Luke, Stanley Tucci
Orçamento / Receita US$ 140 milhões / US$ 370.569.774
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