Silent Hill é um filme de terror e suspense que foi lançado em agosto de 2006 e chegou ao Brasil com o nome “Terror em Silent Hill“.

A estória é baseada na série de games homônima da Konami e embora seja uma adaptação segue fiel ao original na medida do possível. Sharon é uma garotinha adotada e muito perturbada por um sofrido e intenso sonambulismo. Sua mãe Rose e seu pai Christopher seguem preocupados com seu comportamento e seus problemas. Rose acorda numa noite e segue Sharon que está em uma crise sonâmbula e sai de casa andando em busca de alguma coisa e repetindo “Silent Hill” e “casa“. Em busca de ajuda para a filha ela vai a Silent Hill, uma cidade fantasma, abandonada por um desastre industrial e assombrada por uma história de fanatismo religioso. No caminho ela conhece a policial Thomas que desconfia dela, a segue e acaba como a única ajuda que encontrará em suas dificuldades. Seu marido Christopher sai atrasado em busca de sua esposa e filha e se desencontra, mas não desiste. Em determinado momento da viagem, logo após entrar na cidade mas ainda na estrada, Rose vê uma garota e na tentativa de desviar o carro acaba batendo e desmaia. Ela acorda com o carro todo aberto, não encontra Sharon e desespera-se. Partindo em sua busca por toda cidade ela se vê em meio a um verdadeiro pesadelo interminável. Rose descobrirá que Sharon possui uma história macabra que se estende à cidade inteira e que este pesadelo poderá ter um desfecho terrível.

O roteiro é lento e apesar de ter ritmo deixa faltar informações para o público que termina a obra com mais perguntas do que respostas. É possível que seja uma crueldade do próprio autor: autores de terror e suspense tem esse costume de fornecer certezas para depois subtraí-las, resultando que a única certeza que o expectador carregue ao final, é a própria incerteza.

A adaptação da narrativa respeitou não só os personagens como recriou os cenários do game: a entrada de Silent Hill, o colégio Midwich Elementary School, o Grand Hotel, a Igreja Balkan e o Hospital BrookHeaven estiveram presentes. As criaturas e monstros também ficaram excelentes: Gray Child, que são deformidades que atacam Rose logo nos primeiros momentos. Lying Figure que aparece também no início rondando a cidade. Colin, O Zelador, na minha opinião foi o que ficou melhor representado e mais fiel. Baratas gigantes com cerca de 10 cm cada aparecem junto com Pyramid Head (Cabeça de Pirâmide) e ambos ficaram muito bons também. The Nurses (Enfermeiras) aparecem próximas ao final e ficaram dignas de muitos elogios. Dark Alessa ou The One With Many Names está presente e esta não ficou tão boa pois não passa a ideia exata de quem se trata, não ficou tão fiel à original.

O arco narrativo (desconsiderando o game agora) configura uma defesa do satanismo. Numa tentativa que é abandonada pela frustração de explicar a conexão entre os dois mundos apresentados, o argumento inicial fala de um desastre industrial fazendo alusão à radiação. Não é, é puramente sobrenatural. A estória consiste numa vingança de uma mãe e uma filha contra fanáticos religiosos que as justiçaram em nome da pureza num cristianismo a lá inquisição, acontece que quem faz a “justiça” é “The One With Many Names“, que no cristianismo é o próprio demônio citado no novo testamento. Inclusive um dos personagens cita o demônio como fonte de justiça durante o filme. Quando todos pensam que a justiça foi feita, no final das contas a grande surpresa do final retira o chão de todos. O final lembra em alguns aspectos o desenvolvimento de Amor Além da Vida, filme de 1998.

Politicamente é marxismo cultural puro e em sentido estrito: substituição de significados. Justiça aqui passa a ter outro significado: vingança. Vingança é a justiça e a fonte é o demônio. Os vilões são os cristãos e a fé significa “convicção”. Isto é Gramsci indiscutivelmente.

O elenco é fraco e as atuações só convencem em alguns poucos momentos. Se fosse necessário destacar os melhores, seriam apenas dois: Kim Coates como a durona policial Thomas Gucci e Eve Crawford como a líder fanática Irmã Margaret.

A trilha sonora praticamente toda é a mesma do game (para delírio dos fãs) e é um dos pontos altos dos picos emocionais. A fotografia acertou na escolha do conjunto de cores, cinzentas e nebulosas dão ares de sonho ou alucinação numa claridade interminável de dias que não tem fim e momentos assombrosos de escuridão. A edição é técnica apenas e poderia ser muito melhor intercalando cenas fortes com música e cenas informativas.

A direção por fim acabou por entregar uma obra mais dirigida para um público seleto, mas a orquestra da equipe foi responsável e competente.

A produção contou com um investimento de US$ 50 milhões de dólares e lucrou US$ 97 milhões. Foi indicado para 8 prêmios, mas não ganhou nenhum.

Eu indico este filme para apenas 3 públicos: em primeiro lugar para os fãs do game da Konami. Em segundo para os fãs de terror cult pois lembra muito as obras dos anos 80 e 90, com melhorias tecnológicas. Em terceiro para os estudantes de filosofia, pois a argumentação da narrativa requer análises históricas e filosóficas no âmbito da metafísica. Para outros públicos: simplesmente ignorem a película.

Dada a intenção proposta pela produção, de realizar um filme a partir da narrativa do game, uma nota 5,0 é generosa e os pontos positivos são exclusivamente pelo resultado final ter sido uma adaptação até fiel sob determinados aspectos do game, no mais, a equipe técnica em parte é boa mas em parte não convence, a arte é fraca e a narrativa gritantemente irracional.

Trailer de Silent Hill

Ficha técnica de Silent Hill

Filme Silent Hill (Terror em Silent Hill)
Ano 2006
Duração 125 minutos
Produção Samuel Hadida, Don Carmody
Direção Christophe Gans
Roteiro Roger Avary, Christophe Gans, Nicolas Boukhrief
Fotografia Dan Laustsen
Música Jeff Danna, Akira Yamaoka
Edição Sébastien Prangère
Elenco Radha Mitchell, Sean Bean, Jodelle Ferland, Laurie Holden, Deborah Kara Unger, Alice Krige, Tanya Allen, Kim Coates
Orçamento / Receita US$ 50 milhões / US$ 97.607.453
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