The Rezort é um filme de 2015 que não veio para o Brasil.

A estória é a de um pós-apocalipse-zumbi no qual a humanidade venceu uma epidemia zumbi de origem biológica e está se re-estabelecendo. Neste cenário uma empresária abre um resort numa ilha paradisíaca com uma proposta de atividade recreativa muito ousada: caçar zumbis num safári. A atração atrai públicos de diversos tipos, empresários procurando um novo negócio, ressentidos com o apocalipse zumbi que perderam tudo na guerra, ativistas contrários à iniciativa, jogadores que ganharam estadia em premiações, traumatizados em busca de terapia, entre outros. O empreendimento na ilha oferece também socorro aos refugiados do Oriente Médio. Toda segurança do safári zumbi é controlada por computadores e muita tecnologia. Tudo corre bem e dentro dos conformes, mas enquanto os turistas estão em atividade durante uma caçada, uma sabotagem na operação acontece e os zumbis são soltos do sistema de segurança. O grupo terá que atravessar desafios impossíveis e testar suas próprias almas em uma situação de terror e desespero.

O roteiro é veloz, tem ritmo e apresenta todas as informações necessárias para o público acompanhar a narrativa linearmente. O problema é a ideologização maciça. O marxismo cultural é intenso na forma de propaganda. Os vilões são capitalistas malvados e anti-éticos, as vítimas são refugiados do Oriente Médio e os heróis são (pasmem) ativistas dos direitos dos mortos-vivos. As mensagens trabalhadas são questionamentos acerca de ética esportiva que se apresenta como questão necrológica (eu imagino que seja acidental, pois o autor não demonstrou inteligência que abarque este tipo de argumentação, não há horizonte de consciência suficiente para isto na obra, apenas arquétipos e espantalhos frankfurtianos já há muito envelhecidos), questionando se é certo usar zumbis para praticar esportes ou se isto é um abuso; tal questão parece ridícula (e da forma que se apresenta é mesmo, seria uma pseudo-questão considerando que zumbis não são materialmente possíveis), mas acaba por aludir esportes com seres vivos como a caça e pesca.

A fotografia é fantástica e se sobressai nos momentos de terror e suspense explorando ângulos abertos e fechados com movimentos suaves e bruscos, alternando esquemas de cores. A música varia entre o pop dançante contemporâneo e o pesado clima de terror com contraste sonoro muito adequado, comunicativo mas não artístico. A edição é técnica, precisa e competente.

O elenco transita entre o fraco e médio. O único ator que merece algum destaque e ainda assim não chega a ser bom é Dougray Scott como o experiente Archer. O resto não vale a pena ser lembrado.

A direção consistiu em orquestrar uma equipe técnica talentosa e competente cujas únicas faltas foram de elenco e de roteiro e entregou uma película muito boa e ousada, mas experimental e que causa estranheza: tecnicamente excelente, artisticamente fraquíssima.

A produção teve como investimento US$ 6.700.000, foi exibido em apenas 8 salas de cinema na Espanha e realizou a pífia bilheteria de US$ 2.400 e até o presente não concorreu a prêmio algum. Potencial não faltou e isto comprova o que eu venho dizendo incessantemente: o marxismo cultural estraga a arte.

Uma nota 5,0 é extremamente generosa e os pontos positivos são exclusivamente em reconhecimento à equipe técnica.

Trailer de The Rezort

Ficha técnica de The Rezort

Filme The Rezort
Ano 2015
Duração 93 minutos
Produção Nick Gillott, Karl Richards, Charlotte Walls
Direção Steve Barker
Roteiro Paul Gerstenberger
Fotografia Roman Osin
Música Zacarías M. de la Riva
Edição Martí Roca
Elenco Dougray Scott, Jessica De Gouw, Martin McCann, Claire Goose, Elen Rhys, Jassa Ahluwalia, Lawrence Walker, Kevin Shen, Sean Power, Jamie Ward, Dave Wong, Shane Zaza, Stefan Pejic, Cristian Solimeno, Catarina Mira, Manuela Maletta, Patrick Holland, Danny Flack, Gerald Tyler, Sam Douglas, Derek Siow, François Pandolfo, Bentley Kalu, Robert Firth, Rebecca James, Avita Jay, Richard Laing, Jonathan Sawdon
Orçamento / Receita US$ 6.700.000 / US$ 2.400
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