JeruZalem é um filme B de terror israelense de 2015.

A estória é baseada numa crença de que existem 3 portões para o inferno: um no oceano, um no deserto e outro em Jerusalém, num evento tradicional em Israel chamado “dia do perdão” um estranho fenômeno acontece, as portas do inferno se abrem e os mortos começam a ressurgir na forma de gárgulas zumbis e então saem para aterrorizar a população. Líderes das 3 religiões (cristianismo, judaísmo e islamismo) se unem para combater o mesmo mal sem sucesso. Se um dos zumbis gárgulas arranhar, infecta a vítima e a solução que resta é matar os infectados com um tiro na cabeça.

Sarah Pullman, uma jovem adolescente tem um excelente relacionamento com seu pai Howard Pullman. Ele lhe dá um Smart Glass (óculos interativo) da Microsoft. A garota e sua amiga Rachel Klein viajam para Tel Aviv, em Israel. Durante a viagem conhecem Kevin Reed, um jovem antropólogo que lhe fala sobre zumbis, com diferentes nomes para as 3 religiões. Chegando no aeroporto, Sarah recebe um convite do novo amigo para ir à Jerusalém. Como faz parte de seus planos de viagem, ela inverte a ordem dos lugares a serem visitados e aceita o convite. Durante a estadia em Jerusalém hospedam-se e conhecem Omar, um jovem agradável e galante. Reunidos os quatro divertem-se (e usam drogas). As garotas envolvem-se com os rapazes e formam 2 casais e prosseguem no passeio turístico. Um suposto ataque terrorista acontece seguido de uma ordem para evacuação da cidade. Os monstros começam a surgir e o grupo decide por uma desesperada tentativa de fuga pelos subterrâneos da cidade.

O roteiro é lento e o filme demora demais para começar. Não existe uma grande mensagem a ser transmitida e o única tema mais discernível é o convívio pacífico das três religiões.

Todo filme de terror onde os personagens perdem a consciência, a humanidade, se tornam monstros e não ligam se vivem ou morrem pode ser interpretado como uma potencial crítica ao niilismo. Na ausência de um propósito e consequentemente de um código moral, instalada a lei do mais forte, descemos abaixo dos animais selvagens, abaixo do homem primitivo. É uma evidente involução. Este é possivelmente o único proveito deste tipo de obra, transmitido casualmente e criado acidentalmente por autores pouco talentosos e que só pode ser abstraído com algum conhecimento filosófico. O niilismo dos monstros sempre faz vítimas numa sequência escalar que vai do mais fútil para o mais preparado e aguerrido. Estabelece dessa forma uma conexão entre o niilismo e a futilidade, contrapesando a importância de se ter uma religião. Ter religião estabelece uma cosmovisão organizada que é diametralmente oposta ao niilismo, pois oferece um propósito para a vida e dessa forma prepara os adeptos para as dificuldades da vida adulta ao invés de prepará-los exclusivamente para os prazeres, como se o mundo fosse um playground e a vida uma colônia de férias. Em outras palavras, quando o mal se manifesta, os mais prontos para enfrentá-lo não são os ocupados com entretenimento, mas os que se prepararam para tal com esforço e dedicação.

A fotografia é toda feita em primeira pessoa, é cansativo e de mau gosto, sem contar o merchandising dos produtos da Microsoft intenso. A música é praticamente nula e resume-se aos sons do ambiente. A edição é apenas um trabalho técnico informativo com publicidade. As únicas cenas boas são os momentos de terror.

O elenco é tão fraco que os atores deveriam mudar de profissão.

A direção lembra muito os filmes B trágicos de George Romero que precederam os apocalipse zumbis contemporâneos como The Walking Dead e Guerra Mundial Z.

A produção de 94 minutos não teve seus custos e lucros divulgados e foi indicado para 4 prêmios dos quais ganhou 2.

Uma nota 4,0 é justa e o filme só é indicado para estudiosos de cinema que desejem estudar variações de câmera e para estudantes de filosofia que desejam ver na arte as expressões niilistas contra seus opostos.

Trailer de JeruZalem

Ficha técnica de JeruZalém

Filme JeruZalem
Ano 2015
Duração 94 minutos
Produção Shaked Berenson, Patrick Ewald, Doron Paz, Yoav Paz
Direção Doron Paz, Yoav Paz
Roteiro Doron Paz, Yoav Paz
Fotografia Rotem Yaron
Música Doron Paz, Yoav Paz
Edição Reut Hahn, Doron Paz, Yoav Paz
Elenco Yael Grobglas, Yon Tumarkin, Danielle Jadelyn, Tom Graziani, Howard Rypp
Orçamento / Receita Não informado.
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