Muito a contragosto este final de ano resolvi maratonar Under the Dome, mas resolvi fazê-lo por se tratar de um seriado que marcou uma época e por uma curiosidade pessoal: teria Stephen King plagiado o filme The Simpsons – The Movie? O filme dos Simpsons foi lançado apenas 2 anos antes de King lançar sua obra e a curiosidade me atiçou.

De cara posso dizer que não, o que ele fez foi usar a mesma ideia de domo, mas todo o resto é muito diferente. Usar a mesma ideia não faz de ninguém um plagiador.

A primeira temporada de Under the Dome foi ao ar pela CBS em junho de 2013 e teve uma audiência de 11.19 milhões de expectadores, que é um número alto para um seriado. No Brasil chegou com o nome de “Prisão Invisível” na Rede Globo e “O Domo” na TNT. Há poucos dias eu publiquei a crítica do episódio piloto.

O enredo é sobre uma pequena cidade chamada Chester’s Mill que é surpreendida com um domo que surge inesperada e milagrosamente, e cobre-a totalmente. Os cidadãos ficam presos, isolados do resto mundo e precisam aprender a viver em uma sociedade que se transforma gradualmente. Tanto o medo diante dos eventos inexplicáveis, quanto as tramas de uma política, instituições e interesses humanos diversos entram em cena: do egoísmo à solidariedade, passando pelo oportunismo.

O roteiro é lento e o ritmo é um pouco descompassado, mas não deixa faltar informações ao público e o arco possui uma crise final bem feita (ter uma crise nos últimos capítulos é comum às temporadas de séries televisivas). Nenhum personagem tem curva dramática, todos são estereótipos e apenas dois enfrentam dilemas.

Os temas tratados são muitos, mas não há nenhuma grande questão central, apenas questões políticas como desarmamento civil, pena de morte, propriedade, fundamentalismo religioso, casamento homossexual, preconceito, entre outros. A trama mesmo é prejudicada em meio a tantos assuntos intermediários.

Eu acho isso tão imbecil e pífio que se não fosse por razões de exercício crítico não teria assistido: suponha que um domo caiu sobre sua cidade e que está todo mundo preso. Sua preocupação seria o casamento homossexual? Ou seria sua sobrevivência e uma busca desesperada por uma explicação e solução? É coisa de retardado.

Politicamente a série é de esquerda: cristãos e homens brancos são todos malvados e homossexuais são bonzinhos. Homens brancos são preconceituosos com casais homossexuais. Primeiro há uma defesa constante do desarmamento civil e os armamentistas são apresentados como perturbados mentais. A defesa desarmamentista é complementada com um discurso no qual se afirma que policiais só podem atirar em último caso, no final este assunto volta à tona e se refuta sozinho. Desapropriação de terra como solução contra monopólio, num argumento fraquíssimo de que é a intervenção econômica estatal que pode garantir a sobrevivência dos cidadãos. O pastor é o maior traficante de drogas e um perturbado mental, aliás a maioria dos cristãos o são. O dinheiro é afirmado como um mal para a sociedade, o que é uma tremenda confusão argumentativa, pois na cidade o dinheiro perdeu o valor e o mal aumentou ao invés de diminuir. Capitalistas vêem na prostituição e no crime uma oportunidade de negócios e os excluídos sociais vêem nisto um refúgio.

Há também alguns óbvios tiros no pé da propaganda ideológica: a polícia é a única instituição capaz de ajudar a cidade e a mentira é uma prisão espiritual.

A mentira como prisão espiritual constitui a curva dramática do personagem Dale Barbara (Barbie), Mike Vogel fez um excelente trabalho e convenceu. O melhor personagem é sem dúvidas Dean Norris como o severo e corrupto James Rennie (Big Jim). Apenas mais dois atores merecem destaque: Rachelle Lefevre como a repórter Julia Shumway e Alexander Koch como James Rennie (Junior). Todo resto do elenco é muito fraco.

A fotografia é meramente informativa. A música comercial e ausente em muitas oportunidades. A edição é precisa, mas não ultrapassa a técnica.

A direção é regular, há poucos talentos na equipe e estão no elenco.

O que o showrunner Brian K. Vaughan apresentou foi um show de horrores em termos de narrativa, forrado de propaganda esquerdista e recheado de marxismo cultural.

Uma nota 6,0 é muito generosa.

Eu vou continuar assistindo por obrigação, mas o gosto pelo seriado eu perdi.

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