Captain America: Civil War é um filme da Marvel Studios de 2016. No Brasil chegou com o nome “Capitão América: Guerra Civil“.

O enredo é sobre as consequências do último evento: Ultron. O grupo se locomove para prender um traficante de armas internacional, conhecido como “Ossos Cruzados” que está de posse de armas químicas. Durante o confronto, Wanda, a Feiticeira Escarlate se envolve em um acidente que atinge um prédio inteiro e deixa muitos feridos. A ONU decide que os Vingadores devem operar sob supervisão, devem receber autorização para atuar em seus países membros. Entre os sobreviventes de Sokovia está Zemo (Barão Zemo no HQ) que busca vingança contra o grupo, ele culpa-os pela morte de sua família. Ele pode parecer inofensivo, mas tem um plano: implodir o grupo, dividi-lo e assim fazer com que se matem. Zemo forja provas da participação de um suspeito no ataque ao prédio onde acontece a conferência da ONU e a coisa fica feia de vez para o grupo. Stark como foi o criador de Ultron, está com a consciência muito pesada e acata a proposta da organização. Parte do grupo fica ao lado do Capitão Rogers, outra parte ao lado de Stark. Será muito difícil detectar a mão do vilão nos acontecimentos e o grupo terá problemas sérios para resolver numa aventura intensa onde irmão atacará irmão, por ideais opostos.

O roteiro é veloz, mas o ritmo varia de acordo com a emoção: diminui o pulsar para as baixas e calmarias e o aumenta para a ação e os confrontos dramáticos. A grande mensagem central trabalhada é se a responsabilidade deve ser individual ou coletiva. A ONU quer controlar os Vingadores. O Capitão América não aceita, ele acredita que a liberdade é responsabilidade do indivíduo, que cada um é responsável por seus atos. O Homem de Ferro, com a consciência pesada, sentido-se culpado pelo último evento com Ultron, acredita que os Vingadores precisam de supervisão e devem ser absorvidos pela ONU. O embate entre ambos demonstra com clareza o conceito, que a responsabilidade não pode ser transferida, pois organizações são comandadas por pessoas movidas pelos seus ideais. No entanto ideais mudam, assim como as pessoas que comandam as instituições. A resposta do Capitão é um não. A de Stark é um sim. Se de um lado o choque de ambos é intenso, por outro o estado na figura do General Ross não está preocupado com tais conceitos, mas com uma matemática de baixas civis.

Existe um questionamento imbecil comum acerca dos danos e prejuízos causados por heróis em combate, é geralmente este um argumento esquerdista no cinema e que remete às consequências semelhantes pela ação policial no mundo real. Geralmente culminam após muita análise em pedidos e campanhas de desmilitarização da polícia, entre outros absurdos. É um argumento tão monstruosamente imbecil que me causa asco ter que responder: então quer dizer que os heróis do cinema e os policiais do cotidiano, chamados para socorrer e salvar vidas, são responsáveis por danos e prejuízos eventuais? Então, eles deveriam não atender aos pedidos de socorro? Deixar as pessoas morrerem? Se o policial não estiver preparado com treinamento militar para responder ao fogo dos bandidos que estão armados com recursos de guerra, como responderão? E mais, se os heróis do cinema dependessem de uma organização como a ONU para dizer se poderiam ou não atuar, quem garantiria que suas ações seriam executadas em tempo hábil, ou com o mesmo espírito? O espírito heroico está no coração de cada um deles e não há qualquer relação com estados ou nações. Em outras palavras, o Capitão está certo: aceitar a proposta significa acabar com o grupo.

Um grande ponto positivo é que Kevin Feige finalmente associa o nazismo ao comunismo através da Hidra e do Soldado Invernal: todos os símbolos da Hidra são comunistas e a base da Hidra é na Sibéria. Estava mais do que na hora do cinema fazer isso com a competência necessária, se todos esperavam um Spielberg que não vinha, Feige o fez e o fez magistralmente.

A fotografia segue o padrão de qualidade fantástico de todos os filmes anteriores dos estúdios Marvel: sem exageros, ângulos precisos, aberturas de câmera tecnicamente perfeitas e um esquema de cores que sempre procura aproximar a fantasia da realidade. A música é clássico orquestrado que caiu como uma luva neste embate de gigantes. A edição foi um trabalho preciso de montagem entre sons e imagens, que alinhou a linearidade das informações com as emoções adequadas.

O elenco é novamente fascinante: os atores simplesmente nasceram para os papéis. Os destaques são para Robert Downey Jr. como Tony Stark (Homem de Ferro), Chris Evans como Steve Rogers (Capitão América), Tom Holland como Peter Parker (Homem-Aranha) e Paul Bettany como Visão. Estes quatro foram as personalidades mais fortes e importantes do enredo.

Este longa trouxe mais um personagem para o universo Marvel: o Pantera Negra e integrou outros dois que já eram muito esperados: o Homem Aranha e o Homem Formiga que tiveram participações fantásticas.

Após este filme será realmente um desafio para a Marvel reunir novamente os heróis em Guerra Infinita que é muito aguardado nos cinemas, esta guerra gerou sem dúvidas fortes marcas emocionais entre os personagens.

A direção foi um trabalho intenso e de muito sucesso, pois em momento algum deixou escapar o grande dilema do grupo, se a responsabilidade é individual ou pode ser transferida.

Kevin Feige produziu o filme pela Marvel Studios com um orçamento de US$ 250 milhões e alcançou uma bilheteria blockbuster de US$ 1.153 bilhão. As indicações para prêmios foram 80, das quais venceu 16 e boa parte dos prêmios foram para a atuação de Tom Holland como Peter Parker e Homem-Aranha (mais que merecidos, no mínimo justos).

Uma nota 10 é única cabível para 117 sensacionais minutos.

Trailer de Captain America: Civil War ( Capitão América: Guerra Civil )

Ficha técnica de Captain America: Civil War ( Capitão América: Guerra Civil )

Filme Captain America: Civil War ( Capitão América: Guerra Civil )
Ano 2016
Duração 117 minutos
Produção Kevin Feige
Direção Anthony Russo, Joe Russo
Roteiro Christopher Markus, Stephen McFeely

Baseado em Guerra Civil de Mark Millar e Steve McNiven

Fotografia Trent Opaloch
Música Henry Jackman
Edição Jeffrey Ford, Matthew Schmidt
Elenco Robert Downey Jr., Chris Evans, Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Jeremy Renner, Don Cheadle, Paul Rudd, Elizabeth Olsen, Emily VanCamp, Tom Holland, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Frank Grillo, Daniel Brühl, Martin Freeman, William Hurt
Orçamento / Receita US$ 250 milhões / US$ 1.153.304.495
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