As fábulas de princesas foram (e são) tão influentes na odiada “sociedade patriarcal“, pela estrutura que lhes dá suporte à própria palavra “princesa“.

Uma princesa é a filha de um rei e um rei é o que “rege” uma pátria.

Sem pátria, sem regente.
Sem regência, sem rei.
Sem rei, sem princesa.

Acontece que pátria é a terra de seus pais.

Ser uma “princesa“, apesar das fábulas, significa para qualquer mulher, ser a filha de seu pai.

Isto é inerente à própria estrutura da realidade; deste dado se guarnece a fábula, que pode soar anacrônica mas jamais surreal.

Cada vez que um pai diz: “Você é minha princesa“, ele está com isto dizendo: “Eu sou seu pai, quem rege esta casa, quem a protege por amor e por laços sanguíneos e quem lhe assegura esta casa e família por pátria“.

Não é que a fábula caiba como uma luva, mas que seja a transcrição poética daquilo que sequer necessita da verossimilhança para ser identificado: a identidade é já; é imediata, pois a informação é acessível instantaneamente.

O ódio feminista é um sentimento que se volta contra a própria mulher no âmbito de sua abrangência, na exata medida que busca justificativas contra a sociedade que a ama e protege: se esta sociedade falha, no dever patriarcal falha, mas não se anula o dever que permanece intacto e soberano.

Esta é a maravilha da cultura ocidental: é o ornamento do amor em literatura para explicar o já, o agora, o momento, aos que ainda não podem entendê-lo. Destruir esta cultura significa destruir o próprio amor que lastreia seus integrantes: é golpear-se e achar belo o sangue do genocídio de seus pares a verter como pago pela lealdade conferida.

A mesma sociedade que a ensinou que, sendo ou não princesa, tendo ou não castelo e príncipe, de alguma forma algo de princesa ela sempre terá: o amor dos pais que a verão como sucessora, portadora da honra e do sorriso dos que branqueiam seus cabelos a querer-lhe o bem e cuja recompensa se contenta com a notícia distante de que sua pequena princesa, prossegue sua jornada para onde escolher; que de princesa inocente, com os lábios e dedos borrados de chocolate a correr pelos quintais com esfuziantes gargalhadas estridentes, ela cresce, azulejo por azulejo da cozinha, até se tornar rainha do reinado que escolher.

Se faltam pais, há uma pátria ainda. Se falta pátria, há uma nação assegurada pelas interseções destes conjuntos familiares pátrios. E se tudo isso faltar: então você estará na mão de estranhos, desconhecidos e que se não amaram nem seus pais, quanto mais amarão você. A estes estranhos chamamos “o estado“.

É necessário ser estúpido para não entender isso.

O vídeo abaixo demonstra as atrocidades cometidas pela maldita sociedade patriarcal que o movimento feminista com justiça abomina.

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