O filme “Prince of Persia: The Sands of Time” lançado em 2010, foi baseado no game homônimo da Ubisoft. No Brasil chegou com o nome “Príncipe da Persia: As Areias do Tempo“.

O enredo é uma adaptação da narrativa do game e uma homenagem ao sucesso que começou nos primórdios da computação e permanece até os dias atuais. Dastan é um jovem de origem pobre que após realizar um notável ato de bravura é adotado por Sharaman, o soberano do Império Persa. O garoto cresce e se torna um bravo guerreiro reconhecido entre os seus pares. Dastan é um jovem de coração puro, não carrega a cobiça do trono, do poder e não vive com segundas intenções. Convencido de que deve atacar um reino próximo de uma bela cidade, seu irmão Tus prepara-se para a guerra, mas Dastan surpreende a todos empreendendo o primeiro ataque e evitando um grande massacre. Deste evento, acaba em suas mãos a mística Adaga do Tempo, capaz de realizar viagens pelo tempo através das areias mágicas dos deuses. Após o sucesso na guerra, seu pai sofre um atentado e deixa o trono para seu irmão Tus. O herói descobre que nem tudo é o que parece e que além de provar que não é o culpado, terá que descobrir quem é o verdadeiro assassino, seus motivos e devolver a Adaga do Tempo ao seu lugar.

O roteiro de “Prince of Persia: The Sands of Time” é lento e emocionalmente muito fraco, embora não deixe faltar as informações necessárias para o raciocínio linear. A música é boa, a fotografia é um feito incrível junto com a cenografia e o figurino. A edição é impressionante, somada aos efeitos especiais de bullet-time e demais. A narrativa é sem dúvidas uma homenagem ao jogo eletrônico de computadores e vídeo-games, que inclusive respeitou muito os movimentos parkour do Príncipe da Pérsia e as armadilhas e recursos de cenário, típicos do jogo eletrônico. Há no entanto algumas mensagens políticas que carrega no bojo: luta de classes de um reino pobre contra um reino rico, uma noção de imperialismo dos persas e uma acusação declarada contra o capitalismo: todas de forma sutil que soam inocentes, mas que de ingênuas nada possuem, é marxismo cultural mesmo e isto estragou boa parte da aventura. A mensagem trabalhada como tema central se propõe como a grandeza do dever de um rei, que rege um território com amor ao povo e não em busca de glórias e vaidades pessoais, mas se perde em meio à ideologia, que é substancialmente avessa à própria mensagem do eixo narrativo, no que consiste a obra.

Do elenco, só os coadjuvantes são bons. Nem Jake Gyllenhaal como Príncipe Dastan, nem Gemma Arterton como Princesa Tamina, foram bons atores. Gemma é sem dúvidas uma bela mulher com traços expressivos, mas ficou grosseira para uma princesa. Gyllenhaal é de uma expressão muito fleumática, inadequado para um bravo guerreiro, em papéis de homens mais frios, como em O Abutre, ele se saiu muito bem. Entre os coadjuvantes por outro lado, mereceu destaque Alfred Molina como Sheikh Amar, inclusive eu já havia exaltado o talento de Molina como vilão em Homem de Ferro 3.

A direção consistiu na orquestra de um time até razoável, mas que não soube administrar aventura e conteúdo filosófico e que além desta incompetência, ainda se deixou guiar por ideologia.

A produção contou com um orçamento de US$ $200 milhões e alcançou uma bilheteria de US$ 336 milhões, pouco superior ao investimento. O filme concorreu a 11 prêmios dos quais ganhou 1, que ironicamente foi o Guinness World Record de filme mais caro já feito baseado em um vídeo game.

Uma nota 6,0 é generosa (muito generosa): O filme merece um reboot por mãos mais competentes, pois os fãs da franquia merecem desfrutar de um trabalho de qualidade.

Trailer de Prince of Persia: The Sands of Time ( Príncipe da Persia: As Areias do Tempo )

Ficha técnica de Prince of Persia: The Sands of Time ( Príncipe da Persia: As Areias do Tempo )

Filme Prince of Persia: The Sands of Time ( Príncipe da Persia: As Areias do Tempo )
Ano 2010
Duração 116 minutos
Produção Jerry Bruckheimer, Chad Oman, Eric Mcleod, Mike Stenson
Direção Mike Newell
Roteiro Jordan Mechner, Boaz Yakin, Doug Miro, Carlo Bernard

Baseado em Prince of Persia: The Sands of Time da Ubisoft

Fotografia John Seale
Música Harry Gregson-Williams
Edição Michael Kahn, Martin Walsh
Elenco Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley
Orçamento / Receita US$ $200 milhões / US$ 336.365.676
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