Em 1985 o cinema teve a honra de receber aquele que provavelmente seria a melhor ficção científica de todos os tempos: Back to the Future. No Brasil, com uma das poucas traduções respeitáveis, foi chamado “De Volta para o Futuro“.

O jovem Marty McFly vive sua vida tranquila e medíocre, com uma bela namorada e uma família problemática ele deseja que as coisas fossem diferentes: que seu pai fosse mais crédulo em si mesmo, mais aguerrido e que não sucumbisse tanto ao Biff Tannen, um ogro embrutecido com alma de raposa e a inteligência de uma samambaia. Sua mãe sofre, toda família sofre. Seu grande amigo, o Dr. Emmett Brown o convida para um experimento científico, o teste da máquina do tempo mais famosa do cinema: o DeLorean DMC-12, um carro caro para a época, mas como diz Brown: “Se é para viajar no tempo, que seja em grande estilo!“. Despreparado, Marty aceita o convite do doutor e num amplo estacionamento testam pela primeira vez o invento, que mostra-se um sucesso ao enviar Einstein, o cachorro de Emmett para o futuro, apenas 1 minuto à frente do tempo. O veículo funciona como outro qualquer de sua época, mas dentro dele há a peça fundamental: o capacitor de fluxo, o componente que torna possível viajar pelo tempo e que necessita da carga de 1.21 gigawatts de potência e que o DeLorean atinja a velocidade de 88 milhas para funcionar. Acontece que o experimento, foi projetado para funcionar com plutônio e para obtê-lo o cientista enganou um grupo de terroristas líbios. Após o teste que comprova o êxito da viagem no tempo, Dr. Brown ajusta o endereço da próxima viagem no tempo para 1955, o ano em que teve a ideia do capacitor de fluxo e carrega o carro com uma carga de plutônio, suficiente para uma viagem no tempo. Antes de carregar as demais cargas para o retorno após a partida, o grupo terrorista aparece para acertar as contas com Emmett e abre fogo, assassinando-o. Marty empreende fuga, seu único recurso é o DeLorean, ele entra e pisa fundo. Ao atingir 88 milhas por hora, ele vai parar em 1955. O garoto demora para compreender que voltara 30 anos no tempo e aceitar o fato. Em suas andanças pela sua cidade conhece sua mãe, seu pai, o próprio Biff e acaba por se meter em encrenca, estragando o romance de seus pais ainda jovens, alterando a linha temporal e comprometendo sua própria existência. Marty terá que encontrar o doutor Brown e fazer com que seus pais se apaixonem ou terá comprometido toda história.

Steven Spielberg veio, através dos eventos temporais nos ensinar que a responsabilidade é do indivíduo e não do coletivo: o futuro é a consequência do que você faz no presente e o presente é a continuação do fez no passado. É a aplicação das virtudes e dos vícios nos moldes da realidade vigente.

Todos os atores são excelentes, com destaque para o Dr. Emmett Brown de Christopher Lloyd, que parece ter nascido o papel. Foi seguramente a melhor atuação de Lloyd e será em toda sua carreira. Isto fora a sinergia de Marty e Brown, que pareciam amigos íntimos de longa data. Se Lloyd se eternizou no papel, levou consigo Michael J. Fox, sem o qual ele mesmo não seria possível.

A fotografia é fantástica, literalmente fantástica e conta com efeitos especiais que para a época eram tecnologia de ponta, mas que mesmo assim deixam a aventura por conta do imaginário da audiência e junto com a cenografia e o figurino, encontraram harmonia de imagens num respeitável contexto histórico. A música de Alan Silvestri faz o coração pulsar no glorioso retumbo da coragem sonora e o sentimento quase foge líquido exprimido pelos olhos. A edição é obviamente uma ocupação de grandes proporções que inclui jogos de câmera, que se tornam discerníveis aos olhos críticos nas cenas finais. A sutileza da equipe técnica é sinérgica e absorve, conversando direto com os mais elevados picos da alma donde ouvem-se surdos os batimentos cardíacos.

A direção de Robert Zemeckis, o maestro de sons e imagens que ultrapassaram a retina foram conversar com os valores encrustados pelo evangelho de Cristo, transmitiu com sucesso as mensagens do roteiro diretamente da tela para o córtex e selou com solda espiritual aquecida a Fahrenheits impiedosos.

Steven Spielberg entrou para história neste momento. Eis aí oh judeu a tua contribuição! Fizeste ecoar o teu nome pelas gerações que voltarão no tempo para ouvir-te!

O baixíssimo custo de US$ 19 milhões, alcançou a alta bilheteria de US$ 381 milhões e foi indicado para 45 prêmios dos quais ganhou 20, inclusive um Oscar de Melhores Efeitos Sonoros.

Para os corações desatentos de qualquer idade: este filme é um absoluto clássico, irretocável e genuinamente genial. Entristece-me o coração, decai-me o espírito não encontrar uma nota melhor que o singelo 10,0 para a película.

Trailer de Back to the Future ( De Volta para o Futuro )

Ficha técnica de Back to the Future ( De Volta para o Futuro )

Filme Back to the Future ( De Volta para o Futuro )
Ano 1985
Duração 116 minutos
Produção Steven Spielberg, Neil Canton, Bob Gale
Direção Robert Zemeckis
Roteiro Robert Zemeckis, Bob Gale
Fotografia Dean Cundey
Música Alan Silvestri
Edição Harry Keramidas, Arthur Schmidt
Elenco Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Wilson
Orçamento / Receita US$ 19 milhões / US$ 381.109.762
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