Em 1989, quatro anos após o primeiro filme, para aliviar as angústias de fãs, o cinema nos presenteou com Back to the Future Part II. No Brasil chegou assim intitulado “De Volta para o Futuro II“.

Enalteci meritosamente o princípio desta trilogia eterna na crítica anterior e aqui examino sua continuação.

Um dia Christopher Lloyd fez algo bom na vida que ao ser observado necessitará de lenços para enxugar o rosto: o Dr. Emmett Brown. O estereótipo dotado de alma, para fazer inveja a qualquer Carlo Collodi. Michelangelo disse “Parla!” ao seu Moisés e a estátua não falou, mas Lloyd insatisfeito foi morar no coração do cientista responsável e ingênuo, apaixonado pelas benfeitorias à humanidade com o acumulado amor paternal de um pai que não gerou e de dentro para fora fez seu filho acontecer. Ouviu Christopher ao apelo de João “convém que ele cresça e que eu desapareça” e elidiu-se para parir o maior homem de ciências de todos os tempos na sétima arte: o Dr. Emmett Brown.

Brown é Leibniz, Einstein, Copérnico e Newton, mas sobretudo é Faraday, com o qual as semelhanças vão além do nome da invenção. Se Faraday é o pai do capacitor na eletrônica, Emmett não só criou o capacitor de fluxo do apaixonante DeLorean DMC-12, mas até seus traços físicos copiou.

Tendo adotado Michael J. Fox como filho Marty McFly: que dupla! A sinergia flui através de uma corrente contínua na expressão da própria lealdade que atravessou as barreiras do espaço e do tempo em cooperação mútua por uma energia que não veio senão da alma.

As musas abandonaram por algumas horas o serviço olímpico e vieram prestar ao Poderoso Maestro Alan Silvestri seus favores. Zeus e Hera honraram-se de sua lira e aquietaram até a relva terrestre para que o lirismo de suas melodias fossem ao longe ouvidas.

Adornos literários com salvo-conduto assegurado, a obra não merece menos e este humilde que vos fala ainda faz pouco.

Alegra-te Sófocles! Repõem os olhos a Édipo Rei! Se as atuações e trilha sonora derreteram as geleiras dos lábios científicos e fizeram ferver os pólos terrestres, a fotografia de Dean Cundey somada a edição da dupla Harry Keramidas e Arthur Schmidt, a cenografia e figurinos oriundos de uma imaginação que semearam o futuro fecundando propósitos singelos e esperança, encontram sinergia perfeita, a harmonia desta música visual a que chamamos – filme!

A reger a orquestra que entra pelos olhos, Robert Zemeckis que recebeu o título injusto e diminutivo de mero diretor. A missão de Zemeckis consistiu numa jornada ao centro do indivíduo e trazê-lo a tona cru, em apenas 108 minutos dizendo-lhe: “Marty, a responsabilidade pelos seus atos, é sua e de mais ninguém.” , aparado pelo doutor, a lição de não tentar tirar vantagem na injustiça, foi transmitida com absoluto sucesso. A dita esperteza contemporânea comum aos comuns e suas nefastas consequências implícitas, numa catarse caiu por terra dando lugar ao mérito e à honestidade, sua companheira inseparável.

Desenhou o roteirista o valor da verdade e da honestidade, ensinando como a crianças espirituais que o atalho da mentira é a condenação própria e dos demais. Assim Marty aprendeu, diante do cenário horrível que criou, para si e para os seus que o caminho da virtude é o oposto do vício. Após a confissão de sua culpa, imediatamente que o mal e o bem estão abissalmente separados e que consertar tudo é sua responsabilidade: eis aí exposta a nevrálgica catarse.

Incapazes de reconhecer um círculo ainda que materializado em suas mãos, os juízes mortais dedicaram apenas 18 indicações às pífias premiações que alcançaram perceber. Ignoraram a luz do dia o valor estético da obra. Das 18, apenas 9 foram vitórias e das indicações um Oscar por Efeitos Visuais que não os alcançou. Para além dos cegos hollywoodianos, a produção contou com escassos US$ 40 milhões que resultaram numa bilheteria de US$ 331 milhões, um feito aos olhos do público.

Este é um filme que vale a pena voltar no tempo para assistir. Uma nota 10,0 é de doer o coração, pois o registro metafísico da expressão do indivíduo como autor de seus atos e dos desdobramentos da responsabilidade enquanto átomo solto para toda uma sociedade, estão presentes na película: é inegável.

Não serviu o judeu Spielberg aqui aos homens, mas numa camada superior da personalidade a realizou diante dos olhos de Deus e a história o honrou: seu nome vive, sua memória presente retorna em altas temperaturas no coração fervente a cada vez que 88 milhas por hora forem rompidas e o capacitor de fluxo acender: o eterno vive, aos olhos do Eterno que o guiou!

Trailer de Back to the Future Part II ( De Volta para o Futuro II )

Ficha técnica de Back to the Part Future II ( De Volta para o Futuro II )

Filme Back to the Future Part II ( De Volta para o Futuro II )
Ano 1989
Duração 108 minutos
Produção Neil Canton, Bob Gale
Direção Robert Zemeckis
Roteiro Bob Gale
Fotografia Dean Cundey
Música Alan Silvestri
Edição Harry Keramidas, Arthur Schmidt
Elenco Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Thomas F. Wilson
Orçamento / Receita US$ 40 milhões / US$ 331.950.002
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