O seriado é de 2009 e é curto, com apenas 3 temporadas, mas desta vez a crítica vem precedida de uma pequena história pessoal.

Resolvi estudar um pouco os grandes debatedores políticos, ao passar pelo Ben Shapiro, encontrei logo de cara suas famosas “10 dicas”. Ouvi sua palestra inteira. As primeiras 9 recomendações não eram novidades, algumas eu já conhecia bem e outras nem tanto, mas novidades não eram. A 10ª me pegou de surpresa. Ben instruiu seus leitores a aprender o máximo sobre leitura corporal, sim a famosa PNL (programação neurolinguística). O assunto eu já havia estudado um pouco no passado, li 2 livros, mas jamais me aprofundei.

A recomendação de Shapiro me despertou ânimo e comecei a buscar mais material, ler, ouvir e assistir. Fiquei surpreso como existem inúmeros canais no Youtube sobre isto. Nesses canais encontrei uma recomendação da excelente professora Ligia Guelfi que deu dicas incríveis sobre o assunto, inclusive deste seriado. Anotei e resolvi assistir.

Pesquisando mais um pouco, encontrei um sujeito incrível, fantástico e cativante cujos vídeos não consegui mais parar de assistir. Primeiro porque sua energia contagia o expectador e segundo porque não há ninguém melhor que ele neste assunto no Brasil. Me refiro aqui ao professor Ricardo Ventura. Em seu canal há uma playlist chamada “Não Minta Pra Mim!” que vale a pena conferir: absolutamente todos os vídeos são bons.

Ligia Guelfi e Ricardo Ventura me mostraram ali em seus vídeos que é possível aprender PNL com seriedade, competência e muito bom humor.

A esta altura você deve estar se perguntando o que é PNL. Existe a resposta do manual e existe a pessoal, vou transmitir ambas aqui: PNL é a sigla para “Programação Neurolinguística” e se refere a um processo de comunicação neurológico, não verbal. Em outras palavras, seus gestos e expressões acompanham seu pensamento. Você pode por exemplo dizer “sim” com a voz para alguma informação, mas seu corpo pode dizer outra coisa. A grande sacada é que existe um padrão para isto! É um idioma nato e universal que todos falamos sem saber.

Anotada esta recomendação de ambos, mergulhei no seriado e vamos às primeiras impressões.

Primeiro, a proposta é interessantíssima porque o seriado é baseado em conhecimentos científicos. O doutor Paul Ekman, notável pesquisador das micro-expressões faciais que dedicou longo tempo estudando os símios, descobriu que as mesmas expressões faciais que eles produzem ao sentirem emoções como medo, nojo, alegria, tristeza, raiva e desprezo (entre outras), são as mesmas (sim, as mesmas!) produzidas por nós humanos. É cientificamente falando, uma linguagem universal. E Paul acompanhou a produção da série para que nenhuma informação fosse errada.

O detetive Cal Lightman impressiona logo nas primeiras cenas onde apenas faz perguntas pedindo que o interrogado não as responda e com base em suas micro-expressões faciais deduz as mentiras e verdades, e então impede um crime hediondo.

A série é profundamente didática, é praticamente um curso com dicas, além de ser profundamente envolvente.

O roteiro é incrível e segue a ordem de um novo desafio a cada episódio, mais ou menos como Supernatural, propondo também um arco narrativo com problemas maiores que são resolvidos gradualmente. Para quem está acostumado a analisar estes detalhes, dá pra sacar rapidamente quais serão as questões no decorrer do caminho (que eu não vou falar para não dar spoiler). Velocidade e densidade são as características do piloto: um ritmo quase frenético, que não demora para começar, delineia as personalidades dos personagens aos poucos e na medida da necessidade, e recheado de muita informação. Eu inclusive já sei que após terminar tudo, vou voltar ao início e assistir novamente com papel e caneta, tomando nota dos detalhes de PNL ensinados. Além da aventura é sem dúvida uma aula.

A fotografia é um cuidado muito especial neste caso. Não se trata apenas da comunicação de espaço e tempo comuns entre tomadas de câmera abertas e fechadas, mas de um conteúdo intenso cuja alma reside nos detalhes. É um dos grandes trabalhos de fotografia já feitos: a lentidão para demonstrar as micro-expressões faciais de forma a comunicar ao público o que está havendo causa uma imersão e um apetite pelo aprendizado, te faz devorar a tela com fome de saber mais.

A música não chama a atenção, de cara soa como um elemento neutro e sua função é exatamente esta: auxiliar na experiência apreensiva. Tudo é voltado para o foco no tema. Isto é raro, educativo e digno.

Há inegavelmente algumas mensagens políticas de fundo, um certo marxismo cultural no qual os cristãos são perturbados mentais ou loucos fundamentalistas, mas nada pesado como as séries das CBS e The CW. Apesar de que a Fox é uma emissora tida como direita conservadora, mais alinhada aos republicanos nos EUA, mesmo assim houve uma sutil mensagem ali. Justiça seja feita, a série enaltece a verdade como valor (por razões óbvias existenciais) e o trabalho das autoridades.

O elenco não é nenhum time incrível mas convence, por vezes os coadjuvantes saem-se melhor do que os protagonistas, mas o time é razoável. Mesmo nesta equipe quem se sobressai é o Tim Roth como Cal Lightman, cujo personagem é baseado no próprio doutor Paul Ekman. Seria melhor se fossem personagens com mais alma e menos estereótipo.

O trabalho que mais me impressionou foi o de edição: é obra de mestres. Combinar a fotografia e a trilha sonora com aquela precisão, é coisa de longa metragem.

A direção entregou um trabalho digno de nota 10, profundamente didático e que com certeza merecia mais que 3 temporadas, se você tem interesse por PNL e não for conquistado pelo piloto, então PNL não é sua área.

A série criada por Samuel Baum é genial, minha nota é 10 e segue minha recomendação.

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