O seriado de Jeff Davis foi ao ar em setembro de 2005 pela CBS. Criminal Minds foi inicialmente batizado de “Quantico” por se tratar de uma equipe do FBI sediada na cidade homônima da Virgínia. No Brasil o show foi apresentado pela tradução literal “Mentes Criminosas” e exibido na Rede Globo.

A temática é a sondagem psicanalítica dos criminosos de alta periculosidade, a análise vitimológica e sondagem lógica dos cenários, que possibilita prever os próximos passos através das ciências da vitimologia e psicanálise.

Há muito de Freud e para quem gosta desta área do conhecimento é um prato cheio.

A equipe do FBI conhecida como UAC (Unidade de Análise Comportamental) trabalha analisando o modus operandi do criminoso em questão em busca de padrões de comportamento e extraindo dados que são deduzidos da análise para formar uma possível lista de suspeitos. Quanto mais dados, mais filtrada é a lista e número de suspeitos reduz-se até um ou dois no máximo e desta forma encontram-no.

A série é baseado em fatos reais e a metodologia científica apresentada é também real, o que torna tudo muito mais interessante ainda.

Dos trabalhos técnicos a edição chama muito a atenção: é a melhor edição já vista num seriado.

A carga intelectual faz parte do roteiro com citações constantes de pensadores influentes, uma no início do episódio e outra no final.

O piloto nos faz pensar muito sobre importância de o quanto um indivíduo bem instruído pode ser útil à sociedade: esta equipe da polícia não serve-se de força bruta ou armas de fogo, mas da inteligência. A emoção fica por conta de antecipar o próximo passo do criminoso, antes que mais algum inocente pague o preço pela desordem mental de alguém insano.

O roteiro não é veloz, possui uma velocidade razoável, mas é o possível pois a quantidade de informações e a complexidade dos personagens apresentados é ampla, um misto de estereótipos com alma.

A fotografia é técnica mas não deixa nada a desejar pois a abordagem é mais científica e menos emocional, tratam-se de dados aqui e não de sentimentos. A música de abertura lembra em muito Arrow (na verdade é o contrário, Arrow que lembra Criminal Minds, pois foi antecedido por esta série).

Do elenco destaca-se Mandy Patinkin com ar pesaroso de Jason Gideon, o Agente Especial Supervisor Sênior. Também chamam atenção Thomas Gibson com seu personagem Aaron Hotchner que em muito lembra Bruce Wayne (o Batman), Matthew Gray Gubler com seu personagem de inteligência superior, o superdotado Dr. Spencer Reid e Shemar Moore com o descolado Derek Morgan. Os demais personagens são bons também, mas chamam menos atenção (e nem espaço há num piloto de 42 minutos para apresentar toda equipe talentosa em profundidade emocional).

Pelo menos no piloto, não há apelo político de lado algum e nem marxismo cultural, o que é uma grande surpresa tratando-se da CBS, uma emissora dedicada em tempo integral à propaganda do Partido Democrata.

Confesso que migrei para esta série empolgado e entristecido pelo fim de Lie To Me e encontrei em Criminal Minds um trabalho superior (fiquei imaginando o doutor Cal Lightman atuando com aquela equipe).

Uma nota 10 é o mínimo que posso conceder: a proposta de apresentar o trabalho psicanalítico da UAC é excelente, a sub-proposta implícita de valorizar a inteligência acima da força bruta e da violência é tema de disputas recorrentes, a equipe técnica trabalha dignamente e a artística não fica devendo nada.

Crítica – Criminal Minds ( Mentes Criminosas ) – Episódio piloto

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