Soltei bastante atrasado a crítica do episódio piloto de Criminal Minds e tomei o cuidado de não me empolgar demais e acabar falando por todo o seriado, contendo-me ao piloto e suas impressões em linhas gerais.

Terminei há pouco de assistir a primeira temporada e confesso estar bastante satisfeito.

Criminal Minds que foi ao ar em 2005 pela CBS e chegou ao Brasil como “Mentes Criminosas” tem como proposta retratar o trabalho de uma equipe chamada UAC (Unidade de Análise Comportamental), cuja atividade consiste em traçar perfis psicológicos com base em psicanálise, em seguida elaborar uma lista de possíveis suspeitos e partindo dos detalhes obtidos a cada nova informação, refinar a lista de forma que sobrem reduzidos nomes possíveis e por vezes até um único suspeito certeiro.

A proposta da temática foi seguida nesta temporada muito satisfatoriamente, não há pecados cometidos, o produto cinematográfico confere com a encomenda.

O roteiro segue uma proposta de arco bastante diversa às que estou acostumado: há uma crise final, poderosa, que serve de gancho para a próxima temporada, mas não há um arco narrativo, apenas desafios soltos. Os roteiros dos episódios são relativamente lentos no início, demoram um pouco para começar, mas desenvolvem-se com clareza, sem deixar faltar qualquer informação.

A carga cultural permanece com o mesmo alto nível, com uma citação no início e outra no final, sempre de pensadores influentes.

Vindo da CBS, propagandista extra-oficial do Partido Democrata (esquerda americana), não foi surpresa o marxismo cultural pesado em um dos últimos episódios que se passa no México, abordando causas LGBT, feminista e imigratória simultaneamente. No entanto este foi o único momento no qual houve uma deliberada propaganda ideológica, no mais (agora sim para minha surpresa) a série não carregou como na primeira temporada de Supergirl que chegou a dar nojo.

Todos os atores são bons e realizam um excelente trabalho digno de elogios diversos. O elenco conta com Mandy Patinkin (Jason Gideon), Thomas Gibson (Aaron Hotchner), Lola Glaudini (Elle Greenaway), Shemar Moore (Derek Morgan), Matthew Gray Gubler (Dr. Spencer Reid), A. J. Cook (Jennifer Jareau) e Kirsten Vangsness (Penelope Garcia). Os destaques vão para Gideon, o paternal experiente, Hotchner, o centrado durão que lembra o Bruce Wayne (Batman), Reid, o gênio superdotado e Derek, o descolado durão. O que me chama atenção na qualidade do elenco é que suas atuações e personagens como um todo são mistos de estereótipos com almas complexas, me parece até agora o cenário ideal, uma síntese entre estereótipo coletivo e alma individual.

A fotografia passou de técnica para artística, inserindo elementos de mistério e drama com muita competência, além dos ângulos e distanciamentos tradicionais e meramente informativos. Sombras e luzes trabalharam junto com tons variados, valorizando muito a imersão do expectador, que realmente mergulha na narrativa com sensações mistas da didática com informações psicanalíticas.

A edição permaneceu com a mesma surpreendente qualidade digna de longa metragem e raramente encontrada.

A trilha sonora não sofreu grandes alterações. Lembra muito Arrow como mencionei no texto anterior, o que me levou também a refletir que o herói da DC Comics, nas primeiras temporadas é na verdade também um serial killer. Reparem: Arrow mata de acordo com uma lista e nós batemos palma, na verdade estamos aplaudindo um assassino em série que faz papel de juiz, juri e executor em seu mundo. Este tipo de reflexão que embora seja óbvia, é esclarecida através do trabalho sério da equipe real do FBI, apresentado no seriado. Arrow não é o único, o Punisher da Marvel Comics apresentado pelo Netflix não fica atrás, é exatamente a mesma coisa.

Assistir uma série como Criminal Minds enquanto se estuda filosofia grega e direito romano (no caso eu, neste instante), é uma experiência que recomendo, pois aprofunda muito a percepção: saímos do mundo das hipóteses fantasiosas para o mundo das hipóteses reais e percepções como o código moral e a ética de forma geral, sejam reavaliadas em situações extremas. Não é o ilusório homem que pula por telhados ou vive num armazém no esgoto, é uma equipe real, com famílias reais, resolvendo problemas que aconteceram de fato.

Uma grata surpresa dos últimos episódios é o confronto com a CIA, que mais uma vez tratou-se com realismo e vale a pena conferir.

O seriado de Jeff Davis está, até aqui, fantástico e digno de um 9,5. Só não dou 10 pelo episódio com propaganda ideológica, que inclusive tem uma conclusão porca, mas os outros 21 episódios são todos fantásticos.

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